Crítica | She-Ra e as Princesas do Poder – 3ª Temporada

O reboot de She-Ra começou muito bem com uma primeira temporada que soube apresentar os personagens principais e recriar a origem da protagonista sem que ela perdesse a essência da série original oitentista, mas atualizando muitos conceitos de maneira inteligente. A segunda temporada ganhou o tratamento de meia-temporada, na verdade, fórmula que a Dreamworks já usara com sucesso em Voltron: O Defensor Lendário, mas que acabou resultando em um trabalho razoavelmente vazio de propósito aqui.

Agora, a terceira temporada vem com seis episódios que complementam e fecham o arco iniciado na anterior, só que com muito mais relevância do que vimos imediatamente antes. Como resultado das lições de história aprendidas com os pais de Arqueiro, Adora, acompanhada dele e de Cintilante, parte para procurar artefatos dos Primeiros na inóspita região conhecida como Terra Vermelha para tentar entender mais sobre She-Ra e sobre Etérea. Paralelamente, Hordak manda Felina para o mesmo lugar e com o mesmo objetivo, mas na esperança de que a vilã não volte. Com isso, a convergências das narrativas paralelas é muito rápida e natural, permitindo-nos aprender mais sobre Mara, a She-Ra anterior e sobre o portal que Hordak tanto deseja abrir com a ajuda de Entrapta.

Os roteiros da temporada são, todos eles, focados em lidar com o que descrevi acima, sem perder tempo com desvios narrativos ou bobagens. Com isso, talvez um lado negativo fique novamente bem saliente: as tais Princesas do Poder não são mais do que enfeites ou artifícios narrativos para “preencher” espaços quando necessário. As exceções, claro, são Cintilante, que tem papel muito bem definido e Entrapta, que serve como alívio cômico e também uma forma de se impulsionar a linha narrativa tecnológica que cercam todas as ações de Hordak. Todas as demais são detalhes, personagens unidimensionais que jamais ganham algum tipo de desenvolvimento ou funções maiores do que algumas sequências de ação genéricas para que lembremos que elas estão por aí. Será interessante ver se, na medida em que a série expande sua mitologia, elas passarão a ter lugar cativo ou se não passarão de peças de cenário.

Seja como for, para fins específicos desta (meia) temporada, a manutenção de quase todas as princesas em segundo ou terceiro plano só beneficia a história sendo contada, abrindo espaço para a cada mais obsessiva Felina fazendo de tudo e arriscando a própria existência somente para mostrar-se valorosa aos olhos de seu líder e para Adora, que se vale muito pouco de sua transformação em She-Ra e torna essa “ausência” da personagem-título pouquíssimo sentida graças ao ritmo narrativo imposto pelos roteiros do começo ao fim. Da mesma forma, os segredos de Etérea são aprofundados, vemos uma realidade alternativa no penúltimo episódios e somos brindados com uma revelação potencialmente muito interessante sobre quem verdadeiramente é Hordak.

Posso estar enganado, por desconhecer os detalhes da mitologia original de She-Ra, mas o caminho alinhavado nesta temporada com o que vemos sobre Mara e sobre Hordak abre possibilidades jamais explorados pela personagem oitentista, emprestando uma complexidade muito bem vinda a tudo o que vemos e, de repente, transformando essas três temporadas iniciais quase que em apenas um preâmbulo alongado pelo que está para vir futuramente. Isso mostra que Noelle Stevenson não está de brincadeira e tem planos possivelmente sólidos e de médio, talvez longo prazo para a defensora de Etérea. Apenas espero que ela saiba quando parar.

Com um ritmo apressado, mas muito eficiente e trabalhando muito bem as tensões entre Felina e Adora, a terceira temporada de She-Ra e as Princesas do Poder mostra de vez o potencial desse reboot 30 anos depois da série original. Agora é torcer para Stevenson manter a cadência.

She-Ra e as Princesas do Poder – 3ª Temporada (She-Ra and the Princesses of Power, EUA – 02 de agosto de 2019)
Desenvolvimento: Noelle Stevenson (com base em criação de Larry DiTillio e J. Michael Straczynski)
Direção: Steve Cooper, David Woo, Jen Bennett, DWooman, Mandy Clotworthy
Roteiro: Shane Lynch, Laura Sreebny, Josie Campbell, Katherine Nolfi, Noelle Stevenson
Elenco: Aimee Carrero, Karen Fukuhara, AJ Michalka, Marcus Scribner, Reshma Shetty, Lorraine Toussaint, Keston John, Lauren Ash, Christine Woods, Genesis Rodriguez, Jordan Fisher, Vella Lovell, Merit Leighton, Sandra Oh, Krystal Joy Brown, Noelle Stevenson, Morla Gorrondona, Grey Griffin, Adam Ray
Duração: 24 min. por episódio (6 episódios no total)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.