Home TVEpisódio Crítica | Supergirl – 6X19 e 6X20: The Last Gauntlet / Kara

Crítica | Supergirl – 6X19 e 6X20: The Last Gauntlet / Kara

Do céu pensativo à completa rasa conclusão.

por Davi Lima
3.558 views (a partir de agosto de 2020)

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  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios da temporada.

Mediante o já avisado lançamento dos dois últimos episódios da série em conjunto, aqui está a crítica do final de Supergirl.
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6X19 – The Last Gauntlet

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kara We’re defined by our choices, and this is the wrong one. – Supergirl

No episódio I Believe in a Thing Called Love o diretor Jesse Warn praticamente havia salvado a fraqueza do roteiro com sua direção objetiva e entendida as noções básicas do audiovisual para valorizar a dramaturgia de Supergirl. Em The Last Gauntlet não é muito diferente, em que o diretor Glen Winter, outro famoso nas séries de super-heróis da CW, consegue propor grandes dimensões ágeis para a finalização da série. Dessa vez o roteiro do episódio é melhor, tendo um material melhor de frases feitas e inocência transformadora para revirar tudo na trama com rapidez e organização.

Invés de chorar a morte de William Dey, a assertividade do roteiro foi focar em Lex Luthor e Nyxly com Esme. A interação dos dois vilões com a criança é um dos pontos fortes de criatividade da história. A pretensão dos showrunners fazer os dois personagens apaixonados deixou um impasse de interesses quanto ao Totem do Amor que Esme carrega, abrindo um leque de possibilidades dramáticas que o episódio aproveita. Nyxly tem um sentimento fraternal e familiar com a criança, enquanto Lex ver Esme apenas como o totem e um empecilho para ter seu poder dividido com Nyxly. São como pais que enxergam um filho para se dar amor e para se gastar dinheiro. Se torna uma discussão de relacionamento que envolve a sogra Lillian Luthor como grande personagem determinante para expor Lex como além de um deus ex-machina da série.

Em paralelo a boa trama dos vilões, especialmente se tratando da família Luthor, o melhor da série também se coloca em cheque: Kara e Alex Danvers em conflito. Isso já havia aparecido no último episódio na briga das irmãs em relação a Esme suprimir seus poderes ou não como Kara fez na infância. Mas agora com Esme capturada pelos vilões o jogo se inverte quanto a qual das irmãs tem que cuidar de qual. Alex sempre foi a protetora, agora foi a prova de fogo de Kara assumir a responsabilidade diante de sua irmã abalada, de realmente cair tudo sobre seus ombros, até mesmo a literal luz solar como uma forma de ter mais poderes e criar uma precaução contra Nyxly. A incerteza assolou Kara desde que voltou da Zona Fantasma, então quando a direção de Glen Winter grava bem o cenário inóspito do drama das duas irmãs quanto ao “tudo ou nada” em relação a Esme e o os poderes de Nyxly, não importa desenvolvimento, são apenas as atrizes e o peso da relação das personagens que efetivam qualidade.

Glen Winter talvez não tenha a mesma profundidade dramática que Jesse consegue manejar com a direção de fotografia, mas ele consegue dar um escopo espacial para as cenas de ação e para os dramas que haja muita inocência e infantilidade em resoluções – como o caso da Andrea Rojas sendo acolhida por Lena Luthor – ainda assim é possível acreditar pela função, não pelo texto em si. O roteiro e a direção se unem bem nesse episódio porque se compreende bem o obtuso senso de tempo que os showrunners proporcionaram mal a série desenvolver o mais básico, especialmente o que restou da quinta temporada. Assim, tudo se resolve rápido com mínimo de lógica funcional de encerrar arcos que se interajam com seus espaços e momentos.

Por isso o ponto alto é envolvendo Nyxly contra Lex Luthor e Supergirl voando para pensar. Isso mesmo. A luta dos dois vilões obedecem mais uma lógica própria de que Nyxly teve problemas com pai e Lex sempre amou mais a si mesmo do que qualquer pessoa – como diz sua mãe. Não se baseia num desenvolvimento e sim nos conceitos de mais básicos que se expõem interessantes no conflito com Esme. Já com Supergirl, toda a cena final do povo em preto e branco e Orlando Davis discursando fazendo-os colorir mostra a incapacidade da personagem resolver. Isso é problemático diante da evolução da personagem, porque ela parece parada na quinta temporada, ou em um trauma que teoricamente seria cessado com a ajuda do pai no começo da temporada. Mas não. A expectativa dela ser a salvadora é ela entender como às vezes não pode ajudar, por mais redundante que isso seja para a personagem, como se tivesse em ciclos, voltando para a primeira temporada, mas sem gosto pelos poderes ou pelo jornalismo.

Esse é o ponto melancólico que conceitualmente a direção mais criativa com o roteiro deram um xeque-mate de compreensão sobre qual é o drama da Kara além de choros e conversas com William Dey. Antes da Season Finale real no próximo episódio, o gancho de Supergirl voando para as nuvens pensar dá uma dimensão grande, finalmente, de quando uma super-heroína tão forte pode sofrer com sua identidade, por mais que seu protagonismo na série tenha falhado em desenvolvimento. Em The Last Gauntlet tudo isso se resolveu por uma brecha tão perto do final.

Supergirl – 6X19: The Last Gauntlet – EUA, 9 de outubro de 2021
Direção: Glen Winter
Roteiro: Derek Simon, Rob Wright
Elenco: Melissa Benoist, Chyler Leigh, Katie McGrath, Jesse Rath, David Harewood, Peta Sergeant, Nicole Maines, Azie Tesfai, Julie Gonzalo, Staz Nair, Jon Cryer, Matt Baram, Mila Jones, Brenda Strong, Jhaleil Swaby, Crystal Balint, Andrew Morgado, Ecstasia Sanders
Duração: 43 minutos.
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6X20 – Kara

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kara And it would be interesting because this is boring. – Cat Grant

Infelizmente, apesar do ótimo gancho maduro, dentro das possibilidades da série, Supergirl, nem mesmo com o diretor Jesse Warn, conseguiu fazer a proeza de encerrar bem sua série. Seria um proeza, em vista que mesmo com bons momentos da temporada havia muita maquiagem dos problemas mais inerentes a como o programa se resolvia em conflitos, com gambiarras, frases de efeitos, temáticas sociais e dependências de boas direções para propor qualidade durante a temporada. No entanto, o final sempre é um campo mais sensível para o espectador, e quando o discurso de inspiração insiste em ser a própria literalidade do discurso, nem mesmo o casamento de Kelly com Alex e Cat Grant salvaram o último ato da produção da CW.

Quando Kara começou com a finalização do arco dramático de Lena Luthor na introdução do episódio, antes da logo, era possível perceber o desastre, a pressa e a completa falta de compreensão do que fazer por parte dos showrunners para terminar a série. Talvez eles estivessem pensando que Esme e sua fofura fariam todos os espectadores esquecerem de que precisavam de uma grande luta de super-heróis, a volta de Mon-El e a Legião agradasse alguns fãs, ou até mesmo a referência a coroa de Brainic-5 faria um fã de quadrinhos ver o visual do personagem ainda mais fiel.

O episódio ressoa como uma grande fuga de si mesmo, tentando se sustentar com um casamento bonito como panos quentes e com a volta da famosa Cat Grant e seus discursos que convencem qualquer pessoa que acompanha a série. No entanto, esses dois últimos fatores entregam ao episódio o grande problema envolta do desenvolvimento de Supergirl, seja pelo casamento evidenciar como Alex foi uma personagem melhor desenvolvida com Kelly, seja por Cat discursar como mais uma gambiarra dramática que não conseguiram imprimir em ação durante toda a última temporada.

Focando apenas em Kara, como episódio mesmo se nomina diretamente, e deixando de lado as resoluções redundantes e preguiçosas para os totens e os vilões Lex e Nyxly, é preciso dizer que a proposta de conclusão da personagem título é boa, mas ineficaz pela procrastinação enraizada na série para seu desenvolvimento. A primeira e a terceira temporada são auges da série por saberem colocar Kara Danvers e Kara Zor-El como balanços a serem descobertos. A inspiração e a transformação da heroína kryptoniana na sombra do primo Superman no começo da série serviu como conceitos básicos de uma personagem mulher em escalada própria de crescer como super-heroína. Após o caso Mor-El, quando a série se rendeu aos clichês do canal CW, ao menos deu um impulso para um drama sobre a humanidade de Supergirl na terceira temporada, dando um checklist tanto de jornadas de herói que Clark já havia “mitologizado” na mente senso comum, mas ninguém tinha visto isso com uma kryptoniana, mulher, passando pelos mesmo dilemas de grandes heróis. A humanidade a ser descoberta envolvia sororidade e questões femininas que tornaram o terceiro ano pouco original mas muito potente.

Então, o que houve? Esse final é consequência do desfoco na personagem que foi se envolvendo cada vez mais numa pós-modernidade, numa compreensão das experiências sociais e o engajamento político ser parte do conceito de herói para muita gente. Se muitos gostam da quarta temporada, acabam não gostando da quinta pelo motivo que a série não tinha mais a personagem inspiração como centro e sim como farol parceiro para outros personagens representativos de minoria. A quinta e a sexta temporada teve seus melhores episódios com Nia Nal, Alex, Kelly, mas Supergirl, Kara Danvers, era apenas o bastião que legitimava tudo.

Por isso, esse final, quando se tenta focar excessivamente no drama clássico do Superman, que claramente Supergirl teria, ainda mais com as camadas feministas e sua representação como mulher, de que maneira a identidade secreta inspirava por completo as pessoas, de que maneira se esconder como jornalista não a impedia de crescer; tudo isso se torna raso, confortável e Melissa Benoist. Raso porque o drama de Supergirl quanto a isso nunca foi o centro da temporada, mesmo que haja linhas que cheguem bem a cena que ela tira o óculos e a pressão deles. Confortável porque torna literal a inspiração, em que o discurso heroico de todos serem parceiros é tão pós-moderno quanto anula responsabilidade do desenvolvimento de Supergirl em maturidade de salvar as pessoas, porque isso é desnecessário, estranhamente desnecessário quando alienígenas invadirem mais uma vez National City, ou qualquer outro problema que não seja social, ou causado pelos próprio heróis. E Melissa Benoist porque retira o peso da atriz em relação a sua imagem, em que talvez seja o ponto mais positivo, em vista do que ela representa contra os abusos contra as mulheres.

Por fim, Kara, o Season Finale, acaba sendo o discurso sem audiovisual, como se todo o episódio fosse um mero teatro para dizer que Supergirl é a Kara Danvers, de que todas as pessoas devem ser heroínas, parceiras, e que tudo isso é histórico no futuro do universo de Supergirl. Uma mensagem muito bonita, mas sem um pingo de noção de como abordar isso dramaticamente. Não há problema em ser frontal, direto, e sim como isso é instrumentalizado como um teletransporte para conclusões sem responsabilidades com suas narrativas, entregando o mínimo que restava contar sem base para isso ser máximo em efetividade. Um até mais Supergirl, a nova editora da CATCO.

Supergirl – 6X20: Kara – EUA, 9 de outubro de 2021
Direção: Jesse Warn
Roteiro: Derek Simon, Jay Faerber
Elenco: Melissa Benoist, Chyler Leigh, Katie McGrath, Jesse Rath, David Harewood, Peta Sergeant, Nicole Maines, Azie Tesfai, Julie Gonzalo, Staz Nair, Jon Cryer, Matt Baram, Mila Jones, Brenda Strong, Jhaleil Swaby, Crystal Balint, Andrew Morgado, Ecstasia Sanders, Calista Flockhart, Jeremy Jordan, Chris Wood, Helen Slater, Mehcad Brooks, Keith Dallas
Duração: 43 minutos.

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