Crítica | Titãs – 1X08: Donna Troy

Contém spoilers.

Após Columba e Rapina, a Patrulha do Destino e Jason Todd debutarem, a série Titãs novamente recorre a um personagem secundário, que ainda não havia sido apresentado, para continuar a desenvolver, paralelamente, a sua história principal. Os episódios pares parecem, até o exato momento, possuir esse enfoque no inédito, com o intuito de trabalhar, curiosamente, o passado. Donna Troy (Conor Leslie), também conhecida como Moça-Maravilha nos quadrinhos – igualmente na série, em referência esperadíssima -, é uma presença recorrente na vida de Dick Grayson (Brenton Thwaites), aparecendo em um ótimo flashback e sendo, mais para frente, reencontrada já em sua forma adulta, em que, assim como o Menino Prodígio, distanciou-se de seu status quo anterior, assumindo uma postura revigorada no seu presente. O sentimento de redundância temática é notável – o uniforme já foi jogado fora, mas, aqui, as conversas repetem o discurso de auto-descobrimento apresentado anteriormente -, contudo, as dinâmicas são interessantes.

O quanto a série consegue ser sombria e violenta equipara-se com o quanto a série consegue ser inocente em certos momentos, por exemplo, quando Dick pergunta-se o que o Pinguim estaria aprontando, durante uma exposição artística de sua amiga. O espectador que é entusiasta dos quadrinhos e dos personagens certamente se envolverá com as citações diretas ao Coringa e à Liga da Justiça, apenas ratificando o quanto esse universo criado tem potencial de expansão e adequação a uma realidade maior do que a série por si só, mesmo se o seriado quiser manter-se dessa forma, conciso e único, mas não claustrofóbico e egomaníaco. O enfoque não pode se perder, coisa que, pela primeiríssima ocasião, quase acontece, em vista da aparente inexistência de perigos a mais, justamente o que encaminha o nosso protagonista, o antigo Robin, ao encontro de seu passado, almejando um novo futuro. O sentimento de liberdade é gostoso, contudo, os espaços explorados em consequência não são tão interessantes.

A série, no entanto, nesse episódio em questão, consegue pontuar certos momentos pessoais aconchegantes, construindo laços que haviam sido apresentados anteriormente – o reencontro de Rachel (Teagan Croft) com a sua mãe -, também insinuando interesses amorosos possíveis, como é o caso de Mutano (Ryan Potter) com a Ravena. Gar, entretanto, apenas possui uma pequena interação com Kory (Anna Diop) para pontuar o evento do episódio imediatamente anterior, Asylum, em que matou um homem a mordidas. Donna Troy não pode ser referido como um episódio estafante, muito contrário, mas um capítulo em que um avanço narrativo é sentido na sua conclusão, embora pouco desenvolvimento de personagem seja aparente das camadas apresentadas no decorrer do seu restante. As interações do protagonista com Donna Troy – os diálogos são adequados, pelo menos, e Leslie é carismática -, poderiam, no final das contas, revelar um novo codinome para Dick Grayson. O nascimento de Asa Noturna, possivelmente.

A reunião da Moça-Maravilha com o Menino Prodígio, enfim, possui a importância narrativa de informar ao espectador das reais intenções de Kory com Rachel, uma premissa que supostamente estava esquecida e que, para uma costura mais arrojada de episódio para episódio, poderia ter sido amarrada com as situações anteriores. A série não demonstra muita coesão nesse sentido. A ação, portanto, retoma a investigação policial sobre quem Kory Anders é, em decorrência do seu combate contra policiais. Como Dick Grayson é um policial – fundamento enormemente escanteado – e, bem nos primórdios do seriado, tínhamos uma coadjuvante policial também aparentemente relevante – morta indiscriminadamente -, os roteiristas poderiam ter unido essas diferentes vertentes, explorando-as como vieses narrativos, de cerco se fechando e causando problemáticas construídas e não espontâneas aos nossos heróis. A conclusão com um grande gancho também é irritante, mas não é como se esse fosse um episódio sem nenhuma maravilha.

Titãs – 01X08: Donna Troy – EUA, 30 de novembro de 2018
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: David Frazee
Roteiro: Richard Hatem, Marisha Mukerjee
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Rachel Nichols, Conor Leslie
Duração: 45 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.