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Crítica | Titãs – 3X11: The Call Is Coming from Inside the House

por Ritter Fan
2.948 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Eu admiro muito um showrunner que, mesmo afundando a temporada de uma série de enorme potencial com uma longa e inexplicável sequência de decisões equivocadas, faz todo o esforço possível, quando o final se aproxima, para corrigir nem que seja um pouco de seus erros. Mostra humildade e capacidade de olhar para trás para reconhecer os problemas, erguer a cabeça e seguir em frente corrigindo o rumo da melhor maneira possível, quase que como uma promessa de que tudo melhorará. Infelizmente, porém, Greg Walker não é esse showrunner, pois ele não só insiste em um caminho narrativamente tenebroso, falho e sem a menor lógica interna, como arregaça as mangas para piorar o que não parecia ser possível piorar.

E não é nem o caso de The Call Is Coming from Inside the House ser pior que Troubled Water, pois não é (por pouco), ainda que isso pouco importe. A questão é que Titãs, faltando apenas três episódios para o que, a não ser por um milagre, promete ser a pior temporada até agora, tinha a obrigação de no mínimo mostrar vontade de sair do lamaçal em que se jogou de cabeça e o episódio não faz absolutamente nada nessa linha. O que ele faz, muito ao revés, é terminar de transformar Dick Grayson em um completo idiota e Jonathan Crane em um vilão tão mal construído que ele agora é uma paródia dele mesmo, tornando-se um serial killer que mata com lâmina de barbear (nossa, que adultona essa série!!!). E isso sem contar com outros vários problemas que existem quase que exclusivamente pela total incapacidade de Walker de desenvolver uma história cadenciada, que construa situações e não simplesmente as despeje no colo do espectador acompanhado de um bilhete escrito “se vira”.

Muitos leitores, nos comentários da crítica passada, fizeram comparações de Titãs com Arrow, por incrível que pareça elogiando a série do Batman Ver…, digo, Arqueiro Verde. E eles têm razão em muita coisa, ainda que Arrow, com oito temporadas e apenas uma boa (só boa), continue facilmente na lanterna de séries do gênero para mim. E digo isso, porque quero usar ganchos desses paralelos que foram feitos, o primeiro dele sendo Gotham City. Podemos falar tudo da cidade da série em que todo mundo vira atirador de flechas, mas não que ela não tem personalidade. Sim, é a versão cospobre de Gotham City, mas ela parece uma cidade, funciona como uma cidade e tem a vida de uma cidade violenta que precisa de gente mascarada para salvá-la. E o que podemos falar da Gotham City de Titãs? Com muita boa vontade, talvez eu possa dizer que… não… não… eu tentei, mas não consigo dizer nada. Aquilo ali é um arremedo de cidade, muito mais um apanhado de prédios genéricos que os personagens que lá vivem nos informam que é uma cidade, que é um lugar com um mínimo de verossimilhança.

E o problema que isso causa fica particularmente evidente em The Call Is Coming from Inside the House. Somos informados da rápida decadência da cidade em razão do plano maligno do Espantalho. Somos informados que o caos reina. Somos informados que a polícia está sob o controle do vilão. Somos informados que existem bairros que resistem ao cerco da vilania. Perceberam aonde estou indo com isso? Gotham City é uma cidade apenas na imaginação dos roteiristas e diretores, pois ela não tem peso, não tem sequer uma existência realmente palpável, o que, por via de consequência, faz com que tudo o que “nos informam” que está acontecendo simplesmente não importe, não carregue urgência ou perigo. Ah, sim, o Asa Noturna não só é baleado por um cidadão, como, depois, é chutado por todos os demais, mas essa cena é tão forçada, mas tão forçada, que minha reação, depois de balançar a cabeça em desespero, foi de rir. Sim, rir do passarinho sendo linchado ali no chão, sob o olhar horrorizado de Jason Todd (olha aí a redenção vindo!). O que mais eu poderia fazer, não é mesmo?

Mas já que falei de Dick, quando eu disse que ele foi finalmente sedimentado como um completo idiota, um verdadeiro asno super heroico na série, algo que eu digo não em comparação com o que ele é nos quadrinhos, mas sim única e exclusivamente com o que ele é dentro da própria série, estava fazendo referência a todo o esforço que ele faz para neutralizar o Superboy e Krypto com kryptonita. Depois do absinto no episódio anterior, diria que essa foi a cena mais completamente imbecil da temporada. E sim, eu entendo que ele queria enfrentar Jason sozinho e isso faz pleno sentido, mas fazer o que ele fez com os super clones (Krypto é clone?), ou seja, eliminar totalmente qualquer vantagem estratégica que eles pudessem oferecer, como, por exemplo, manter os cidadãos longe do conflito, é tão inteligente quanto brincar com fósforo em uma piscina de gasolina. E o mais hilário é que, quando Conner diz a coisa mais sensata do mundo, que era retomar a Mansão Wayne no tapa, a resposta de Dick é algo como “não podemos fazer isso”. Como assim “não podemos”, seu animal de rabo? Chega um ponto em que é melhor simplesmente tirar o Superboy da série, talvez mandando-o para Metrópolis estagiar com Lex Luthor…

E gente, desculpa, eu sei que estou sendo particularmente desbocado e prolixo aqui, mas é que a série está conseguindo me tirar do sério e olha que eu já vi e fiz a crítica de muita porcaria por aí. Aguentem mais um pouquinho só, pois eu preciso falar dos demais personagens, o que farei na base de bullet points para facilitar a vida de todo mundo:

  • Tim e Donna – A ideia de eles formarem uma dupla é interessante em razão da conexão dos dois lá no Purgatório de Souls, mas isso não quer dizer que o episódio pode dizer, sem impunidade, que Tim Drake tem uma Tim-caverna com sei lá quantos computadores “achados” no lixo cuja existência os pais dele ignoravam. É um detalhe? Sim, é, mas é tão gritante e tão pouco verossimilhante que fiquei com câimbra ocular na hora.
  • Gar e Rachel – Espero muito fortemente que haja alguma lógica para eles passarem o episódio inteiro procurando o Poço de Lázaro. Suspenderei meu julgamento até que alguma explicação minimamente razoável venha por aí.
  • Kory – Para uma temporada que prometia lidar com o drama familiar de Estelar, tivemos que esperar só 11 episódios para que algo de mais substância acontecesse. E, ainda que a visão que ela tem sobre seu passado e a revelação em si sejam interessantes (mas não muito, devo confessar…), as circunstâncias que provocaram essa epifania alienígena deixaram muito a desejar (o que é meu código para “foram completamente imbecis”, mas como estou xingando demais o episódio hoje, acho que um eufemismo cabe aqui).

Então é isso. Acabei, finalmente. No final das contas, o episódio é mais uma demonstração do completo desgoverno de Greg Walker sobre sua série e outro roteiro que é tão ruim que não tem como não desconfiar que os roteiristas desta série são dezenas de símios em frente a computadores batucando nas teclas. Na verdade, eu minto, pois estatisticamente era capaz de algo coerente sair dessa suposta cooperativa símia. O que temos é uma estratégia proposital para fazer o pior possível para saber até quando os fãs aguentam em algum experimento social sádico.

Titãs – 3X11: The Call Is Coming from Inside the House (Titans – EUA, 07 de outubro de 2021)
Showrunner: Greg Walker
Direção: Carol Banker
Roteiro: Stephanie Coggins
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Curran Walters, Joshua Orpin, Vincent Kartheiser, Damaris Lewis, Jay Lycurgo, Savannah Welch, Eve Harlow, Debra Hale, Alan Ritchson, Iain Glen, Elliot Knight
Duração: 48 min.

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