Esta lista NÃO é apenas de leituras de obras lançadas em 2025, seja no Brasil, seja no exterior. Claro que podem aparecer obras lançadas neste ano, mas a proposta é apenas ranquear as melhores leituras ou releituras de janeiro a dezembro, independente de quando o volume em questão chegou ao mercado. Clique nos links dos títulos para ler as críticas! Já deixo também o convite para vocês compartilharem nos comentários as suas listinhas de 10 melhores leituras de livros em 2025! E caso queiram ver as nossas outras listas sobre o tema, clique aqui!
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Tive, em 2025, uma jornada literária bastante superficial, tendo lido apenas um total de 11 livros de ficção (incluindo uma releitura) como parte da tradicional Corrida Literária aqui do PC. Por conta da minha profissão como advogado, acabo dedicando mais tempo para leituras de Direito, que obviamente não entram nas brincadeiras e rankings do site, mas, mesmo assim, estou abaixo do que quero e a meta é conseguir bater o meu Moby Dick, que são os cinquenta livros de ficção em 2026!
Ainda assim, as minhas leituras do ano passado foram todas agradáveis e, de maneira geral, muito boas, com apenas duas obras que considero mais medianas. Preciso pontuar que E Não Sobrou Nenhum, de Agatha Christie, que toparia minha lista, irá ficar apenas na menção honrosa, uma vez que apenas o meu colega Luiz Santiago é responsável pelas críticas da Rainha do Crime, e o mesmo ainda não escreveu da obra (quanta incompetência…). Espero aumentar o número de leituras em 2026 e bora pra lista!
10º – Indiana Jones e o Perigo em Delfos
Rob MacGregor | Estados Unidos | 1991

Indiana Jones e o Perigo em Delfos (tradução livre) é a primeira história de uma série de livros do grande ícone cinematográfico. Lançado pouco antes de O Jovem Indiana Jones, a obra dá início a uma jornada literária que se passa vários anos antes dos eventos de Os Caçadores da Arca Perdida. Prelúdios e tie-ins de filmes não são normalmente obras-primas, ficando aquém dos materiais originais, mas é inevitavelmente curioso saber um pouco mais do cânone e do que outros criadores podem trazer para a mitologia de personagens queridos. Escrito por Rob MacGregor, este primeiro volume é situado em 1922, acompanhando um jovem Indy estudando linguística em Paris. Apesar de estar quase formando, o protagonista tem pensamentos de mudar sua carreira para arqueologia, inclusive pegando algumas aulas da matéria. Sua professora de arqueologia grega, Dorian Belecamus, percebe a inclinação e o talento de Indy, convidando-o para uma expedição à Delfos – cidade grega que na antiguidade era conhecida como o “centro do mundo” – com intenção de supervisionar a recuperação de um achado arqueológico, mais especificamente o Ônfalo, uma pedra sagrada que tem relação com o mito do oráculo Pítia, descoberto recentemente após um terremoto na região. Gradualmente, porém, Indy percebe que a viagem guarda segredos, muitos deles envolvendo sua professora misteriosa e uma organização que acredita que ela é o novo oráculo.
9º – Destino: Inferno (Jack Reacher #2)
Lee Child | Reino Unido | 1998

A segunda aventura literária de Jack Reacher começa de maneira extremamente similar à estreia da série em Dinheiro Sujo. O ex-militar está passeando e, por acaso, se torna parte de uma conspiração criminosa. Dessa vez, o personagem não é acusado de assassinato, mas quase é assassinado logo no início do livro quando está ajudando uma jovem mulher com uma perna machucada. Ambos são sequestrados, por motivos inicialmente misteriosos, com o bloco inicial da obra acompanhando Reacher e essa moça, que depois descobrimos ser uma agente do FBI chamada Holly Johnson, presos em uma van que atravessa os EUA. O soldado errante de Lee Child se encontra em uma situação inesperada mais uma vez, mas, felizmente, o herói de ação tem nervos de aço e montanhas de músculos para se sobressair.
8º – A Máquina do Tempo
H.G. Wells | Reino Unido | 1895

Mesmo com essas ressalvas, é inegável que A Máquina do Tempo é um marco da literatura. Além de criativo e provocante, H. G. Wells desenvolve uma história de alerta que segue – infelizmente – pertinente, com seu futuro de Elóis e Morlocks refletindo o passado da época, o presente na data desta crítica e, provavelmente, o amanhã, seja pensando no futuro próximo, seja em 802.701 d.C., sem querer – mas já sendo – pessimista. Essa leitura da obra fica bem clara no fenomenal epílogo sobre a viagem ao fim dos tempos, que grita existencialismo e escatologia na cara do leitor, no que é uma reta final em partes moribunda, mas fascinantemente viva nas descrições absurdas do autor. Colocando o cinismo de lado, vale pensar que a obra é atemporal não apenas pelo que adverte, como também pelo que criou para as divertidas histórias de viagem no tempo.
7º – Assombros
Zé Wellington | Brasil | 2022

Assombros não é uma coletânea que busca perfeição ou unidade total; é, antes, um exercício de imaginação que dá corpo a uma proposta ainda rara na literatura de gênero brasileira: tratar o fantástico a partir de nossos próprios alicerces culturais. Há uma voz aqui que sabe brincar com alegorias, que sabe se apropriar de mitos estrangeiros e devolvê-los ao leitor carregados de sotaque, de memória, de política. O título, aliás, resume bem a experiência. O que o livro oferece não são horrores plenos ou aventuras épicas, mas assombros; lampejos de inquietação, desconfortos sutis, fábulas que não explicam tudo, mas que deixam marcas. Um convite a revisitar nosso imaginário popular à luz do extraordinário. No fim, Assombros é menos sobre monstros e mais sobre nós mesmos. Um retrato do que há de estranho, contraditório e, sim, assombroso na realidade brasileira.
6º – O Concorrente
Stephen King (escrevendo como Richard Bachman) | Estados Unidos | 1982

Em uma reviravolta que não vou dizer, o último capítulo é uma conclusão impactante, orgânica com o arco de Richards e tremendamente trágica. Lido hoje, O Concorrente é menos ficção científica e mais aviso. King, escondido sob Bachman, escreve como quem tentava alertar o leitor que o futuro não precisava de monstros para ser aterrorizante, bastavam empresas, governo e televisão trabalhando juntos. E o eco desse alerta, em 2025, é mais alto do que nunca.
5º – Mata-Mata
Zé Wellington | Brasil | 2022

Mata-Mata se inspira em diversos elementos literários e históricos de evidenciação do sofrimento, da luta e, claro, da beleza do sertão nordestino, mas trazendo sua própria personalidade. O livro mergulha no regionalismo para nos oferecer uma jornada pelo tempo, pela cultura e por personagens que personificam tantos contextos e situações do cenário dessa história, mas também nos oferecendo aquele toque de uma leitura divertida de ação e de vingança, com uma trama relativamente simples e eficiente pela incrivelmente carismática e complicada família Tainha. Mais do que crítico, Zé Wellington parece querer ser representativo, o que substitui o nem sempre interessante didatismo militante por uma leitura criativa, especialmente em seus usos de linguagem, que instiga, que emociona, que denuncia e que traz uma tremenda imersão dentro desse universo tão rico e tão cheio de dor.
4º – O Tempo em Marte
Philip K. Dick | Estados Unidos | 1964

Lido hoje, o livro parece menos “história de Marte” e mais uma trama sobre viver em um mundo em que o futuro foi sequestrado por governos, empresas e especuladores, sendo devolvido às pessoas comuns como pesadelo ou mercadoria. Nesse sentido, PKD conversa muito bem com o subgênero da distopia. Em O Tempo em Marte, a distorção assume a forma de lapsos temporais, visões e rochas sagradas; mas o que realmente assombra é perceber o quanto aquela colônia distante se parece com a nossa própria linha do tempo.
3º – O Nome do Vento
Patrick Rothfuss | Estados Unidos | 2007

Gosto mais da leitura quando Kvothe interage com outros personagens, até porque a narração em primeira pessoa limita o desenvolvimento dos personagens secundários, especialmente com Wilem e Simon, em toda sua comicidade e relacionamento quase fraternal; Ambrose e seu antagonismo de nobre vingativo, tão comum no gênero, mas, novamente, Patrick Rothfuss trabalha muito bem com arquétipos; e, claro, Denna. Minha experiência com ela foi uma montanha-russa, desde o completo esquecimento da sua primeira aparição, até uma entediante e longa introdução para seu novo surgimento na trama, e, por fim, a vejo como a melhor personagem secundária desenvolvida narrativamente do romance, em toda sua imperfeição e luta para sobrevivência num mundo machista e sem oportunidades. O Nome do Vento tem sim alguns problemas, e ficará aquém de quem espera um super épico de fantasia ou uma experiência medieval elaborada com vários núcleos, já que, a obra é uma leitura de metaficção fantasiosa agradável, que pega clichês do gênero, misturando-os com um teor mais sombrio, e uma escrita poética, propondo uma prazerosa e sentimental jornada do herói, com um pouquinho de petulância no meio.
2º – Eu, Robô
Isaac Asimov | Estados Unidos | 1950

No fim, Eu, Robô permanece atual não por prever comandos de voz ou braços mecânicos, mas por formular, com elegância de fábula e rigor de experimento, a pergunta que atravessa todo debate contemporâneo sobre sistemas inteligentes: quem define o bem quando o cálculo promete minimizar o mal? Asimov não responde. Ele nos dá um conjunto de histórias fascinantes que funcionam como espelhos de laboratório e, ao fechar o livro, a sensação é de que caminhamos do quintal à sala de máquinas do planeta em poucas páginas, e que, em cada patamar, deixamos para trás um pedaço de conforto em troca de um novo tipo de segurança. Troca equivalente, no fim das contas, é também isso: abrir mão da ilusão de controle absoluto para ganhar uma convivência menos trágica com o erro. O mérito de Asimov é nos fazer desejar essa barganha e, logo em seguida, desconfiar dela.
1º – O Mestre e a Margarida
Mikhail Bulgákov | União Soviética | 1966 – 1967

Em O Mestre e Margarida, César vira Stálin; Jerusalém é rigorosamente retratada e Moscou é o espaço mítico e ao mesmo tempo real que se opõe à capital judaica dos tempos de Cristo; e a Lua é um caminho que leva para algum lugar que não se sabe bem se é Céu ou Inferno. Uma obra incrível em todos os aspectos, e não é à toa foi considerado uma obra-prima da ficção do século XX. Definitivamente vale cada linha.
