Crítica | Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X09: The Anatomy Lesson

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E aqui as críticas dos quadrinhos do Monstro do Pântano.

Existe um famoso e revolucionário quadro de Rembrandt pintado em 1632, chamado A Lição de Anatomia do Dr. Tulp. Seu dinamismo e sua famosa técnica de iluminação (o chiaroscuro) mais a representação do corpo e daqueles que o estudam tornaram-se referências constantes para representações de cenas semelhantes em diferentes mídias, como quadrinhos, cinema e TV, tendo influenciado visualmente a também revolucionária edição do Monstro do Pântano na DC Comics, em 1984: Lição de Anatomia, escrita por Alan Moore e desenhada por Steve BissetteJohn Totleben.

Emprestando elementos visuais e fotográficos da pintura (com pessoal reduzido, claro) e sendo muito fiel ao original dos quadrinhos, The Anatomy Lesson finalmente nos traz os refrescos necessários para firmar a identidade do Monstro do Pântano, expondo aquela que foi a verdadeira revolução na revista do personagem, porque o livrou de qualquer amarra: ele não é um homem com aparência de planta. Ele é uma planta que acha que é homem e imita um homem. Alec Holland está morto e o Verde — por um processo que acredito ainda ter explicação no Finale da temporada, trazendo mais coisas das HQs — encontrou as condições certas para escolher a ele como o seu próximo avatar, papel que só agora parece definitivamente se desanuviar para o personagem. Seguindo os padrões dos quadrinhos, é só agora que o Pantanoso realmente começa a explorar as inúmeras possibilidades de seus poderes e aprender a o quê ele está conectado, até onde ele pode alcançar e o que significa ser uma planta inteligente andando sobre a Terra.

Se você acompanha as minhas críticas da série desde o começo, sabe que eu sou realmente apaixonado por essa mitologia e que amo o personagem, assim como a sua contraparte da mesma cadeia teórica, o Homem Animal. Ver como a série enfim trouxe a prometida relação direta com a origem definitiva reapresentada por Alan Moore (que não desfez o trabalho de Len Wein, apenas mudou o ponto de vista de algo apenas subtendido para uma explicação científica, biológica, botânica) é algo simplesmente maravilhoso, tendo a fotografia, o desenho de produção e a direção de Michael Goi conseguido um resultado final realmente incrível.

O texto de Mark Verheiden é quem recebe o maior peso para carregar e o primeiro deles tem a ver com o picotamento da série que a gente já sabe que aconteceu. Assim, um episódio que deveria ter a maior parte do tempo direcionado a coisas ligadas ao Monstro do Pântano, acabou dividindo espaço com outro evento bastante importante, a transformação do Demônio Azul, bloco que careceu de mais tempo em tela, mais contexto, mais exibição de mudança do personagem. Isso sem contar que o encurtamento de sua história acabou tendo um pouco o efeito que citei em Long Walk Home, de um certo deslocamento que nos desconecta do personagem. Já os atos com Abby e Liz & Avery e Maria são bem conduzidos, cada um mostrando a conexão lógica dentro do que se esperava neste episódio, pensando em “pontas soltas” que podem ser puxadas no Finale (pela fala de Maria, talvez ela tente novo contato com Shawna para se vingar do infame marido).

Mas quem realmente ganha todo o destaque aqui é a sequência do Monstro do Pântano sendo dissecado por Jason Woodrue. Infelizmente a chegada das informações vitais para o personagem são muito corridas, quase sem elegância alguma por parte do roteiro, mas todo contexto e as ações ali + o excelente trabalho de efeitos práticos e especiais (que embora simples, são elogiáveis) merecem todos os louros possíveis, voltando à alta impressão que a série nos causou quando de sua estreia. Agora temos mais um único episódio e, até segunda ordem (leia-se, salvamento), é isso o que temos de Monstro do Pântano na TV por enquanto. Vamos esperar o fim para analisar o peso total da jornada, mas até qui, posso dizer que tem sido uma caminhada espetacular.

Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X09: The Anatomy Lesson — EUA, 26 de julho de 2019
Direção: Michael Goi
Roteiro: Mark Verheiden
Elenco: Crystal Reed, Virginia Madsen, Derek Mears, Henderson Wade, Selena Anduze, Brad Ashten, Jason Davis, Kevin Durand, Will Patton, Maria Sten
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.