Crítica | O Imortal Hulk – Vol. 2: A Porta Verde

  • Leia, aqui, a crítica do arco anterior.

Achei que fosse demorar um pouco mais para Al Ewing inserir integralmente seu “novo” Hulk no Universo Marvel. Não que ele já não estivesse lá, mas o primeiro arco, Homem, Monstro… ou Ambos?, teve uma abordagem bem mais pessoal, bem mais interessada em estabelecer o retorno do personagem para suas raízes, com um trabalho sensacional no estilo O Médico e o Monstro, a principal inspiração para sua criação por Stan Lee e Jack Kirby, em 1962. Com isso, a interferência de personagens estranhos a essa espécie de círculo íntimo do Hulk foi mínima, basicamente circunscrita à participação de Sasquatch, o que deu espaço para um excelente recomeço para o Gigante Esmeralda após a morte de Bruce Banner em Guerra Civil II.

Já nesse segundo arco, Ewing decidiu escancarar tudo de uma vez e não só coloca o exército mais uma vez ao encalço do monstro, como também um spin-off da Tropa Alfa batizado, claro, de Tropa Gama, com direito até a uniforme customizado, e nada menos do que os Vingadores, cortesia de Carol Danvers, membro das duas equipes. Ganhou-se, então, em escala e em ambição, mas, curiosamente, o roteirista mesmo conseguiu deixar sua história suficientemente pessoal a ponto de não desviar completamente seu foco dessa jornada de redescoberta de Banner/Hulk e a entidade paterna que aparentemente pulou de Walter Langkowski para o monstro verde depois que este absorveu toda a radiação do canadense, deixando-o sem poderes.

A pancadaria entre o Hulk e os Vingadores é muito bem trabalhada, já que Ewing dá uma voz sarcástica, sacana mesmo ao Gigante Esmeralda que não perdoa ninguém e mete sem dó o dedo nas feridas de seus ex-colegas. Chega a dar pena do Capitão América que debilmente diz, ao ser chamado de Capitão Hidra (e indagado se, caso sua cabeça seja cortada, duas outras crescerão), que não era ele durante os eventos de Império Secreto. Mas tudo é muito enxuto, sem perda de tempo, sem enrolações, com o Homem de Ferro, apesar de todo mundo discordar, usando sua arma de destruição em massa para liquidar com o Hulk mais uma vez, “mantendo-o morto” com o uso de luzes que replicam a do sol.

Isso abre caminho para o roteirista soltar o freio de mão e descambar para o lado sobrenatural da coisa, algo que ele já havia sinalizado no primeiro arco. Ainda não sei se eu compro essa ideia completamente, já que A Porta Verde não aprofunda tanto assim nessa abordagem, mas a verdade é que as doideiras que Ewing faz com o monstrão são divertidas demais, basicamente recorrendo a filmes de horror como O Enigma de Outro Mundo,  A Hora dos Mortos-Vivos e a atmosfera quase camp dos clássicos filmes de monstro da Universal para inspiração. O resultado é, em partes iguais surreal, divertido e violento, em um mix que funciona muito bem, especialmente quando o Homem-Absorvente (ah, esse nome!), agora vermelho, entra no páreo.

Considerando o cliffhanger e o nome do próximo arco – Hulk no Inferno – quer parecer que essa pegada sobrenatural tomará de vez o título, pelo que reservo meu julgamento sobre se isso é bom ou ruim para o Hulk para a próxima crítica, ou quiça a seguinte. Pelo momento, confesso que estou gostando muito mais do que meus “pés atrás” dão a entender, especialmente considerando a variedade da arte que é oferecida, aqui, com o excelente Lee Garbett nos desenhos da edição #6 e Martin Simmonds e Joe Bennett fazendo dobradinha na edição #9, que conta com dois enfoques narrativos, um a partir do Huk e outro do Homem-Aborvente, com os estilos artísticos em franco choque e, finalmente, com Bennett trabalhando na arte do restante com a bela finalização de Ruy José, conseguindo o máximo efeito do gore que é mostrado sem qualquer pudor.

A Porta Verde continua o excelente caminho novo para o Incrível e, agora, Imortal Hulk, ao mesmo tempo revertendo para suas origens e oferecendo uma nova visão sobre seu passado e sobre seus poderes. Claro que tudo provavelmente resultará em um gigantesco retcon para a criatura, algo mais do que comum em editoras mainstream e que pode ser tão bom (vide o recente passado cósmico de Venom) quanto ruim (vide a recente mudança na origem da Capitã Marvel). Só nos resta aguardar.

O Imortal Hulk – Vol. 2: A Porta Verde (The Immortal Hulk – Vol. 2: The Green Door -EUA, 2018/9)
Contendo: The Immortal Hulk #6 a 10
Roteiro: Al Ewing
Arte: Lee Garbett (#6), Joe Bennett (#7, 8, 9 parte, 10), Martin Simmonds (#9 parte)
Arte-final: Ruy José (#7, 8, 9 parte, 10 parte), Martin Simmonds (#9 parte), Le Beau Underwood (#10 parte), Rafael Fonteriz (#10 parte)
Cores: Paul Mounts (#6 a 9 parte e 10), Martin Simmonds (#9 parte)
Letras: Cory Petit
Capas: Alex Ross
Editoria: Tom Brevoort, Wil Moss
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: novembro de 2018 a fevereiro de 2019
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: ainda não publicado na data de lançamento da presente crítica
Páginas: 102

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.