Crítica | Premonição (1977)

Terceiro e último giallo de Lucio Fulci nos anos 1970, vindo após os icônicos Uma Lagartixa num Corpo de Mulher (1971) e O Segredo do Bosque dos Sonhos (1972), Premonição traz uma abordagem inovadora para o gênero, distanciando-se do gore e até de outras convenções que esperamos encontrar nos gialli, trabalhando mais o medo, o sangue, os assassinatos e os elementos psicológicos dentro de uma esfera parcialmente sobrenatural: o fato de Virginia Ducci (Jennifer O'Neill), a protagonista da história, ter a capacidade de ver tragédias que estão acontecendo à distância, ou que ainda acontecerão. Plano Crítico.

Terceiro e último giallo de Lucio Fulci nos anos 1970, vindo após os icônicos Uma Lagartixa num Corpo de Mulher (1971) e O Segredo do Bosque dos Sonhos (1972), Premonição traz uma abordagem inovadora para o gênero, distanciando-se do gore e até de outras convenções que esperamos encontrar nos gialli, trabalhando mais o medo, o sangue, os assassinatos e os elementos psicológicos dentro de uma esfera parcialmente sobrenatural: o fato de Virginia Ducci (Jennifer O’Neill), a protagonista da história, ter a capacidade de ver tragédias que estão acontecendo à distância, ou que ainda acontecerão.

Há uma elegância e um tratamento bem mais sério para o tema desta obra do que em qualquer outro giallo do diretor, linha de abordagem necessária para uma trama cujo foco não são os terríveis eventos que a caracterizam como um “terror à italiana“, mas o processo percorrido até que se chegue a esses terríveis eventos. O espectador não é distanciado do tema uma única vez, mas a jornada meio paranoica de Virginia e sua capacidade de premonição colocada à prova tomam conta da saga, com o roteiro aproveitando o possível “sobrenatural” para apresentar o detetive amador da vez e para chegar à resolução do caso, montando o belo quebra-cabeça de pistas que envolvem pinturas, objetos, cores e pessoas numa visão aparentemente sem sentido. E é aí que reside a melhor sacada do roteiro de Fulci, Gianviti e Sacchetti: o trabalho inteligente com a percepção do tempo.

Valendo-se da aplaudível direção de fotografia a cargo de Sergio Salvati (em sua terceira colaboração com Fulci), o diretor cria um estado permanente de atenção e de confusão sobre quando é que se passam as visões da protagonista, cada uma delas vindo à tona por um uso escrupuloso do zoom, enquadrando com perfeição os olhos da personagem e sempre vindo de um plano aberto e de um ângulo distinto, ressaltando o sentido ativado por gatilhos lúgubres — uma sensação igualmente incômoda para a costura do filme, porque se repete do início ao fim. Pouco a pouco, as premonições começam a fazer sentido e tanto criminosos quanto vítimas são colocados contra a parede.

Mesmo que possamos destacar o fato de que o roteiro não trabalha muito bem o núcleo policial (nem na investigação e nem no contato final com o parapsicólogo), fica difícil tirar de Premonição os louros de suas conquistas. Aqui, enxergamos a morte como um assunto mais complexo do que a mera exposição dos corpos mortos num gialli — o que também é bom, quando bem feito, mas é igualmente incrível quando um diretor burla essas convenções para criar algo diferente em cima, como Fulci fez neste filme ou como Bava fizera em Cinco Bonecas Para a Lua de Agosto, só para citar um outro exemplo famoso desse tipo de criação diferenciada no gênero. Um filme para se angustiar e sentir a estranha proximidade da morte anunciada.

Premonição (Sette Note in Nero) — Itália, 1977
Direção: Lucio Fulci
Roteiro: Lucio Fulci, Roberto Gianviti, Dardano Sacchetti
Elenco: Jennifer O’Neill, Gabriele Ferzetti, Marc Porel, Gianni Garko, Evelyn Stewart, Jenny Tamburi, Fabrizio Jovine, Riccardo Parisio Perrotti, Loredana Savelli, Salvatore Puntillo, Bruno Corazzari, Vito Passeri, Franco Angrisano, Veronica Michielini, Paolo Pacino
Duração: 95 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.