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Crítica | Punhos de Aço: Um Lutador de Rua

por Ritter Fan
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Considerando o enorme sucesso de bilheteria de Doido para Brigar… Louco para Amar, uma continuação era mais do que esperada e, dois anos depois, ela veio na forma de Punhos de Aço: Um Lutador de Rua, mais uma vez focado no lutador Philo Beddoe (Clint Eastwood), seu irmão/primo Orville (Geoffrey Lewis) e o orangotango Clyde (C.J. e Buddha), além de sua mãe/tia Zenobia ‘Ma’ Boggs (Ruth Gordon) e, claro, sua paixão Lynn Halsey-Taylor (Sondra Locke). Se o elenco principal retorna intacto (até John Quade como Cholla, líder da gangue de motoqueiros Viúva Negra, está de volta), o mesmo não se pode dizer do diretor e roteirista, já que Buddy Van Horn e o responsável pelo roteiro de Stanford Sherman substituíram James Fargo e Jeremy Joe Kronsberg.

No entanto, as mudanças atrás das câmeras não fizeram bem à franquia que já não era lá nada especial. Marinheiros de primeira viagem em suas respectivas cadeiras, Van Horn (dublê transformado em diretor) e Sherman (este especificamente estreando em roteiro de longa-metragem, pois já havia trabalhado para a televisão) entregam um mais do mesmo pouquíssimo inspirado e inacreditavelmente vazio, com piadas que se resumem a repetições de gags do primeiro filme ou criação de novas que funcionam de maneira simplória da primeira vez e que, depois, são recauchutadas sucessivamente ad nauseam.  E o pior é que muitas delas se resumem a um foco extraordinário em Clyde, o orangotango, com direito a escatologia, desmanche de carros, sexo com símia em cama de motel e, claro, socos e mais socos. Considerando que o primeiro filme tornou-se conhecido também por maus tratos ao símio Manis, que era adestrado na base de chicote e spray de pimenta, na continuação a coisa foi pior ainda, já que um dos dois símios usados para viver Clyde, Buddha, foi espancado por seu treinador até a morte. Em outras palavras, o que já não tinha graça alguma ganha um contorno de brutalidade que azeda de vez a narrativa.

Mas, mesmo “esquecendo” da violência contra animais, o filme não funciona nem com muita boa vontade. A trama é um fiapo de história em que um magnata organizador de lutas seduz financeiramente Philo para enfrentar o campeão de lutas de rua Jack Wilson (William Smith). E só. Ao redor dessa premissa básica, a narrativa se contorce para manter coesão, mas acaba não sendo muito mais do que uma sucessão episódica de gags envolvendo polícia, sequestro, a gangue de motoqueiros, uma amizade improvável de Philo com Jack, a conveniente reunião de Philo com Lynn, que desfaz uma das poucas coisas boas da primeira parte, e uma longa sequência de sexo simultâneo – mas em quartos separados – entre quatro casais que só é engraçada para adolescentes imberbes ou adultos extremamente nostálgicos que não viram o filme recentemente e, portanto, baseiam-se apenas no que lembram quando viram Punhos de Aço como adolescentes imberbes.

O que segura a fita é o carisma usual de Eastwood – que até se pendura em um lustre – e a conexão do ator com o simpático canastrão William Smith (que faria uma ponta como o pai do pequeno Conan em Conan, o Bárbaro, dois anos depois), formando uma boa, mas muito mal aproveitada dupla de amigos/inimigos. Além disso, a esperada sequência final de luta, apesar de a luta em si ser razoavelmente burocrática e desapontadora, contém um surpreendentemente bom exemplo de coreografia de extras, com um verdadeiro exército de gente, incluindo todo o elenco principal, congregando-se ao redor da pancadaria de diversas maneiras diferentes, começando com crianças curiosas olhando pela janela de um celeiro até um milionário literalmente dirigindo um jatinho pelas ruas da cidade. Em termos de proeza técnica, essa é de longe a melhor coisa de todo o filme.

Punhos de Aço: Um Lutador de Rua também fez sucesso na bilheteria, mas consideravelmente menos do que seu antecessor, tendo custado o triplo, realmente mostrando que ele apenas deve seus números – e sua própria existência – ao inexplicável sucesso de Doido para Brigar… Louco para Amar. O bom é que Eastwood certamente percebeu isso e nunca mais voltou a esse seu personagem, evitando, também, que outros símios sofressem maus tratos.

Punhos de Aço: Um Lutador de Rua (Any Which Way You Can – EUA, 1980)
Direção: Buddy Van Horn
Roteiro: Stanford Sherman (baseado em personagens criados por Jeremy Joe Kronsberg)
Elenco: Clint Eastwood, Sondra Locke, Geoffrey Lewis, Ruth Gordon, William Smith, Barry Corbin, Harry Guardino, Michael Cavanaugh, James Gammon, John Quade, Al Ruscio, Jack Murdock, George Murdock, Dick Durock, Camila Ashlend, Anne Ramsey, Logan Ramsey, Jim Stafford, C.J., Buddha
Duração: 116 min.

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