Crítica | Westworld – 3X02: The Winter Line

Eu não sei se a escolha dos showrunners na montagem da grade de episódios para esta temporada pensaram em fazer uma jogada de pontos de vista por capítulo (cada semana um degrau avançado num dos mundos, seja o mundo real ou o simulado), mas ver a grande diferença e a excelência de abordagem para dois diferentes espaços, entre Parce Domine e este The Winter Line, me deixou extremamente feliz. Plano Crítico.

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Eu não sei se a escolha dos showrunners na montagem da grade de episódios para esta temporada pensaram em fazer uma jogada de pontos de vista por capítulo (cada semana um degrau avançado num dos mundos, seja o mundo real ou o simulado), mas ver a grande diferença e a excelência de abordagem para dois diferentes espaços, entre Parce Domine e este The Winter Line, me deixou extremamente feliz.

Aqui conhecemos mais um parque, o War World, e tivemos mais um vislumbre do Parque Medieval (não é o nome oficial, mas é correto chamá-lo assim por enquanto) e um sensacional cameo bem colocado de Game of Thrones em determinado ponto, com direito a dragão e presença de D.B. Weiss e David Benioff. Show! Neste novo Parque — que narrativa mais estranha, não? Se eu pudesse ir para um mundo desses, jamais escolheria um durante a Segunda Guerra! — reencontramos Maeve e Hector (Ettore, agora) e passamos pela primeira leva narrativa do episódio, que levará a belíssima Thandie Newton para o encontro com Serac, personagem de Vincent Cassel de quem ouvimos falar na semana passa e que, vejam só, também não tem o controle das alterações sofridas atualmente pelo Rehoboam.

Apesar de bem mais intenso e misterioso, esse episódio me pareceu mais “pé no chão” que a abertura da temporada, e a impressão é fácil de identificar: estamos em casa. Sim, com nova decoração, novas revelações sobre hosts e humanos e diferenças entre mundo real e simulado, mas estamos em casa. E essa sensação de pertencimento ajuda o espectador a fixar melhor os pés nessa nova jornada. Este episódio, em específico, faz uma excelente ponte entre as sementes plantadas antes pela série e aquilo que deve ser, de fato, o grande assunto das semanas seguintes: a reescrita da História futura do planeta sendo arriscada, nos bastidores, por uma luta entre facções diferentes da Inteligência Artificial e a tutoria de humanos em torno delas. A nata da ficção científica crítica num único plot de ordem realista. Muito bem.

Me chamou a atenção aqui o uso da trilha sonora na segunda metade do episódio, meu bloco favorito deste The Winter Line. Os acordes do tema da série — tocados no alaúde do host bardo ao lado da sala onde Bernard fazia sua checagem –, a trilha de acompanhamento para as próprias ações de Bernard e as sequências com Ashley Stubbs são momentos muito bem instrumentalizados, com tensão potencializada pela carga emocional que a trilha nos dá e tudo isso sem sobrecarregar o sentimento do público, apenas criando uma bela e forte atmosfera para um importante momento. A elegância da direção de Richard J. Lewis (dos maravilhosos Journey Into Night e Virtù e Fortuna) termina fazendo a passagem por todos os cenários de maneira extremamente fluída, mesmo com linhas narrativas tão distintas. Agora que as principais peças do tabuleiro da temporada foram apresentadas, vamos vê-las em ação. Será que rola um Maeve vs. Dolores no Finale?

Westworld – 3X02: The Winter Line (EUA, 22 de março de 2020)
Direção: Richard J. Lewis
Roteiro: Matt Pitts, Lisa Joy
Elenco: Thandie Newton, Jeffrey Wright, Luke Hemsworth, Simon Quarterman, Vincent Cassel, Rodrigo Santoro, Leonardo Nam, Ptolemy Slocum, D.B. Weiss, David Benioff
Duração: 68 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.