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Especial | Glauber Rocha

por Luiz Santiago
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Glauber Rocha nasceu na cidade de Vitória da Conquista, Bahia, em março de 1939. Passou a infância em sua cidade natal, e lá presenciou a chegada de suas duas irmãs, Ana Marcelina e Anecy. Parte de sua educação foi provida pela mãe, em casa, mas Glauber cursou, ainda em Vitória da Conquista, parte do Ensino Fundamental I, antigo "curso primário". Em 1947, a família muda-se para Salvador, onde Glauber terminou os estudos regulares. Plano Crítico.

GLAUBER ROCHA

Vitória da Conquista, 14 de março de 1939

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1981

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Glauber Rocha nasceu na cidade de Vitória da Conquista, Bahia, em março de 1939. Passou a infância em sua cidade natal, e lá presenciou a chegada de suas duas irmãs, Ana Marcelina e Anecy. Parte de sua educação foi provida pela mãe, em casa, mas Glauber cursou, ainda em Vitória da Conquista, parte do Ensino Fundamental I, antigo “curso primário”. Em 1947, a família muda-se para Salvador, onde Glauber terminou os estudos regulares.

Em 1952, Ana Marcelina morreu de câncer. Nas poucas vezes em que falou sobre o caso, Glauber sempre se mostrou muito emocionado em ter perdido a irmã. O pai de Glauber ainda teria mais uma filha, Ana Lúcia, com uma cigana.

Em 1957, aos 18 anos, Glauber iniciou seus estudos em Direito da Universidade de Direito da Bahia (hoje Universidade Federal da Bahia). No ano seguinte, começou a trabalhar como repórter no Jornal da Bahia, assumindo, em seguida, a direção do Suplemento Literário. Em 59, realizou o seu primeiro curta-metragem, Pátio, um filme formalista e experimental, que resgatava diversas técnicas de filmagem e montagem pelas quais o jovem diretor de 20 anos tinha grande apreço (especialmente as teorias vindas dos diretores soviéticos, com destaque para Sergei Eisenstein).

No mesmo ano em que gravou Pátio, Glauber se casou com sua colega de faculdade, Helena Ignez, futura atriz-fetiche do cinema novo e marginal brasileiros, que também teria relacionamentos com outros diretores de estética revolucionária como Júlio Bressane e Rogério Sganzerla. Ainda em 1959, o estudante e diretor começaria a gravar o curta A Cruz na Praça, mas o filme nunca foi terminado. As mudanças de emprego também aconteceram entre 1959 e 1960, quando Glauber começou a escrever para o Jornal do Brasil e o Diário de Notícias.

Sua carreira como cineasta foi firmada em 1962, quando pegou a direção de Barravento, que até então estava a cargo de Luiz Paulino dos Santos. A partir daí, Glauber se encantaria de vez com a sétima arte e seguiria filmando até sua morte, em 1981. O diretor realizou sucessos nacionais e internacionais como Deus e o Diabo na Terra do SolTerra em Transe e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. Foi indicado à Palma de Ouro em Cannes já em seu segundo longa e seria lembrado no Festival algumas outras vezes, sendo indicado à Palma de Ouro novamente nos filmes Terra em TranseO Dragão da Maldade e Di Cavalcanti (na categoria de Curta-metragem) e vencendo o Prêmio do Júri ou FIPRESCI em Terra em Transe e Di Cavalcanti. Em 1969, ele recebeu o prêmio de Melhor Diretor no Festival, empatado com o cineasta thceco Vojtech Jasný. Sua última presença em festivais internacionais aconteceu em 1980, quando foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, pelo filme A Idade da Terra.

Confira abaixo as críticas para a filmografia completa do diretor. Clique nos links em cada título para acessar as críticas.

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FILMOGRAFIA COMPLETA

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1959 – Pátio (curta)

1962 – Barravento

1964 – Deus e o Diabo na Terra do Sol

1965 – Amazonas, Amazonas (curta)

1966 – Maranhão 66 (curta)

1967 – Terra em Transe

1968 – 1968 (curta)

1969 – O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro

1970 – Cabeças Cortadas

1970 – O Leão de Sete Cabeças

1972 – Câncer

1973 – História do Brasil [Filme não localizado]

1975 – Claro

1977 – Di Cavalcanti (curta)

1979 – Jorge Amado no Cinema (curta)

1979 – Programa Abertura (TV)

1980 – A Idade da Terra

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2 comentários

Ferdinando Rios 13 de junho de 2020 - 18:04

Enfim, Glauber Rocha! Uma dívida que eu tinha com o cinema brasileiro e que começo a pagar em prestações, iniciando com aquele que talvez seja o maior expoente do cinema nacional. E estamos falando de Cinema Novo, movimento fortemente influenciado pela Nouvelle Vague francesa e pelo Neorrealismo italiano (movimentos vanguardistas também muito apreciados por esse que vos escreve). Scorsese fez questão de tomar café com Glauber quando esse foi para Nova York, tal o grau de fascinação que a obra do brasileiro exerceu sobre o americano. Deus e o Diabo na Terra do sol é um filme grandioso… lirismo e poesia em meio à disputas de poder em um sertão calcinado pelo sol soberano e usurpado por poderosos, sejam os da política, sejam os da religião, antagonizados pelos moradores que se revoltaram desse statos quo engessado, os quais deram origem aos cangaceiros e jagunços revoltados com essa estratificação social. Pobreza e miséria abundam, naquilo que é um retrato antigo do Nordeste sertanejo, mas que nos permite o questionamento, ante o quadro de desolação da fita: O que mudou hoje? Cançonetas religiosas entoadas amiúde e que reforçam o clima depressivo, trilha sonora onipresente, que ilustra em verso o que acabamos de ver em cena … Mas é um filme difícil!! Não é um filme para qualquer um. Tomadas mais longas do que as esperadas, lentidão no desenvolvimento de algumas cenas, atuações irregulares de núcleos cujos atores são figurantes e moradores da localidade da filmagem… Mas para quem tiver paciência e for desbravar até o fim, verá um filme poderoso e que descreveu com feliz honestidade um período histórico do nosso país, pois o roteiro nos brinda com um amálgama entre história e ficção, quando Dadá e Corisco nos aparecem na metade final do filme. E que atuação suprema de Othon Bastos como Corisco!!! Que venham mais Glaubers!!!

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Luiz Santiago (luizsantiago) | Pearltrees 3 de fevereiro de 2016 - 12:07

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