Crítica | Pantera Negra – Prelúdio do Filme

Olhando em retrospecto os diversos prelúdios em quadrinhos dos filmes do Universo Cinematográfico Marvel, percebe-se, claramente, potencial desperdiçado. No lugar de fazer das HQs um evento, a editora prefere, na grande maioria das vezes, publicar qualquer coisa, sejam adaptações dos filmes logo anteriores (como é o caso do prelúdio de De Volta ao Lar que nada mais é do que a adaptação de Guerra Civil), sejam historietas de alguma forma relacionada com o vindouro blockbuster (como no caso de Homem de Ferro 3, que abordou o “sumiço” de Jim Rhodes ou de Homem-Formiga, que tratou das aventuras de Hank Pym). Invariavelmente, porém, o resultado fica muito aquém do que poderia ser, escancarando a natureza caça-níquel desses prelúdios.

No caso de Pantera Negra, como não há um filme anterior e como sua primeira aparição no UCM se deu em Guerra Civil e, como dito, o filme já foi adaptado em quadrinhos, então restou a Will Corona Pilgrim escrever uma história inédita o que evitou que o resultado fosse perda total. Afinal, ainda que desnecessário, é interessante ver T’Challa ainda na primeira semana no manto do Pantera Negra defendendo a fronteira de Wakanda e partindo para uma missão no Paraguai para salvar cidadãos de seu país de um sequestro. Mas o interessante é simplesmente entender o momento em que se passa a história: T’Challa torna-se o Pantera mais ou menos da mesma época em que os eventos do primeiro Homem de Ferro se desdobram, o que “retcona” o super-herói e o coloca na gênese do Universo Cinematográfico Marvel.

Tirando esse aspecto em si, além de um pouco da relação de pai e filho entre ele e o rei T’Chaka, o restante da história é apenas um fio narrativo para permitir que Pilgrim escreva muita pancadaria com o Pantera Negra e Okoye, que se conhecem nessa história, libertando os sequestrados de um pífio grupo paramilitar liderado por Zanda e Douglas Scott que de mais sério tem são balas feitas de vibranium, metal extraído exclusivamente em Wakanda e que consegue perfurar o uniforme/armadura de T’Challa. A leitura é rápida e pouco recompensadora, mesmo considerando que estamos diante do primeiro conflito internacional de um futuro rei em começo de carreira como super-herói mascarado.

A impressão de uma história escrita “nas coxas” é somente amplificada pela arte de Annapaola Martello, repleta de rostos semi-deformados, corpos rascunhados e uma dinâmica que pena em passar efetivamente impressão de movimento. É como se a artista tivesse tido não mais do que uma semana para entregar seu trabalho.

Quando a história acaba, ficamos com aquela sensação de vazio, de termos perdido tempo lendo uma HQ que não nos leva a lugar nenhum. Não só não há uma emenda clara com o filme – algo que poderia ser desnecessário, mas, em se tratando de um prelúdio, não deveria ser – como também algum senso de objetivo. O que realmente aprendemos com o prelúdio? O que ele significou para a mitologia do Pantera Negra dentro do UCM? Como disse, com exceção da informação quase anedotária de que T’Challa adotou o manto mais ou menos quando o Homem de Ferro surgiu, o restante é filler despropositado e absolutamente sem inspiração.

Marvel, por favor não desperdice oportunidades! Prelúdios podem ser trabalhados como uma ótima forma de se construir em volta de seus personagens, especialmente no caso de primeiros filmes solo, como é a situação aqui. Teria sido interessante, por exemplo, ver T’Chaka mais novo em ação e a efetiva passagem do manto para seu filho, talvez um pouco do Dora Milaje e da mãe e da irmã do futuro rei. Algo que trouxesse um recheio saboroso e elementos realmente aproveitáveis. Uma história genérica dessas é, realmente, uma enorme perda de tempo…

Pantera Negra – Prelúdio do Filme (Black Panther Prelude, EUA – 2017/8)
Contendo: Black Panther Prelude #1 e 2
Roteiro: Will Corona Pilgrim
Arte: Annapaola Martello
Cores: Jordan Boyd
Letras: Travis Lanham
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: dezembro de 2017 e janeiro de 2018
Páginas: 44

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.