Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X05: A Trout in the Milk

  • Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Como Alice Cooper anunciou ao final de Out of the Past, os agentes da S.H.I.E.L.D. estão, agora, em 1973, com direito a calça boca de sino e aquela vibe típica da década como a vemos em filmes e séries. Aliás, falando em séries, nada como créditos de abertura capturando perfeitamente a televisão da época, com direito a narração do título e dos nomes dos atores e imagens que se congelam em momentos característicos de cada um. Perfeição é pouco!

A homenagem às séries setentistas, porém, não param por aí, já que todo o episódio é estruturado ao redor de como a ação nas telinhas era feita naquela época, com divisão em casais, disfarces improváveis, Enoch chegando do nada no último minuto dirigindo um muscle car e toda a trama sendo telegrafada muito claramente, aqui, claro, por intermédio do uso dos Chronicoms e seus poderes de previsão do futuro. Talvez o mais movimentado até agora, A Trout in the Milk é a versão Agents of S.H.I.E.L.D. de Capitão América: O Soldado Invernal (que, por sua vez, é um filme que homenageia os filmes de espionagem setentistas), com o Projeto Insight sendo adiantado 40 anos com a interferência dos alienígenas sintéticos a partir de 1955, com Wilfred Malick, ex-Freddy, à frente. Se pararmos para lembrar da primeira temporada da série, é a partir dos acontecimentos do filme que ela realmente começa a decolar e, agora, temos uma inversão da lógica com momentos de trazer sorrisos aos rostos dos fãs como a menção expressa a Bruce Banner, Nick Fury e aos Vingadores como alvos da arma da Hidra.

Com isso e um roteiro realmente muito dinâmico de Iden Baghdadchi, o episódio tem a oportunidade de fazer muita coisa em pouco tempo, retornando-nos ao bar subterrâneo originalmente de Koenig (aliás, onde será que ele anda?) em uma festa da Hid… digo, S.H.I.E.L.D. ao redor de Rick Stoner, que vemos pela primeira vez ao vivo (Patrick Warburton retornando ao seu breve papel) e do lançamento do Projeto Insight e também ao Farol – justamente onde Stoner apareceu pela primeira vez na série – que, conforme Mack e Elena descobrem, tornou-se a base de lançamento dos satélites bélicos. E, em meio a isso tudo, somos apresentados ao jovem Gideon Malick (Cameron Palatas), além de seu irmão Nathaniel (Thomas E. Sullivan) que não só não morreu quando deveria ter morrido, como também testemunha Daisy usando seus poderes em 1973.

Mais do que isso, a velocidade vertiginosa do episódio ainda traz uma surpresa, que é rapidamente antecipada pelo Chronicom chefe: uma mudança nas regras. Dessa maneira, ganhamos uma viagem no tempo no meio do episódio, adiantando os relógios para 1976, três anos no futuro, no dia do lançamento do Projeto Insight, o que novamente coloca a bola em campo rolando muito rapidamente em diversas jogadas que forçam a mão da S.H.I.E.L.D. tanto na revelação de sua posição quanto no assassinato de Wilfred por um Deke particularmente raivoso e, claro, a conexão de Nathaniel com ninguém menos do que Daniel Whitehall, com Daisy a tira-colo para que seus poderes possam ser transplantados para ele. Roteiro redondo é outra coisa, não é mesmo?

Alguns leitores apontaram anteriormente que Jemma poderia ser um Chronicom ou um LMD-Chronicom, como Coulson e essa suspeita ganha força aqui, com a introdução de um cansaço estranho na personagem e, claro, daquele ponto brilhantem em sua nuca. Não gostei de isso ter surgido somente aqui, mas pode ser que haja conexão com a ausência continuada de Enoch, como é dado a entender, mas o que realmente importa é que esse mistério, diria, parece fazer parte da “Fase 2” da temporada que, suspeito, começará a partir do final do próximo episódio, que, se o padrão for mantido, encerrará os anos 70 na série. Minha suspeita é que os pulos temporais cessarão e a temporada ganhará outra abordagem, desta vez trazendo Fitz de volta para a estirada final.

E alguém pode cobrar meus comentários sobre as linhas temporais e as alterações feitas pelos Chronicoms na história do Universo Cinematográfico Marvel. A única resposta que tenho para isso é uma amálgama do que Coulson e Daisy disseram para Daniel Sousa no episódio, juntamente com um trecho de minha autoria: relaxem com isso que a explicação, se houver, dá dor de cabeça e não é lá tão importante. Mexer com linhas temporais é uma armadilha enorme e, em um universo audiovisual dessa magnitude, simplesmente não tem como as coisas andarem nos trilhos. Vamos esperar para ver e, mesmo que, no final, a zona seja completa, aproveitem a jornada.

A Trout in the Milk é mais um episódio certeiro de uma temporada que, até agora, não errou em nada. Ainda é cedo para cantar vitória, mas dizem que os Chronicoms já sabem que Agents of S.H.I.E.L.D. acabar por cima da carne seca…

P.s. Só de curiosidade, o título do episódio é uma gíria antiga cuja tradução direta é “uma truta no leite” e tem origem nos leiteiros que, muitos suspeitavam, diluíam o leite das garrafinhas de vidro com a água do rio. Mal comparando, é como a gíria “batom na cueca”, pois, se uma truta for encontrada no leite, a prova circunstancial – ou a suspeita – tornar-se muito forte. No episódio, “a truta” é a presença dos Chronicoms mexendo na linha temporal.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X05: A Trout in the Milk (EUA, 24 de junho de 2020)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Stan Brooks
Roteiro: Iden Baghdadchi
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Enver Gjokaj, Joel Stoffer, Neal Bledsoe, Thomas E. Sullivan, Cameron Palatas, Patrick Warburton, Tobias Jelinek
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.