Crítica | Doomsday Clock #10: Ação

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Colocando de lado o grande vilão desta saga, ou seja, o absurdo e irritante tempo de espera entre uma edição e outra, Doomsday Clock tem sido um progressivo prazer de leitura para mim, especialmente nessas últimas edições. Estamos diante de uma criação difícil, em inúmeros aspectos, e o trabalho que Geoff Johns vem fazendo nos roteiros, acompanhado por Gary Frank na arte é realmente algo exemplar. O tipo de “heresia com o clássico” que se torna, por sua excelência, o nosso mais novo pecado.

Aumentando a força narrativa apresentada em Crise, o roteiro dessa décima edição traz um bom número de explicações sobre aquilo que marca, em essência, a existência dessa série, resolvendo de maneira muito fluída e com um tsunami histórico de referências ao cânone da DC Comics, aquilo que o Dr. Manhattan está fazendo (ou fez ou fará) nesse nosso Universo. Ou Multiverso. Ou METAVERSO. No momento em que escrevo essa crítica, eu não consigo evitar um riso de satisfação com o que acabei de ler. Notem como se torna imensa, preocupante e instigante a proposta de Johns desde Aquele Lugar Aniquilado e o que todas as pistas lançadas ao longo das revistas significaram para esse momento de revelação, de compreensão, de marcação de terreno para a luta final que, confesso, ainda me preocupa, mas só pela grandeza que a série foi tomando até esta antepenúltima edição, só posso imaginar que venha algo bom no desfecho.

Além das referências à formatação de Eras da DC — e da história dos quadrinhos Ocidentais como um todo –, ou seja, ligações muito bem delineadas entre Era de Ouro, Era de Prata e Bronze (aqui, abordadas juntas) e Era Moderna, temos uma linha dramática respeitável acontecendo ao fundo, que é a relação de Manhattan com o ator Carver Colman. Desde Lugares Que Nunca Conhecemos o leitor segue esse indivíduo e seu papel como ator em uma série de filmes noir, tendo trabalhado com diversos nomes importantes de Hollywood. Nessa edição, por exemplo, ele cita a participação em O Galante Aventureiro, a parceria com Gary Cooper e um futuro trabalho com o diretor Otto Preminger. Esse lado humano e frágil do nosso ponto de vista — oposto a toda grandeza de criação e mutações do Universo — esteve presente de maneira bem sutil nas outras revistas da série, mas aqui vem à luz como um guia central do enredo, fazendo com que Ação não seja apenas uma revista de importantes respostas, mas também uma sólida construção de Universo, de psicologia do próprio Dr. Manhattan e da relação entre os “dramas humanosversuso épico heroico“.

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O coração chega dispara…

Trabalhando com a importância central do Superman dentro do Universo DC, numa sopa feita pela mistura de O Prego com Reino do Amanhã e temperada com a Interpretação de Muitos Mundos (IMM), já com as adições teóricas do físico americano Bryce DeWitt, Geoff Johns mostra o Dr. Manhattan fugindo de seu Universo (no final de Watchmen) e procurando “um Universo menos complicado para viver“. Mas ele acaba encontrando o que jamais imaginaria encontrar e isso, obviamente, acende a sua curiosidade como criador de vida e observador da morte. Ele está no lugar-origem de todas as grandes modificações e forças que alteraram o Multiverso. O Universo-fonte. O Metaverso. Os anos-chave para a figura do Superman na história editorial da DC, como 1938, 1956, 1986 e 2011, mais a maneira como os eventos Crise nas Infinitas Terras, Zero Hora, Flashpoint, a realidade dos Novos 52 e a ocorrência da Convergência e do Renascimento são apresentados e compreendidos nessa jornada é algo de fazer cair o queixo.

Muita referência, muita informação, mas tudo trabalhado de uma forma que foge daquele tipo de roteiro medíocre que usa a desculpa “se você não entendeu é porque não interpretou todos os símbolos e signos ocultos“, mas na realidade, é o texto que não tem absolutamente nada para oferecer. Ou seja, o vazio disfarçado de pompa e circunstância. Em Ação, temos uma sequência que nos exige máxima atenção devido aos saltos temporais da narrativa de Manhattan (alguém aqui imaginava que seria diferente? Nessa altura do campeonato?), mas em nenhum momento nos deparamos com eventos truncados ou becos sem saída, que jogam no leitor a responsabilidade que deveria ser do roteirista: escrever algo que seja compreensível. Da excelente arte de Gary Frank à “conclusão” da investigação ‘Multiversal‘ (ou ‘Metamultiversal‘) de Manhattan, vemos os muitos caminhos dessa série se afunilarem para uma via única, chegarem ao ponto prometido desde o princípio. Agora nós já sabemos “como” e “por quê“. Até o final de 2019 — se todas as forças do Multiverso nos ajudar — veremos a grande batalha entre os Azulões e a forma como Manhattan, suas criações e anulações mais uma série de outras alterações feitas por ele irão se aglutinar na DC. Impossível não ficar pilhado por isso.

Doomsday Clock #10: Action  — EUA, 29 de maio de 2019
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank
Arte-final: Gary Frank
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Capa: Gary Frank, Brad Anderson
Editoria: Amedeo Turturro,  Brian Cunningham
30 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.