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Lista | Melhores Leituras em 2025: Quadrinhos – Kevin Rick

Um pouco de tudo que a Nona Arte pode oferecer.

por Kevin Rick
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Esta lista NÃO é apenas de leituras de obras lançadas em 2025, seja no Brasil, seja no exterior. Claro que podem aparecer algumas lançadas neste ano, mas a proposta é apenas ranquear as melhores leituras ou releituras de janeiro a dezembro, independente de quando o volume em questão chegou ao mercado. Clique nos links dos títulos para ler as críticas! Já deixo também o convite para vocês compartilharem nos comentários as suas listinhas de 10 melhores leituras de QUADRINHOS em 2025! E caso queiram ver as nossas outras listas sobre o tema, clique aqui!

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Diferente da minha jornada quadrinística em 2024, finalmente consegui ler um bom número de HQs ao longo do ano, além de diversificar minha trajetória com material independente da Image, mangás, em especial Slam Dunk, e, claro, muita coisa da Marvel e da DC, valendo destacar o contínuo Especial do Demolidor que eu e o meu colega Luiz Santigo estamos fazendo. Nem tudo são flores, porém, com alguns projetos que iniciei, mas não dei seguimento, principalmente um objetivo antigo que tenho de trazer críticas dos lançamentos mensais do Big Two (li diversos “primeiros volumes” deles, mas não consegui escrever de tudo).

Para o ranking, evitei repetir séries ou runs, para não ficar uma lista repetitiva, então é por isso que terá apenas um volume de TWD ou de Demolidor, apesar de ter lido e escrito de outras ótimas histórias desses materiais. Para o próximo ano, quero voltar com o projeto do Big Two, incluindo releituras do que deixei passar, e focar mais em mangás, como muitos leitores queridos têm me pedido. No mais, que seja um ano de grandes leituras a todos! Bora lá.

 

 

10º – Detective Comics: A Ascensão dos Homens-Morcego

James Tynion IV | Estados Unidos | 2016

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 Então a DC retomou a contagem da revista Detective Comics, considerando o cumulativo da fase dos Novos 52 e, neste primeiro arco após a retomada, trazendo as edições #934 a 939, apresentando uma história que mata dois coelhos com uma tacada só: primeiro, ao fazer uma coerente passagem até o momento pré-Novos 52, e segundo, ao transformar esse retorno em um recomeço que, na verdade, é uma continuação. Parece complicado, mas não é. Levando em conta a passagem do tempo, o roteirista James Tynion IV seguiu com o drama de Gotham em um “estado de sítio mudo”, com coisas medonhas se erguendo atrás das cortinas e Batman preparando-se para combater a ameaça. Parece mais do mesmo. Mas só parece…

 

9º – Os Filhos do Sol e Céu Negro (Júlia Kendall #19 e 20)

Giancarlo Berardi, Maurizio Mantero | Itália | 2000

A sinopse da primeira edição desse arco nos apresenta de maneira bastante direta a perversa situação que a dupla Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero irá trabalhar nessa história: “três pessoas se suicidam ao mesmo tempo e de formas bem impactantes. Todas eram seguidoras de uma seita suspeita de utilizar de métodos como lavagem cerebral para manter seus fiéis e que pode estar preparando um suicídio ritual coletivo“. Seitas são organizações bastante complexas em sua formação e bastante heterogêneas em seus intentos também. Em países profundamente religiosos como o Brasil, esse tipo de grupo é perfeitamente compreensível/identificável, uma vez que temos um número considerável de seitas ou de organizações religiosas que agem como seitas espalhadas por todo o território nacional, com atitudes que não chegam a grandes extremos estatísticos de violência física assumida (como organização), mas certamente levam essa presença para o discurso cotidiano, para as relações sociais e, na última década, para a política, com a obtusa Bancada Evangélica formada nas eleições de 2014 e que iniciou a sua primeira legislatura em 2015.

 

8º – Liga da Justiça da América: O Rastro do Tornado

Brad Meltzer | Estados Unidos | 2006

Depois do estrondoso sucesso da saga Crise de Identidade (2004), Brad Meltzer foi cotado pelo Editor Executivo da DC Comics, Dan DiDio, para assumir o sempre arriscado projeto de reviver a Liga da Justiça da América, em uma versão moderna dos paladinos da Era de Prata. É importante lembrar que estamos em um momento após a finalização da LJA Vol.1 na edição #125 (o título iniciado por Grant Morrison em 1997) e que a editora vinha publicando pequenas séries com tramas e versões diferentes da Liga para acostumar o leitor. Dessas versões, as mais próximas da reformulação criada neste novo título foram a minissérie em três edições JLA-Z (2003 – 2004) e a série em doze edições Justice League Elite (2004 – 2005).

 

7º – Demolidor: Atravessando o Inferno

Chip Zdarsky | Estados Unidos | 2019-2020

É raro vermos histórias urbanas da Marvel ou da DC irem para esses caminhos de explorar a raiz dos problemas sociais, saindo das ruas, das Gotham’s e Hell’s Kitchen’s, saindo até do campo dos colarinhos brancos (fantoches aqui), para chegar no 1% do 1%. Não sei se Zdarsky vai se aprofundar completamente nisso, mas espero que sim, porque é onde sua trama chama a atenção para algo diferente no cânone, principalmente com o arco de Fisk, vulnerável e encurralado como poucas vezes visto antes. Fora disso, o autor ainda equilibra muitos pratos, com a jornada pessoal de Matt, numa mistura de culpa católica (sem falar da descoberta da sua identidade pelo irmão do criminoso que ele matou), gradual autocontrole, problemas de personalidade e a linha solta com Mindy; a participação suspeita de Elektra e suas reais motivações; o conflito da sucessão entre as gangues da cidade; e a subtrama de Cole nesse tumulto todo. É muita coisa, com diferentes graus de qualidade, mas tudo interconectado no que pode se tornar uma narrativa ainda mais rica nos próximos arcos.

 

6º – House of X // Powers of X

Jonathan Hickman | Estados Unidos | 2019

House of X e Powers of X cumpre o prometido e servem de pontapé inicial para uma nova era para os mutantes da Marvel Comics. Jonathan Hickman pavimenta o caminho para algo enorme, expansivo, envolvendo passado, presente e futuros (no plural mesmo) que ressignifica os X-Men dentro das engrenagens de seu universo. Espero que o autor tenha tempo capitaneando esse “canto” para ver seu plano desenrolar-se como imaginou, sem precisar pegar atalhos e sem desfazer o que estabelece aqui, por mais controversas que algumas decisões tenham sido.

 

5º – Ultimate Homem-Aranha (2024) – Vol. 2

Jonathan Hickman | Estados Unidos | 2024-2025

No mais, a última edição do volume tem todos os elementos que fazem dessa HQ um deleite, nos presenteando com um jantar familiar de Natal, com tudo que circula esse tipo de encontro: amor, carinho e comunhão, mas também ressentimento, picuinhas e melodramas da melhor espécie. A edição como um todo foca mais na M.J. e na família Watson (todos divertidamente insuportáveis), no que é outra entrada de qualidade para uma personagem clássica que, talvez, nunca teve tanto reconhecimento como merece. No finalzinho, ainda temos um gancho enlouquecedor e orgânico, com algumas das pistas deixadas por Hickman se concretizando em um ótimo desfecho de arco para uma obra que continua sendo uma maravilha de leitura para quem é fã do Peter Parker e da sua mitologia.

 

4º – Assorted Crisis Events – Vol. 1

Deniz Camp | Estados Unidos | 2025

Em suma, Assorted Crisis Events é, para mim, uma das antologias mais bem-sucedidas dos últimos tempos de ficção especulativa. Não entrega respostas fáceis, mas dá perguntas necessárias. Não cria heróis monumentais, mas pessoas em crise, o que, em muitos casos, é suficiente para iluminar o extraordinário que sempre foi invisível no ordinário. É uma HQ que desafia o leitor: exige paciência, atenção, vontade de escavar camadas, não de devorar ação. E sai do papel deixando a sensação de que o tempo que vivemos, seja acelerado ou fragmentado, pode se tornar ficção possível, se olharmos de perto.

 

3º – The Walking Dead – Vol. 1: Dias Passados

Robert Kirkman | Estados Unidos | 2003-2004

Revisitado hoje, o primeiro volume ainda impressiona pela clareza da proposta. Kirkman não perde tempo com explicações científicas sobre a origem do apocalipse; o foco é humano e intimista. É essa decisão que torna a história atemporal: não importa o que causou a catástrofe, importa como ela transforma as pessoas. E a última cena, com Rick, Lori e Carl deixando o acampamento e partindo para uma nova etapa, já anuncia o que virá: uma jornada sem garantias, onde o perigo maior nem sempre está entre os mortos, mas entre os vivos.

 

2º – Fullmetal Alchemist – Vol.1

Hiromu Arakawa | Japão | 2002

Tão bem equilibrados e executados de forma tão cuidadosa e precisa que são, ao longo dos quatro capítulos iniciais o leitor se encontra já praticamente ambientado por completo no memorável sci-fantasy steampunk de Fullmetal Alchemist. A série toma seu tempo para construir magistralmente bem seus protagonistas e sua busca pela Pedra Filosofal e dá pistas sobre os misteriosos opositores tatuados com o Ouroboros e sobre o funcionamento do governo militar de Amestris. O volume encontra tempo ainda para introduzir brevemente alguns dos aliados da dupla de alquimistas, mas são eles o foco aqui neste momento inicial. Escolha que dá frutos e que cativa o leitor (e mesmo o releitor) para voltar para o volume seguinte e saber mais sobre essa obra única.Somando estilo e conteúdo, já neste primeiro volume vemos bem representado o nível de detalhe que fez com que a série entrasse para a galeria de grandes obras do mangá.

 

1º – O Imortal Hulk – Vol. 1: Homem, Monstro… ou Ambos?

Al Ewing | Estados Unidos | 2018

A capa de O Incrível Hulk #1, publicada em maio de 1962, continha a seguinte pergunta, em letras garrafais: “É ele humano ou monstro… ou ambos?”. Essa icônica pergunta já foi respondida de infindáveis maneiras diferentes ao longo da quase sexagenária carreira do Gigante Esmeralda, com o personagem ganhando versões diferentes e um sem-número de derivados. No entanto, poucos autores realmente tentaram voltar à essência da pergunta, extirpando o lado super-heroístico do personagem e lidando com a dualidade que reside não só em mais essa criação de Stan Lee e Jack Kirby, mas também em nós. Al Ewing, em O Imortal Hulk, parte da iniciativa Fresh Start da Marvel Comics que resgata a relevância de seus personagens clássicos e que vem produzindo ótimos títulos (vide os arcos de Pantera Negra, Capitão América, Vingadores e Venom) faz justamente isso, trazendo à tona, a partir da parte final da pergunta da edição sessentista, que batiza a edição #1 do novo título e também o encadernado que compila os primeiros cinco números, todos os valores clássicos desse grande personagem.

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