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Lista | Raised by Wolves – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

por Luiz Santiago
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Nota da Temporada

Uma das séries mais interessantes de 2020 (na verdade, uma grande surpresa), Raised by Wolves veio suprir uma falta que tínhamos de programas com intricadas histórias de ficção científica, bons efeitos e produção ousada. Abaixo, segue a minha classificação dos capítulos desta primeira temporada do show, do pior, para o melhor. Não deixe de comentar com a sua própria lista e também de dar a sua opinião sobre essa primeira temporada!
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10º Lugar: The Beginning

1X10

Finale desta 1ª Temporada de Raised by Wolves foi uma verdadeira surpresa, especialmente do meio do episódio para frente. Aqui estão assumidas todas as características que esperávamos de uma obra com a mão de Ridley Scott na produção, e essas características tornam as coisas mais complicadas para todo mundo em Kepler 22-B, dos que já estavam lá até os recém-chegados, que certamente terão muita dor de cabeça assim que aterrissarem aquela gigantesca nave ateia.

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9º Lugar: Umbilical

1X09

Mas o mais estranho de tudo veio obviamente com os fatos ligados ao feto de Mother. Raised by Wolves certamente conta com coisas que desafiam — ou, numa visão mais clara, atropelam — o bom senso, mas parte delas a gente entende como parte de um contexto futurista sobre o qual poucos ou nenhum detalhe nos é fornecido. O que não significa que tudo o que aparece no enredo faça sentido ou seja organicamente aceito na trama. A gravidez de Mother é uma delas. Mas o novo feto não deixa de ser uma adição interessante à história, e fica a dúvida sobre a questão da profecia dos seguidores do Sol — se for essa futura criança, então Mother vai morrer, em breve? — e sobre a integração disso com aquela rocha no meio do deserto ou aquela figura vista nas ossadas uns episódios atrás e que aqui parece parece ter espalhado as placas de metal para atrair Mother e Tempest.

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8º Lugar: Mass

1X08

Há uma semana estávamos querendo trucidar Hunter, merecidamente. Com esses dois novos episódios de Raised by Wolves, esse desejo talvez tenha ficado para um outro momento. E isso diz algo bem interessante sobre como a série está desenvolvendo os seus personagens. Em tramas de grande enfrentamento entre facções com ideologias e ações bem definidas, é fácil para os roteiristas criarem antagonismos e personagens do tipo “o grande odiado“, normalmente porque a dicotomia de pensamento abre espaço para ações cegas de alguém que prejudica os outros em nome daquilo que pensa, achando que está fazendo o certo. Hunter esteve nesse caminho até os episódios anteriores.

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7º Lugar: Lost Paradise

1X06

No plano colonizador, Raised by Wolves segue alimentando bem as teorias e dilemas em torno do ateísmo e da religião, unindo a esse tratamento os recorrentes problemas humanos que colocam a fé (ou o comportamento dos religiosos) em xeque, assim como os princípios de pacifismo e de nova visão de sociedade pretendida pelos ateus. A utopia em torno dessas questões é ironizada pelos acontecimentos da série, principalmente nos dois presentes episódios, que promovem o já esperado encontro de Paul com seus “pais” e acende ainda mais a curiosidade em torno das vozes e aparições que vemos rondar determinados personagens.

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6º Lugar: Faces

1X07

Já o lado da fantasia do episódio começa a me fazer pensar se estamos falando de alguma coisa derivada do núcleo do planeta. As vozes que Campion ouviu e as vozes que falavam com Marcus + aquela luta meio chocha e vinda do nada, no final de Faces, colocam uma boa interrogação a respeito do tipo de vida que existiu naquele planeta e se isso tem alguma ligação sobrenatural com o presente. Ou, por outro lado, se essas supostas alucinações são na verdade algum tipo de projeção, algum truque tecnológico ainda não decifrado pelos personagens. Até o fim da temporada, veremos.

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5º Lugar: Infected Memory

1X05

O primeiro alinhamento dramático da série já estava claro, e nesse meio de temporada fechou-se sobre si mesmo: Marcus e Sue (Niamh Algar) encontraram as crianças, o que significa que os dois grupos vindos da Terra estão reunidos… e a luta ou acordo entre eles deve acontecer em breve. Dentro de cada um desses grupos, porém, novos conflitos aparecem, o que mostra que nada será “tão simples” como vencer apenas uma batalha. As criaturas estranhas do planeta, o habitante daquela ossada e o caráter de fantasia que cada vez mais se embrenha na ficção científica são coisas que nos fazem pensar. Fiquei bastante intrigado com a ideia de que havia no planeta uma antiga civilização. Isso talvez faça ecos a Planeta dos Macacos, mas quero crer que não seja algo nesse sentido. Por hora, só me deixa pasmo e incomodado o fato de que Mother, no seu modo Necromante, não tenha tido ideia de fazer um tour pelo planeta, talvez abrindo novas novas possibilidades para a própria série. De todo modo, coisa é o que não falta para se desenvolver nessa segunda metade da temporada. Vamos ver onde isso irá nos levar.

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4º Lugar: Nature’s Course

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Seguindo a mesma base de apresentação progressiva do que aconteceu no passado + o desenvolvimento de uma porção de mistérios na superfície de Kepler-22B, o texto deixa claro que não haverá muita diferença na construção dessa nova civilização, já que em sua própria raiz, questões muito fortes envolvendo poder, mentiras e crimes fazem parte do menu do dia. Isso sem contar o andamento de um conflito ideológico que foi muito nocivo para a humanidade na Terra e que aqui já cumpre um papel de grande preparação trágica: o entendimento de mundo dos religiosos do Sol e o entendimento de mundo dos ateus, aos quais Mother (Amanda Collin) e Father (Abubakar Salim) pertencem.

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3º Lugar: Virtual Faith

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Em Virtual Faith, dirigido por Luke Scott, temos uma visita muito maior da fantasia mesclada ao terror visitando o cenário sci-fi que dominou os dois primeiros capítulos. A mudança tem um propósito interessante de adicionar uma camada de mistério no próprio planta, que parece, já nesse início de sua colonização, ganhar as sementes bélicas e odiosas que forçou a chegada dos humanos ali. O eterno ciclo de sobreviver para então odiar e matar. Por se tratar de um episódio com uma mudança notável de foco temático, o espectador percebe que alguns personagens são levados para um caminho relativamente novo, já dando indícios de sua mudança futura, mas esse tipo de introdução de gênero tem um preço. Certos desvios jogam um balde de água fria em linhas de eventos que então ganhavam excelente contorno, e o caráter fantástico (ao menos é isso que parece no momento) carece de um ingrediente despertador de encanto que o sci-fi teve desde o primeiro minuto.

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2º Lugar: Pentagram

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Os dois primeiros episódios, Raised by Wolves e Pentagram são dirigidos por Ridley Scott, que emprega verdadeiramente a sua marca na criação desse Universo cheio de possibilidades. A dinâmica do primeiro episódio é de intensa imersão do espectador no novo cenário, um misto de simplicidade no desenho de produção com uso pontual, mas admirável de efeitos especiais para as coisas que realmente precisam de efeitos. Nada, porém, é demasiadamente ambicioso. Quando um conflito envolvendo ciência e religião é apresentado como causa central da guerra que acabou exigindo a aventura extraplanetária dos humanos, passamos a entender um pouco mais sobre o que ocorreu na Terra (temos pelo menos um grande evento mostrado aqui, no ano de 2145) e aí vemos uma ampliação desses efeitos, não só na ativação de um certo tipo de androide chamado Necromante, mas também na exposição de um amplo cenário de catástrofe.

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1º Lugar: Raised by Wolves

1X01

Além de ter uma grande facilidade de adaptar-se a uma quantidade notável de ambientes (muitos deles hostis, inclusive), a humanidade carrega consigo um paradoxo em seu caráter de existência social. Ao mesmo tempo que traz consigo uma monumental força de vontade ao lutar pela sobrevivência, pela continuação de sua espécie, não se furta em eliminar em massa os pares que lhes são ideologicamente (ou em qualquer outro aspecto de convivência) opostos. Num “mundo pacífico, democrático e civilizado“, o tipo maior eliminação cotidiana é majoritariamente moral, jurídica ou emocionalmente eletrônica. Em nossa Era, temos a verdadeira excelência desse tipo de trato, que em alguns casos ficam apenas nos xingamentos e pseudo-discussões nas muitas caixas de comentários… enquanto em outros geram processos complicados e, em situações extremas, podem até levar à morte de indivíduos, com outros exercendo a sua própria justiça manufaturada. A grande questão é: e quando estivermos realmente em perigo e voltarmos a lutar, no sentido mais duro dessa palavra, pela sobrevivência de nossa espécie? Em que pé ficariam esses conflitos?

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