Crítica | Dentinho Vol.1 (2018)

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Minissérie em 4 edições, escrita por Daniel Kibblesmith e desenhada por Carlos Villa  Lockjaw Vol.1 (2018) é focada no Bulldog babão dos Inumanos, que, para todos os efeitos, está em uma saga de reencontro com suas próprias origens. Mas o leitor não deve pegar a minissérie achando que já na quarta página terá o chavão de “Há muito tempo, em Attilan…“… nada disso. Não há flashback aqui da forma convencional e, quando falamos de uma “aventura de origem”, não queremos dizer que a minissérie inteira só tem este assunto. Na verdade, a origem de Dentinho mesmo só vem na revista número quatro, Chasing Rabbits, enquanto que as outras três (Who’s a Good Boy?, Call of the Wild e Funny Business) abordam a trajetória do protagonista até o “ponto que interessa”.

O roteiro roteiro de Kibblesmith captura com cuidado o Universo dos Inumanos, começando e terminando com breves e bem colocadas cenas na Nova Arctilan, cercada pela Cratera Leibnitz, no lado oculto da Lua. É a partir de uma breve exploração desse espaço que chegamos a Dentinho e somos apresentados a alguns de seus hábitos, para então o vermos atender a um chamado, após um pedido de ajuda. Não é necessária nenhuma explicação interdimensional ou diálogos absurdos conectando os mais diversos lugares visitados pelo cão teletransportador. É através do humor que Kibblesmith consegue nos explicar as coisas e é dentro desse gênero que o autor encontra as ferramentas necessárias para avançar com a trama por caminhos cada vez mais improváveis, nos dando dicas sobre a força que está direcionando Dentinho para viagens entre satélites, plantas e dimensões.

Como ele não fala — não aqui, pelo menos, se bem que… –, era óbvio que haveria um personagem coadjuvante para acompanhá-lo. Este, na verdade, foi o meu primeiro pensamento, quando peguei a minissérie para ler, e também foi o meu primeiro temor. Como não estamos falando de enredos como Lockjaw and the Pet Avengers, estava mais do que claro que a atenção seria dividida com um humano e a questão era: qual personagem da Marvel caberia em uma história do Dentinho? Uma certeza imediata era que não poderia ser alguém muito grande, para não distrair o leitor e roubar a atenção do cão. E eis que entra em cena Dennis Dunphy, o Demolição (ou Demolition-Man ou D-Man), aquele mesmo cujo uniforme era uma mistura de Demolidor com Wolverine (e não, eu não estou sendo engraçadinho, pode procurar).

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D-Man e Dentinho em uma dimensão aonde respostas são conseguidas.

Claro que estamos falando de um D-Man reformulado, extremamente simpático, engraçado e, infelizmente na bad, após sua separação do esposo. Esse momento delicado na vida de Dunphy, porém, é utilizado a favor do texto, inserido e encerrado de maneira orgânica, tanto no aspecto de sua vida amorosa, quanto de sua relação com a irmã. O personagem tem o tipo de carisma e impacto como “ex-integrantes-de-algo-importante” que se coloca bem em qualquer situação, alcançando voo alto quando abordado em um bom roteiro, como o que temos nessa minissérie. Aliás, o que é feito com o personagem aqui é excelente, especialmente no final, que além da importância temática (ligada a Dentinho), tem um imenso fator afetivo envolvido, daquelas situações com cães e humanos que facilmente nos emocionam.

Como Dentinho leva D-Man para diversos lugares — não vou dar nenhum spoiler, mas pensem muito grande quando eu digo “diversos lugares” –, em sua busca e rastreio de algo importante, vemos os dois enfrentarem e conhecerem personagens das mais diversas origens e épocas históricas da Marvel, cabendo até um cameo que vai fazer os olhos do leitor se arregalarem, por se tratar de indivíduos que não vemos já há algum tempo nas HQs da editora… Com uma bela e dinâmica arte de Carlos Villa, finalização de Roberto Poggi e cores de Chris O’Halloran, esta minissérie foi uma imensa surpresa, uma leitura agradável, com um número absurdo de referências visuais (a arte não só consegue ser atrativa, como também muito inteligente na forma como representa as dimensões, os ângulos escolhidos, aquilo que oculta e aquilo que resolve mostrar, e como os volumes são diagramados) e um apelo emotivo que nos faz querer bater na porta do Editor Executivo da Marvel e dizer: quero a continuação disso nas bancas no próximo mês!. Um prato cheio para qualquer um que gosta de boas histórias. E cachorros.

Dentinho Vol.1 (Lockjaw Vol.1) — EUA, 2018
Roteiro: Daniel Kibblesmith
Arte: Carlos Villa
Arte-final: Roberto Poggi
Cores: Chris O’Halloran
Letras: Clayton Cowles
Capas: Ed McGuinness, Matthew Wilson, Kris Anka, David Nakayama, Ulises Farinas, Ryan Hill
Editoria: Wil Moss, Sarah Brunstad, Tom Brevoort
4 edições de 24 páginas cada uma

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.