Crítica | Marvel Team-Up #63 e 64: Punho de Ferro (1977)

marvel_team_up_punho_de_ferro_plano_critico

estrelas 3

Obs: Leiam, aqui, todas as nossas críticas de quadrinhos do Punho de Ferro.

Gosto de ver todos os 11 números inaugurais do Punho de Ferro em Marvel Premiere e todos os 15 números da primeira publicação verdadeiramente solo do herói (a Marvel Premiere não era uma publicação de um herói apenas, sendo a casa de vários ao longo dos anos) como uma longa história única com começo, meio e quase um fim, pois existe uma rara coesão em toda essa construção da mitologia do herói. Mas digo “quase”, pois a Marvel Comics cancelou a revista em razão dos baixos números de venda antes que fosse possível encerrar uma importante linha narrativa. No entanto, Chris Claremont e John Byrne, responsáveis por toda a série solo do herói, não se fizeram de rogados e, no mesmo ano do cancelamento, basicamente se apropriaram de dois números da Marvel Team-Up, publicação quase que exclusivamente feita para colocar o Homem-Aranha lutando contra e ao lado de uma grande variedade de heróis e anti-heróis da Marvel e onde o Punho de Ferro já havia aparecido (edição #31), para encerrar sua história.

A sub-trama que ficou sem encerramento digno tem relação com Davos, o Serpente de Aço e seu desejo de vingança contra Danny Rand. Ele havia sido introduzido razoavelmente cedo na narrativa, mas sempre permaneceu como coadjuvante, enfrentando o Punho de Ferro sub-repticiamente aqui e ali, com o objetivo de absorver o chi e o poder do herói que ele julga ser dele. Assim, de forma bastante direta, Claremont monta uma história em que Davos convida Danny (com um convite por escrito mesmo) para um duelo em um parque deserto à noite. Como era necessário incluir o Homem-Aranha para justificar o uso da publicação, ele cria uma desculpa qualquer para Peter Parker visitar Danny em sua casa para tirar fotos do milionário, o que o deixa com a pulga atrás da orelha depois que Danny lê o tal convite.

Com isso, e ainda contando com Misty Knight e Colleen Wing como coadjuvantes de luxo, o combate começa. Infelizmente, ao empregar tempo para preparar o terreno para o clímax, há pouco espaço para grandes desenvolvimentos e para a arte de John Byrne realmente deslumbrar. O texto de Claremont, que ainda faz um flashback para a o origem de Davos, acaba poluindo demais os quadros e tudo acaba muito rápido, com Danny Rand moribundo e o Serpente de Aço com o “punho de ferro”.

marvel_teamup_punho_de_ferro_plano_critico

Esse final do primeiro número funciona por um lado, mas, por outro, no número seguinte, afasta o herói dos holofotes, que ficam muito mais com o Homem-Aranha, Knight e Wing, desviando o foco central e mais uma vez ocupando espaço que Byrne poderia ter usado para desenhar suas famosas splash pages com lutas complexas em apenas um quadro. Mas a grande verdade é que temos que aplaudir os esforços da dupla em fazer de tudo para fechar a grande e, em sua maioria, fora do comum estreia de um super-herói da Marvel Comics. Uma história rica que logo em seu início ia muito além do “homem ganha poderes, homem luta contra o mal” e que merecia efetivamente um encerramento digno.

E foi digno. Mesmo considerando a restrição de espaço que Claremont e Byrne tinham – agravado pelo Homem-Aranha, que, convenhamos, não tinha nada que estar ali – e a quantidade de trabalho que os dois precisavam equilibrar nessa era de ouro da editora, o resultado final é redondo e lógico para o conflito silencioso entre Davos e Danny. Claro, faltou muito desenvolvimento para o vilão, algo que seria ainda explorado no futuro por outros autores, mas a história não sente realmente falta disso. Ela funciona em seus propósitos, empresta mais significado ainda ao poder pelo que Danny Rand tanto lutou e acaba criando um vilão magnífico para ele, basicamente um irmão que nunca teve e que o atormentaria bastante pela frente.

Uma importante era do Punho de Ferro seria encerrada com estes dois números de Marvel Team-Up. Dali em diante, o herói seria mais conhecido como parte da dupla que fez durante muitos anos – e ainda faz! – com Luke Cage. Todavia, um dos mais importantes lutadores marciais da Marvel – inesquecível também em razão de seu uniforme mais do que espalhafatoso – nasceu com um riqueza ímpar entre seus pares e renasceria em sua carreira solo algumas vezes pela frente, mais notadamente no detalhado trabalho de reimaginação respeitosa de seu passado pelas mãos de Ed Brubaker,  Matt Fraction, Travel Foreman e David Aja. Mas isso fica para outra crítica.

Marvel Team-Up #63 e 64 (Marvel Team-Up #63-64, EUA – 1977)
Roteiro: Chris Claremont
Arte: John Byrne
Arte-final e cores: Dave Hunt
Letras: John Costanza (#63), Bruce Patterson (#64)
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: novembro e dezembro de 1977
Páginas: 18 (cada edição)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.