Crítica | Os Robinsons: Perdidos no Espaço (Piloto de 2004)

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Pode-se dizer de tudo da máquina de Hollywood, menos que não é insistente. Depois de tentar reviver a série sessentista clássica Perdidos no Espaço com uma animação em 1973 e com uma adaptação cinematográfica em 1998, outra tentativa frustrada foi feita em 2004 pela WB Television Network, com produção da Synthesis Entertainment, Fox e também Irwin Allen Productions, do próprio criador da série.

Com direção de ninguém menos do que John Woo, o piloto lida com a família Robinson, aqui acrescida de um filho mais velho chamado David (Gil McKinney) e com Penny sendo uma bebezinha e o patriarca John (Brad Johnson) como um militar veterano aposentado de uma guerra vitoriosa contra uma invasão alienígena, partindo para a colônia no planeta Nova. Sua família é uma de várias vivendo em pods conectados a uma nave-mãe muito  maior que, perto de um buraco negro, é atacada pelos tais alienígenas.

Curiosamente, o foco na relação entre pai e filho, o pai militar e a Júpiter 2 como uma das várias naves em uma astronave maior são elementos apropriados pelo mais recente reboot da série, pelo Netflix. E, em linhas gerais, a história do piloto funciona razoavelmente bem, estabelecendo um seio familiar padrão, com direito a extenso detalhamento da atração romântica que Judy (Adrianne Palicki, uma das mais azaradas atrizes da TV recente) sente pelo jovem piloto Don West (Mike Erwin) e que leva a narrativa para um perigoso conceito de Barrados no Baile no espaço.

De toda forma, o garotinho Will (Ryan Malgarini) captura bem a essência do original, assim como sua genialidade que o faz inventar um robô para sua proteção, novamente com a voz clássica de Dick Tufeld. No entanto, uma grande ausência é fortemente sentida: o Dr. Smith. Sem ele, o piloto fica sem antagonismo no seio familiar, algo que é “substituído” pelo antagonismo com os alienígenas que, ao final, estranhamente “sequestram” David, um fio narrativo que muito provavelmente seria explorado largamente nos episódios seguintes.

Em termos de design de produção, a série surpreende, com as naves muito  bem trabalhadas ao ponto de a produção de Battlestar Galactica ter comprado os sets para transformá-los na Pegasus. Falando em Galactica, a trilha sonora do reboot da série foi uma das usadas no piloto de Perdidos no Espaço, ratificando essa quase simbiose. Os efeitos em computação gráfica são também muito bons para uma série de TV, especialmente para um piloto produzido para testar as águas. Não há um uso extensivo deles, claro, mas o que é mostrado tem valor e acresce à produção.

Mas o que detrai dela são os alienígenas que invadem a nave. Claro que não é esperado de um piloto dessa natureza que vejamos tudo da melhor qualidade, mas o design deles é horrível – parecendo uma versão muito mais caseira do Garindan, o alienígena de tromba que delata Luke e companhia, em Uma Nova Esperança.

Será que Os Robinsons: Perdidos no Espaço poderia ter funcionado como série? O piloto indica de leve que sim, que havia material ali para a construção de uma narrativa que poderia ser interessante se o lado romântico adolescente fosse reduzido e o design de criaturas fosse melhorado substancialmente. Mas o piloto nunca foi comprado, ficando perdido por Hollywood.

Os Robinsons: Perdidos no Espaço (The Robinsons: Lost in Space, EUA – 2004)
Direção: John Woo
Roteiro: Douglas Petrie (baseado em criação de Irwin Allen)
Elenco: Jayne Brook, Mike Erwin, Brad Johnson, Ryan Malgarini, Gil McKinney, Adrianne Palicki, Dick Tufeld
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.