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Crítica | Capitão América: O Ódio se Chama Sangue

por Luiz Santiago
264 views (a partir de agosto de 2020)

Apesar de ter sido lançado aqui no Brasil como um arco fechado, com esse título de O Ódio se Chama Sangue, o presente compilado de histórias conta com cinco blocos narrativos distintos, sobre os quais comentarei brevemente abaixo. Antes, porém, vou deixar aqui bem especificado os temas de cada conjunto de edições ou das edições isoladas. Das revistas #247 a 249 o Capitão América luta contra o vilão Mecanus. A edição #250 é uma trama isolada, a melhor do arco na minha opinião, e que coloca o Bandeiroso como potencial candidato à presidência dos Estados Unidos. As edições #251 e 252 traz uma luta contra Batroc e Mr. Hyde. As edições #253 e 254 contam uma história de vampiro, colocando em cena o Barão Sangue. E por fim, a comemorativa #255, que é uma recontagem/releitura/leve expansão da História do Capitão América.

O primeiro bloco de histórias desse arco retoma algo que já vinha sendo trabalhado nas revistas do personagem, a questão de sua memória de infância, o período anterior à sua atuação na 2ª Guerra Mundial. O roteiro dá a devida importância para isso, inclusive plantando uma linha de suspeitas sobre aquilo que o público sabia ou não a respeito do velho combatente (mal sabiam os leitores que, no futuro, isso seria elevado à máxima potência) e usa o vilão Mecanus, um expert na criação de robôs, para atormentar o Capitão e explorar os confins da memória do herói. É uma tríade de revistas divertidas de se ler, especialmente a primeira parte, e que traz de modo até engraçado a vida cotidiana de Steve Rogers, que naquele momento trabalhava como ilustrador freelance e andava a pé.

Já a edição mais famosa desse compilado é certamente a #250 (ainda mais que a comemorativa), porque coloca o Capitão na fronteira política, gerando uma grande expectativa em relação à sua possível candidatura à Casa Branca (tadinho do Fera… ficou tão feliz com essa possibilidade!). Gosto bastante da maneira orgânica e astuta com que essa possibilidade entrou em cena, e também gosto do direcionamento ideológico que é dado à história. O Capitão fica todo orgulhoso com a atenção que está recebendo, não nega nenhuma possibilidade e procura saber o que as pessoas acham disso. A expectativa que ele cria é curiosa porque tem uma motivação por trás. O discurso dele para o povo é bonito e faz total sentido para o personagem e também para o país que lhe deu origem. Uma pequena aula sobre visão política.

As edições que trazem Batroc e Mr. Hyde possuem um enorme charme, mas por um único motivo: a presença Batroc. Nem o Capitão está tão legal nessa pequena trama, mas Batroc é o tipo de malandro jeitoso, com um código de honra bem definido e uma maneira de encarar as coisas que deixa suas cenas engraçadas, meio bobas (no bom sentido) e chamativas. Já o absoluto oposto disso vem nas revistas #253 e 254, quando o Capitão América é interrompido em sua noite de namorico (é aí que a gente vê o quanto ele é velho… mentalmente falando) e chamado à Inglaterra para resolver um problema envolvendo um vampiro, seu antigo inimigo Barão Sangue. É um pouco difícil a gente se acostumar com esse tipo de história sendo vivida pelo Bandeiroso, mas a proposta funciona muito bem na primeira edição, caindo bastante de qualidade na segunda, embora as cenas de ação continuem sendo um ponto louvável do quadrinho.

O arco geral é finalizado com uma edição comemorativa que, pelo menos para mim, não trouxe muita empolgação não. É uma espécie de “Origem Secreta” do Capitão América, abordando — inclusive nos desenhos — aquilo que conhecemos do quadrinho clássico de 1941, tendo algumas adições e melhorias narrativas no processo. Talvez para quem tem grande carinho pelo personagem a edição sirva de ótimo comparativo entre Eras e pontos de vista diferentes para as vivências do herói, mas não há nada de verdadeiramente novo aqui. O exercício, no entanto, é bastante interessante, e termina o arco de modo coerente em relação ao começo, com uma linha de memórias de guerra voltando à tona. Uma merecida homenagem para o Capitão.

Capitão América: O Ódio se Chama Sangue (EUA, 1980)
Contendo: Captain America Vol.1 #247 a 255
No Brasil: Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Nº7 (maio de 2015)
Roteiro: Roger Stern, John Byrne, Don Perlin, Roger McKenzie, Jim Shooter
Arte: John Byrne, Ed Hannigan
Arte-final: Josef Rubinstein
Cores: George Roussos, Bob Sharen
Letras: Jim Novak, John Costanza
Capas: John Byrne, Josef Rubinstein, Irv Watanabe, Gaspar Saladino, Al Milgrom, Frank Miller, Rick Parker
Editoria:
Jim Salicrup, Bob Budiansky
206 páginas

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4 comentários

Isaac 6 de março de 2021 - 16:09

Essas histórias do Capitão América, foram lançadas pela Abril em 1983 ou 1984.

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Luís Fajardo 5 de março de 2021 - 17:47

Conheci o Cap quando saía aqui no Brasil as últimas histórias do longo run de Mike Zeck, depois deste considero esta curta passagem de Stern & Byrne, a melhor!

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Igor 3 de março de 2021 - 23:44

“O ódio se chama sangue” foi o arco ou a “revista” que me fez gostar do Capitão América, que era um personagem que eu não gostava muito. Mas o trabalho do Roger Stern e a rte incrível de John Byrne me conquistaram e me fizeram saber apreciar o personagem que o Capitão América é. Uma ótima crítica (não tenho nada a discordar hahaha) e fiquei muito feliz por vocês a terem feito 😊

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Luiz Santiago 3 de março de 2021 - 23:44

Que bacana que essas edições te fizeram gostar do personagem! Ele tem algumas histórias muito boas, não sei se seguiu lendo. Essa crítica veio na esteira de uma homenagem que estamos fazendo aos 80 anos do personagem. Fique de olho pra pegar dicas de leitura!

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