Crítica | Demolidor: Supersonic

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Olha… haja paciência e boa vontade para tentar acompanhar a linha de raciocínio de Charles Soule nesta fase do Demolidor Vol.5. Depois do estranho, mas ainda aceitável arco Chinatown, o autor nos trouxe um segundo drama, agora, essencialmente ruim. Composto pelas edições #6 a 9 do título mensal, mais a primeira revista anual da saga, Supersonic (título umbrella) conta, na verdade, com 4 diferentes histórias. Uma história com Elektra, nas edições seis e sete; uma com o Homem-Aranha, nas edições oito e nove (intituladas O Blefe do Homem Cego) e duas na edição anual, uma com Eco (Maya Lopez) e o Garra Sônica e outra com o Gladiador. E sim, todas elas são ruins.

A minha maior dificuldade aqui foi encontrar uma unidade no Universo pensado por Soule. Vejam, já se vão 9 (nove!) revistas mensais e um anual e parece que estamos tratando de desconexos “casos da semana”, sem ter muita coesão com o que esperávamos vir em sequência para o herói, partindo de um princípio narrativo básico. E claro, isso me impressiona bastante, até por se tratar de padrões Marvel, já que a exploração dessa seara urbana e humana ligada aos protagonistas é a coluna centra central da editora. Se acena para algo assim, no arco com a Elektra, o autor deixa escapar aquilo que de fato nos interessa, ou seja, a interação do Demolidor com a coisa toda. Mesmo que isso volte em aventuras posteriores, é gritante o desligamento do leitor em relação ao que vê nessas páginas. O herói simplesmente não é interessante aqui. Até a participação de Ponto Cego parece algo insosso e desligado de um sentido maior. A história não se faz sentir como uma história do Demolidor.

De certa forma, as coisas melhoram na trama seguinte, com o Homem-Aranha, em Macau. O que mais chama a atenção aí são as cenas de ação e aquela aparência intrigante de filmes em Cassinos que a gente conhece tão bem. Isso nos fisga por uma boa parte da edição, mas o mistério sobre a identidade de Matt em relação aos que estão ao seu redor é algo que ainda não me desce. É uma mudança grande demais, com impactos grandiosos demais para ser protelada tanto assim ou para ter um paupérrimo desenvolvimento de justificativas. Note que o drama de “o que há na maleta?” não é forte o suficiente para dar suporte a uma aventura de descoberta, porque o autor achou normal enfiar um plano (mesmo que seja um blefe) do Demolidor para “acabar de uma vez por todas” com uma longa lista de vilões. Sem contar que os diálogos com o Aranha são vergonhosamente caricatos, com pouquíssimos balões onde algo nos diverte (só nas gracinhas de Peter mesmo). Chega uma hora que a leitura se torna penosa. Triste fim.

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Os amigões da vizinhança juntos mais uma vez.

Se nem a história e muito menos a arte das mensais me agradaram, a coisa não melhora na revista anual. Muito pelo contrário, a coisa se torna ainda pior. E isso me entristece, já que anuais são uma boa oportunidade de plantar sementes interessantes para o futuro do título, ou criar-se um conto mais maduro, com uma trama que não caberia facilmente nas revistas em andamento. Charles Soule, no entanto, perde mais uma oportunidade. Nem ele, com sua história sem graça envolvendo Ulysses Klaw, o Garra Sônica, e nem Roger McKenzie, com o Gladiador conseguem apresentar algo relevante para o Homem Sem Medo. E sim, “relevância” é a palavra de carência no corrente título do herói. Ainda é possível se divertir com algumas boas cenas de luta e também com o modus operandi do Demolidor, mas não há muito do que se salvar nos enredos principais desse encadernado. Uma queda e tanto de qualidade em comparação ao run anterior. E uma preocupação enorme para os leitores que pretendem continuar lendo o título. Será que melhora?

Daredevil Vol.5 #6 a 9 + Annual #1 (EUA, junho a outubro de 2016)
No Brasil: Demolidor 2ª Série – n° 13 (Panini, junho de 2017)
Roteiro: Charles Soule
Arte: Matteo Buffagni, Goran Sudzuka (regulares), Vanesa Del Rey (anual)
Cores: Matt Milla (regulares), Mat Lopes (anual)
Letras: Clayton Cowles
Capas: Bill Sienkiewicz, Vanesa Del Rey, Giuseppe Camuncoli, Daniele Orlandini
Editoria: Sana Amanat, Charles Beacham, Mark Paniccia, Chris Robinson
124 páginas (encadernado Panini)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.