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Crítica | Game of Thrones – 6ª Temporada

por Iann Jeliel
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Nota da temporada (não é uma média):

  • Contém SPOILERS. Leia aqui as críticas das demais temporadas e/ou episódios. E aqui, as críticas por episódio dessa temporada para ter uma visão mais detalhada.

Tendo em vista que George R.R. Martin não conseguiria escrever a conclusão da saga de livros de Game of Thrones a tempo do planejamento do fim da série, os produtores receberam ao menos um norte que o escritor queria para a história, e com base nele, a partir dessa temporada, o roteiro viria a afunilar toda a complexidade de tramas em direcionamentos mais objetivos visando um desfecho mais lógico, e assim desvinculando um pouco de características essenciais da série em apreços geográficos, intrigas mais interpessoais dos personagens, e claro, as famosas reviravoltas. Em contrapartida, o material previamente consolidado e a estratégia da quinta temporada em posicionar quedas dos seus protagonistas para uma eventual volta por cima nesta temporada, alçarão a sexta para um dos anos mais empolgantes da série, muito porque os showrunners David Benioff e D.B. Weiss a articularam considerando pensando no fenômeno que ela é hoje, quase uma novela com superprodução.

Há quem ache um absurdo essa rotulação, mas sempre achei ela adequada para a série, afinal o que prende a atenção do grande publico em Game of Thrones foram as intrigas de familia, política e personagens carismáticos em uma estrutura narrativa de constante troca de núcleos. A diferença é a falta de mais viradas na história, não que elas não estejam presentes, por exemplo, a grande revelação do Hodor (Kristian Nairn) em The Door foi um dos momentos mais surpreendentes da série, mas os desdobramentos gerais pareciam realmente previsíveis. E por mais que fossem, não havia o menor problema, pois dentro dos arcos de transformações e evoluções dos personagens, todas as decisões eram coerentes com a essência vigente da desconstrução da predestinação da mitologia, principalmente nas figuras dos protagonistas: John (Kit Harington) e Daenerys (Emilia Clarke). Ambos passaram por inúmeras provações para se tornar personagens dignos ao trono por seus próprios méritos, assim como a Cersei (Lena Headey) no lado oposto, sacrificando tudo para estabelecer a tirania ao poder.

Aliás esse arco de Cersei foi a prova de que com pelo menos direcionamentos planejados e bons diretores, a forma pode ser imprevisível. Como a maior qualidade de Game of Thrones das antigas, em todo momento o jogo político entre o Alto Pardal (Jonathan Pryce) – que se tornou um personagem muito mais interessante diga-se de passagem – e a futura rainha foi muito interessante de acompanhar, com manipulações de lá para cá, que a cada episódio, ou deixavam o terreno incerto de quem iria sobressair, ou deixaria mais incerto como Cersei iria contornar a situação, visto que, na construção narrativa, era obvio que ela tinha que ganhar o trono. Mas aí é que está, nessa maneira dinâmica e bem pausada, numa fragmentação temporal longe de evitar barrigas, mas ainda em timing ideal para promover a maturação emocional adequada ao momento de virada ser mais empolgante. Sem a enrolação da temporada anterior, os momentos decisivos desta temporada se intensificam em altíssimo nível, sem precisar de consequências drásticas para serem impactantes pelo cuidado com o qual foram construídos.

A explosão do septo de Baelor está entre as melhores sequências da série, bem como a “batalha dos bastardos” uma das melhores sequências de guerra/ação da série, pelos mesmos méritos de aproveitar uma jornada anterior e fragmentar o processo da nova na melhor adequação para a climática. De novo, era previsível Snow vencer Ramsey (Iwan Rheon), assim como Daenerys daria a volta por cima aos senhores dos escravos e os Dortharki em Meeren, mas a maneira – por mais que tenha contestado da falta de estratégia e utensílios de deus ex-maquina ou a falta do que fazer de útil Tyrion (Peter Dinklage) na história – como foi resolvida junto a boa parte dos momentos chave da temporada, é inegavelmente épica e recompensadora, em especial pela construção dos dois últimos episódios dirigidos pelo ótimo Miguel Sapochnik – Battle of the Bastards e The Winds of Winter. Ele conseguiu não só fazer um fechamento de temporada fabuloso em dois espetáculos visuais e narrativos, como poucos episódios na série, como deu um encerramento de ciclo de “caminhada” ao inverno – que finalmente chegou – e com ele a eterna promessa –agora, finalmente, realidade – da fantasia ganhar corpo principal na série.

Vale destacar também Jack Bender no processo, responsável por encaminhar um aceleramento forte narrativa num meio de temporada que em algum momento parecia cair no território de enrolação da anterior, mas além de não cair – apesar do medíocre episódio The Broken Man no caminho – só se intensifica em uma crescente muito promissora se continuar para essas últimas temporadas, e tudo indica que vai melhorar. Com a liberdade autoral sobre a narrativa e a prisão adaptativa resumida a linha final, o terreno está livre para Game of Thrones traçar vários caminhos de fazer um clímax digno da grandiosidade desta produção. Fiquemos animados e curiosos para saber como irá se desdobrar o fim da guerra dos tronos.

Game of Thrones – 6ª Temporada | EUA, 2016
Criação: David Benioff, D.B. Weiss (baseado em obra de George R. R. Martin)
Direção: Jeremy Podeswa, Daniel Sackheim, Jack Bender, Mark Mylod, Miguel Sapochnik
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss, Dave Hill, Bryan Cogman
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Aidan Gillen, Liam Cunningham, Carice van Houten, Natalie Dormer, Indira Varma, Sophie Turner, Nathalie Emmanuel, Rory McCann, Maisie Williams, Conleth Hill, Alfie Allen, John Bradley, Tom Wlaschiha, Gwendoline Christie, Hannah Murray, Jonathan Pryce, Kristofer Hivju, Michiel Huisman, Michael McElhatton, Iwan Rheon, Dean-Charles Chapman, Isaac Hempstead Wright, Jerome Flynn, Iain Glen, Daniel Portman, Natalia Tena, Art Parkinson, Bella Ramsey, Max von Sydow, Ellie Kendrick, Kristian Nairn, Joseph Mawle, Kae Alexander, Vladimir “Furdo” Furdik, David Bradley, Clive Russell, Tobias Menzies, Daniel Tuite, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Ian Davies, Ian McShane, Gemma Whelan, Pilou Asbæk, Alexander Siddig, Diana Rigg, Julian Glover, Finn Jones, Eugene Simon, Ian Gelder, Hannah Waddingham, Hafþór Júlíus Björnsson, Lino Facioli, Faye Marsay, Richard E. Grant, Essie Davis, Jacob Anderson, Joe Naufahu, James Faulkner, Samantha Spiro, Freddie Stroma, Rebecca Benson
Duração: 10 episódios – 50 minutos em média cada episódio

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