Crítica | Legends of Tomorrow – 4X12: The Eggplant, The Witch & The Wardrobe

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  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

A tentativa dos roteiristas para engatar novamente uma boa leva de capítulos em Legends of Tomorrow, após o hiato desta 4ª Temporada, tem se mostrado bastante penosa. Até o momento, não tivemos nenhum episódio ruim, mas é certo que depois de uma sequência de capítulos absolutamente geniais, bizarros e hilários, chegamos a um ponto do show onde a realidade burocrática do fechamento de arcos toma mais espaço do que enredos malucos e puramente orgânicos, o que faz bastante falta e destoa esse retorno do restante do desenvolvimento neste quarto ano. Todavia, conhecendo bem o caminho de preparação de temporadas para uma série com mais de 10 episódios (e isso não só na CW, vale dizer), é possível entender certas escolhas dos showrunners, mesmo sabendo que isso tem um preço de qualidade.

The Eggplant, The Witch & The Wardrobe é uma mistura incrível de comédia romântica (com o dilema de como mandar a mensagem correta para o seu crush num momento de convite para sair) com Nárnia e referências a Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993) e Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento (2000). O roteiro de Faust e Miles — ambos anteriormente responsáveis por textos de episódios sensacionais na série, como Here I Go AgainI, AvaHell No, Dolly!  — acertam o tom da comédia em todos os blocos, propõem uma forma inteligente de cada grupo de heróis lidarem com tudo o que está acontecendo no momento, mas acaba não funcionando muito bem na maneira como faz a linha dramática do demônio se desenvolver.

A sensação é de ver um texto muito bem organizado, com blocos engraçados e inteligentes (vide a DR no Purgatório de Ava e Sara ou a hilária jornada de Zari e Cia. para escrever uma mensagem para Nate), mas quando o verdadeiro objeto de atenção do episódio, aquilo que faz a narrativa avançar, ganha atenção… o texto não alcança o mesmo nível. A esta altura do campeonato eu confesso que tenho dificuldades de fazer uma leitura mais racional da coisa toda, porque simplesmente adorei os capítulos pré-hiato. Ao mesmo tempo, vejo essa correria e falta de jeito do roteiro em dar a resolução para o demônio como uma falta de preparação maior nos capítulos anteriores, focados quase que exclusivamente na caça de criaturas mágicas e não na grande ameaça da temporada, que se construiu bastante lentamente. E só para deixar claro — se ainda não ficou — não tenho reclamações desse porte para os 8 primeiros capítulos dessa temporada, que foi pura diversão para mim. Os problemas maiores começaram do final de Lucha de Apuestas para cá.

A interpretação de Christian Keyes possuído por Neron, aqui, é soberba. Uma pena que seu exorcismo aconteceu e eu realmente não tenho muita certeza do que achei da salvação dele, como produto final. O lado bom disso é que agora temos o escoteiro feliz, Ray Palmer, possuído pelo demônio e isso será muito interessante de se ver no próximo episódio. Neste 12º da temporada, contamos com um equilíbrio entre blocos de espera (com comédia em alto ponto para segurar a narrativa) e blocos de diferentes tipos de ação e propostas de resolução de um enigma. Como falei antes, para mim, o roteiro tropeçou mesmo na forma como tratou o caso de Neron, que ainda é obscuro, sem um verdadeiro motivo fora a concepção demoníaca dele, o que me incomoda um pouco também, já que agora só temos mais 4 episódios pela frente. Eu espero com todas as minhas forças que não haja correria e pontas soltas na conclusão desta saga. Que os Deuses do amanhã nos escutem. #oremos

Legends of Tomorrow – 4X12: The Eggplant, The Witch & The Wardrobe (EUA, 22 de abril de 2019)
Direção: Mairzee Almas
Roteiro: Morgan Faust, Daphne Miles
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Ramona Young, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Adam Tsekhman, Christian Keyes, Nima Gholamipour, Brenda Matthews
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.