Home TVEpisódio Crítica | Legends of Tomorrow – 7X06: Deus Ex Latrina

Crítica | Legends of Tomorrow – 7X06: Deus Ex Latrina

Alguns problemas do passado se libertam no futuro... ou caem do céu.

por Davi Lima
1.144 views (a partir de agosto de 2020)

latrina

  • Há spoilers! Leiam, aqui, as críticas dos outros episódios da série.

Oh crap!
– Todos os Legends

A saída dos Legends de 1925 dá um reset serial para implementar um novo olhar sobre a perspectiva da série. Após as pausas narrativas diferenciadas, como o episódio 100 – comemorativo e nostálgico – e o Speakeasy Does It – que se diverte em observar o tempo passar ao redor da série, Deus Ex Latrina é um misto de tábula rasa com explicações e dramas com retrospectiva de desenvolvimento. O ambiente da floresta é uma incógnita, o primeiro mistério, a maneira como Bishop interferiu todo esse tempo nos conflitos dos Legends é o segundo e o terceiro é acerca do desabafo traumático do cientista louco que é mais romântico, chamado Gwyn Davies. Dessa maneira, o episódio mantém os personagens ocupados e progride em viajar no tempo.

O personagem que mais contribui para uma visão panorâmica disso tudo é Nate. Ele dá um significado de paciência e imediatismo ao episódio. Enquanto Sarah e Eva discutem como um bom casal, o homem de aço lidera tarefas para as novatas Spooner e Astra ajudarem as recém casadas a trabalharem para fazer um acampamento no começo, mas no momento mais intenso do episódio ele precisa declarar a Zari que aceita morar no Totem com ela. Essa dinâmica, mais uma vez, semelhante a gangorra forte que foi It’s a Mad, Mad, Mad, Mad Scientist, frutifica em Legends of Tomorrow por conseguir abarcar a trama de sequências de problemas que são resolvidos às vezes na sorte, às vezes por competência dos heróis. E, especialmente nesse episódio, a execução de desenvolvimento aparece mais implicitamente, como em Nate, ajudando a trama ter organização na sua dramaticidade envolta do cientista, na comédia sexual entre Gideon e Gary e no percurso narrativo explicativo envolvendo Bishop.

Pegando a história pelo meio, ou pelo começo e o fim, por mais que Bishop não seja um vilão, ou até mesmo um personagem que conquistou tanto assim os espectadores, em Deus Ex Latrina o título não referencia comicamente o personagem por acaso. Sua saída da Waverider latrina abaixo (eu precisava escrever isso) e sua descida de paraquedas no momento exato que os Legends usavam a máquina do tempo, muda-se bastante sobre o que esperar sobre como o personagem vai ser utilizado para o resto da temporada. Junto às explicações objetivas, sem perder tempo com detalhar como Bishop tem feito a bola de neve de problemas para os Legends, há a transformação do personagem numa vítima da sua própria criação: Gideon do futuro. Ela se torna uma espécie de HAL 9000, só que com a luz azul. A morte de Ava, ambas brigando pela atenção de Bishop, e como ele descobre as várias clonagens de sua pessoa como um processo contínuo de se tornar um personagem melhor – em que os Legends tentaram ajudar nisso – cria um dilema moral fino, mas suficientemente agregador a trama estática do episódio.

Como foi dito, é um misto de tábula rasa e explicações com retrospecto. Mas e a tábula rasa? O contexto da floresta, os personagens como Gary e Gideon do presente se conectando e os trabalhos ordinários do acampamento já contam isso, no entanto, quem não se conhecia muito ainda era o cientista. Gwyn Davies, após a viagem no tempo, simboliza bem o reset citado no começo do texto, pois há todo um cuidado do episódio para seu drama homossexual da Primeira Guerra Mundial, todo o seu passado que Zari se propõe a ouvir e como ele encontra no futuro dele – década de 80 antes da explosão de Chernobyl – uma maneira de expurgar o trauma de guerra e mudar o tempo, algo que queria fazer com sua máquina, para salvar o amor da sua vida. Os dois mistérios se resolvem no mesmo tempo e espaço com o drama de Gwyn, enquanto Bishop é a conexão das linhas temporais.

Por fim, se o espectador estava achando (assim como eu) que a temporada não precisava de vilão, especialmente Bishop, talvez haja um engano duplo. Porque, afinal, o personagem pode mudar de lado, e ter uma Gideon parecida com a IA de 2001 – Uma Odisseia no Espaço pode ser uma baita sacada, ainda mais agora com a Gideon humana entre os Legends. Deus Ex Latrina perde um pouco da qualidade pela trama de Bishop, mas a mudança de perspectiva aumenta bastante a expectativa sobre como tudo vai se desenrolar. Entre o super drama e o auge cômico, o episódio só podia terminar mesmo com um problema, ou uma solução, caindo do céu.

Legends of Tomorrow – 7X06: Deus Ex Latrina – EUA, 17 de novembro de 2021
Direção: Nico Sachse
Roteiro: Ray Utarnachitt, Mercedes Valle
Elenco: Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Olivia Swann, Adam Tsekhman, Shayan Sobhian, Lisseth Chavez, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Matt Ryan, Giacomo Baessato, Raffi Barsoumian, Andre Roshkov
Duração: 42 min.

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