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Crítica | Splash: Uma Sereia em Minha Vida

por Gabriel Carvalho
198 views (a partir de agosto de 2020)

“Eu sou um cara muito legal. Se eu tivesse amigos, você poderia perguntar a eles.”

Contém spoilers.

Splash: Uma Sereia em Minha Vida é, perceptivelmente, um filme dos anos 80. Contudo, já para começar essa análise com um pé na porta, a maior diferença deste filme para outros que aprendemos a amar é que ele desperdiça completamente uma história que, na teoria, poderia dar margem para uma daquelas belíssimas de amor. O encontro entre Allen (Tom Hanks) e uma sereia, apelidada mais tarde de Madison (Daryl Hannah), ainda quando ambos eram crianças, pincela um poético romance destinado a acontecer. Mas, se tem algo que o diretor Ron Howard não conseguiu fazer com essa obra, foi dar organicidade a esse romance, especialmente ao amor louco que Madison acaba nutrindo por Allen. Por outro lado, o jovem, interpretado pelo ainda novo Tom Hanks, já tem ao seu lado uma justificativa perfeitamente cabível para sua paixão pela sereia. Sem ele saber o que ela realmente é, a bela mulher, em busca do garoto que ela encontrou quando ainda era pequena, aparece nua em Nova Iorque à procura dele, portando sua carteira de identidade. Nenhuma química, senão a sexual, é estabelecida e somos obrigatoriamente forçados, assim como eles foram forçados a se amar por esse roteiro genérico, a acreditar neste enredo bobinho, até para os padrões de algumas pérolas do cinema oitentista.

Primeiramente, a narrativa, movimentada por um roteiro assinado por quatro cabeças, encontra soluções extremamente abruptas, nem um pouco intencionadas a serem bem construídas. A rapidez de Madison em aprender a falar e entender o inglês apenas assistindo a televisão é problemática, pois soa como uma solução barata para justificar uma característica complicada de trabalhar no papel e em cena. Escrever uma personagem muda não é a tarefa mais fácil. Mas a realidade é que a obra se valeria muito mais do silêncio, sem precisar ficar colocando diálogos entre os dois personagens. Seria uma jogada diferente, a qual daria muito mais liberdade para Ron Howard fazer algo realmente original e extraordinário. Por outro lado, no momento em que a sereia ainda não tem conhecimento da língua inglesa, os realizadores não se esforçam para construir um vínculo real entre ela e Allen. O personagem de Tom Hanks é extremamente prolixo no papel, quando poderia ter sido entregue aos dois uma cena a base de olhares e não a base de falas. No final das contas, Splash poderia ter o título brasileiro de Uma Sereia em Nova Iorque, pois é igualzinha a inúmeras outras abordagens de criaturas ou pessoas deslocadas de seu lar para uma cidade grande, a qual costuma sempre ser a mesma, as vezes variando em tons de Los Angeles ou Las Vegas.

Por falar na direção, a câmera de Ron Howard não parece estar sendo direcionada de uma forma original, estilizada. Há alguns enquadramentos levemente diversificados, mas o diretor acerta apenas na perseguição final. É um momento rápido, mas funcional, surpreendentemente até mesmo no seu final. Todavia, o que revela como mais uma complicação na execução do longa-metragem é a montagem de Daniel P. Hanley e Mike Hill, que ora acerta em deixar as ações mais dinâmicas, ora erra em tirar a fluidez de cena para cena. Além disso, com a obra sendo situada alguns poucos minutos em Cabo Cod, é uma pena que a cinematografia de Donald Peterman decepcione, embora dentro do mar, nos poucos segundos em que a câmera decide entrar embaixo d’ água, o diretor de fotografia sabe trazer um encantamento subaquático para nós. Por falar nessa mística marítima, Splash, infelizmente, não ousa tratar desse universo lendário. Isso é, aliás, um ponto que dificulta nossa total inserção dentro desse amor entre os pombinhos protagonistas. Por algum motivo aleatório a sereia só pode ficar na cidade por sete dias. E, depois, por algum motivo aleatório inexplicável, a sereia de repente pode ficar lá para sempre. Mais tarde, por outro motivo qualquer, Allen pode ir com ela para o mar e virar uma versão de “sereio”. Os roteiristas utilizam de diversas saídas inesperadas, nunca previamente comentadas, muito menos justificadas, que servem apenas para entregar a história que eles idealizaram.

Já a obra, quando se trata de seu campo interpretativo, consegue nos brindar com a ingenuidade cativante de Daryl Hannah, sensacional no âmbito transmissor dos aspectos mínimos e máximos das diferenças de sua vida marítima com a sua vida no meio da cidade grande. A obra explora com humor muito dessas questões. Ademais, em seu primeiro sucesso de bilheteria, Tom Hanks também não erra a mão, parecendo naturalmente desconfortável com a possibilidade de um novo amor, embora, reitero, é impossível comprar por completo essa história romântico. Não é que falte química; os atores funcionam em cena. Mas tudo que os dois fazem de certo, o roteiro pega, joga no chão e pisa sem dó nem piedade. Que pedido de casamento foi aquele? Menos de uma semana que conhece a garota e já está dando uma de Ted, de How I Met Your Mother? Sob comparações, Ted, porém, é um personagem que teve muito menos tempo, apenas 20 minutos, para justificar essa atitude, e o realizadores da série fizeram isso perfeitamente. Mas, aqui, os roteiristas decidem que o personagem de Hanks vai ficar bravo e imaturo diante de uma rejeição (ao pedido de casamento feito em menos de uma semana de “relacionamento”). Não é à toa que o protagonista torna-se antipático diante de tamanha burrice narrativa.

Entretanto, sendo honesto com a própria obra, se o amor entre o jovem e a sereia é simplista ao máximo, o mesmo não pode se falar da relação entre Allen e seu irmão Freddie Bauer (John Candy). Há um tentativa pobre, no início, de se fazer graça com a perversão deste personagem, mas, do meio pro final da duração do filme, Freddie torna-se um alívio cômico muito mais simpático. O mesmo acontece com o Dr. Walter Kornbluth (Eugene Levy), um “homem da ciência”, destinado a fazer o mundo acreditar em sereias, ganhando mais camadas como personagem, mesmo que a execução do roteiro acabe priorizando o seu lado cômico. O roteiro também não faz questão alguma de idealizar uma investigação do paradeiro da sereia. Kornbluth, do nada, revela-se como um perigo para as cenas, sem nenhuma base para acreditarmos que algo realmente significativo está acontecendo. Parece que estamos diante de um aglomerado de esquetes, sem peso. Pensou em uma linha narrativa para nos instigar a continuar assistindo ao filme? Espere uma boa parte do tempo sentado na cadeira até perceber o doutor como um personagem realmente importante. Seja como for, você pode até ter alguma memória afetiva com esse filme devido sua infância, ou gostar dele imensamente; ele consegue ser uma diversão leve e charmosa para uns. Mas é um completo absurdo essa indicação da obra à Melhor Roteiro Original, no Oscar.

Splash: Uma Sereia em Minha Vida (Splash) – EUA, 1984
Direção: Ron Howard
Roteiro: Lowell Ganz, Babaloo Mandel, Bruce Jay Friedman, Brian Grazer
Elenco: Tom Hanks, Daryl Hannah, Eugene Levy, John Candy, Dody Goodman, Shecky Greene, Richard B. Shull, Howard Morris, Tony Longo, Lowell Ganz, Maurice Rice, Bill Smitrovich, Charles Macaulay
Duração: 111 min.

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28 comentários

Igor Ferreira 21 de julho de 2018 - 22:02

Olha Gabriel, acredito que cada obra tem seu mérito pela qualidade de acordo com a época em que foi produzida. Fazer uma análise técnica como essa, com o olhar atual é um completo contrassenso, o filme cumpriu sua tarefa em seu tempo e o fez bem, é um filme maravilhoso e consegue agradar até a atual geração (minha sobrinha adorou o filme).

Responder
Rene Had 10 de fevereiro de 2018 - 12:40

Ah desculpa mas eu discordo totalmente de vc, o filme é encantador e acho que mereceu sim uma.indicaçao ao Oscar de roteiro. Veja a cotaçao dele.no Rotten, 90%. Bom nessa critica vc viajou

Responder
Rene Had 11 de fevereiro de 2018 - 11:33

Eu errei na digitacao seu bosta

Responder
Rene Had 11 de fevereiro de 2018 - 11:33

Eu errei na digitacao seu bosta

Responder
Rene Had 11 de fevereiro de 2018 - 12:06

Que bom que estou divertindo um mané kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2018 - 12:37

HAHAUAHAUAHUAAUAHUAHAUHAUHAAUAHUAHUH

Rene Had 11 de fevereiro de 2018 - 13:02

Hauhauhauhauhauhauhauhau

Rene Had 11 de fevereiro de 2018 - 13:02

Hauhauhauhauhauhauhauhau

Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2018 - 12:37

HAHAUAHAUAHUAAUAHUAHAUHAUHAAUAHUAHUH

Luiz Santiago 20 de janeiro de 2018 - 20:41

CADÊ AS 5 ESTRELAS???

Responder
Gabriel Carvalho 21 de janeiro de 2018 - 10:24

@luizsantiago:disqus, no fundo do mar…

Responder
Luiz Santiago 21 de janeiro de 2018 - 15:16

HEREGE!

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Rene Had 11 de fevereiro de 2018 - 13:04

Para que estrelas se vc nao sabe nem.interpretar texto geraçao floco de neve, Mané kkkkkkkkkkkkkkk

Responder
Rene Had 11 de fevereiro de 2018 - 13:04

Para que estrelas se vc nao sabe nem.interpretar texto geraçao floco de neve, Mané kkkkkkkkkkkkkkk

Responder
planocritico 20 de janeiro de 2018 - 19:57

Mais uma HERESIA desse tal de Gabriel Carvalho… Primeiro foi com Grease 2, agora é com Splash…

Vou ter que tirar a poeira do meu Death Note…

HAHAHAHAHHHAHAHHAHAHAHAA

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel Carvalho 21 de janeiro de 2018 - 10:22

@planocritico:disqus, HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Já estou pensando no meu próximo alvo dos anos 80…

Responder
Flavio Batista 24 de janeiro de 2018 - 15:23

tenho uma dica: q tal Ruas de Fogo?

Responder
planocritico 11 de fevereiro de 2018 - 13:53

Ruas de Fogo!!! Um clássico!!! Mas o Gabriel não pode fazer não, he, he, he…

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista 14 de fevereiro de 2018 - 13:41

E porque ele nao pode? vc pretende fazer essa critica? ebaaa

Gabriel Carvalho 5 de março de 2018 - 05:26

Porque se eu der mais uma estrela para um filme dos anos 80 eu sou expulso do site…

Gabriel Carvalho 5 de março de 2018 - 05:26

Porque se eu der mais uma estrela para um filme dos anos 80 eu sou expulso do site…

Flavio Batista 14 de fevereiro de 2018 - 13:41

E porque ele nao pode? vc pretende fazer essa critica? ebaaa

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