Crítica | O Fantástico Sr. Raposo

estrelas 5

O Fantástico Sr. Raposo é uma obra de arte audiovisual em stop-motion dirigida por Wes Anderson, baseado no livro homônimo para crianças, escrito pelo galês Roald Dahl (o mesmo autor de Charlie e a Fábrica de Chocolate). Reduzir esse filme a apenas um “desenho” ou mesmo a apenas uma experimentação de Anderson, é extremamente injusto para o resultado que ele alcança.

Stop-motion, para quem não sabe, é uma antiga técnica de animação que emprega bonecos e uma generosa dose de paciência, pois o animador tem que movimentá-los 24 vezes para cada segundo de filme. Essa técnica foi usada, por exemplo, no King Kong original de 1933 e posteriormente absurdamente aperfeiçoada por Ray Harryhausen em filmes como Jasão e os Argonautas e Fúria de Titãs (o original, não o pavoroso remake). Mais recentemente, a técnica tem sido usada com extrema sofisticação, dentre outros, por Henry Selick em 1993 em O Estranho Mundo de Jack e em 2009 em Coraline.

A pergunta que fica é: qual é a relação de Wes Anderson com o stop-motion? Bom, posso dizer com certeza que, antes de O Fantástico Sr. Raposo, usar os dois nomes em uma frase só era impossível. Depois de Mr. Fox, fico me perguntando quando o diretor voltará para esse grau de experimentação.

Não se enganem. Apesar de ser animação e de ser baseado em um livro feito para crianças, a fita não é, exatamente, uma obra para crianças. Não que uma criança não possa assisti-lo. Pode sim, pois não tem violência nem palavrões, mas a temática é decididamente adulta. Diferentemente do que vemos por aí, não é um filme para crianças que os adultos podem ver, mas sim justamente o contrário: um filme para adultos que crianças podem ver (e genuinamente gostar).

A história gira em torno do Sr. Raposo, cuja voz é a de George Clooney e da Sra. Raposa (ou seria “Raposo” também?), uma raposa cuja voz é a de Mery Streep. Os dois vivem a vida roubando aves das fazendas vizinhas até que a Sra. Raposa revela que está grávida. É o fim da vida de aventuras do Sr. Raposo. Domado, tolhido, preso, o Sr. Raposo larga a vida de furtos e passar a ser um colunista de jornal. Com o tempo, a família acaba se mudando para uma espaçosa árvore cujo inconveniente é ser localizada em frente às fazendas de três virulentos produtores rurais: Boggis (Robin Hurlstone), Bunce (Hugo Guinness) e Bean (Helen McCrory).

O Sr. Raposo não resiste e, juntamente com o amigo Toupeira (com a voz de Bill Murray), resolve voltar à prática do furto. Afinal, essa é sua natureza. Assim, ele passa a planejar, no melhor estilo de “filme de roubo de banco”, uma grande operação em cada uma das fazendas, mas, claro, tudo acaba dando errado e Boggis, Bunce e Bean contra-atacam, acabando por desalojar todos os bichos. Resta, agora, ao Sr. Raposo, consertar o grande problema que criou, demonstrando sua responsabilidade perante a família e seus amigos.

Usando, como de hábito, cores em tons pasteis, muita simetria, movimentos verticais e horizontais de câmera e uma excelente trilha sonora de Alexandre Desplat cirurgicamente  inserida na narrativa, Wes Anderson triunfa mais uma vez. Sua animação stop-motion, bem simples, rústica mesmo, completamente diferente das  extremamente sofisticadas animações do já citado Henry Selick, nos leva de volta a tempos mais simples também, além de permitir a Wes Anderson a obtenção de ótimos efeitos que passam com perfeição os temas de tentação, a luta contra a própria natureza, a adrenalina da aventura e, finalmente, a responsabilidade. Em muitos momentos parece que estamos assistindo àqueles antigos cartoons dos Looney Tunes ou Tom e Jerry e a sensação é muito agradável, nostálgica mesmo.

Outro ponto de destaque é o trabalho de voz de todos os envolvidos. Clooney, Murray e Streep encantam em seus respectivos papeis, sem chamar atenção artificialmente para si mesmos. Sabemos quem são, mas as vozes estão a serviço do filme e não o contrário.

Em poucas palavras, O Fantástico Sr. Raposo é exatamente isso: fantástico. Um deleite visual que merece ser visto, revisto e aplaudido.

O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox, EUA – 2009)
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Noah Baumbach (baseado em livro de Roald Dahl)
Elenco: George Clooney, Meryl Streep, Jason Schwartzman, Bill Murray, Wallace Wolodarsky, Eric Chase Anderson, Michael Gambon, Willem Dafoe, Owen Wilson, Robin Hurlstone, Hugo Guinness, Helen McCrory
Duração: 87 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.