Crítica | Short Trips – Volume 2 (Big Finish)

Este Segundo Volume das Short Trips foi lançado pela Big Finish em Fevereiro de 2011. O formato permanece exatamente como o da primeira edição, trazendo uma aventura para cada Doutor lida por um único ator ou atriz.

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1963

2X01 – Season Premiere

estrelas 4

Equipe: 1º Doutor, Vicki, Ian, Barbara
Espaço-tempo: Londres, 23 de Novembro de 1963

História simples e interessante de Niall Boyce, lida com a excelência de sempre por William Russell, 1963 nos traz mais um alarme falso do Doutor e sua chegada a Londres no tempo e condições corretas para deixar Ian e Barbara, ansiosos em voltar para casa. Há um misto de ar macabro, esperança, condições temporais sinistras e misteriosas “visões” de Barbara em Londres, coisas que chamam bastante a atenção do espectador.

A aventura começa com uma pequena confraternização na nave, num café da manhã cedido pelo preparador sintético de comida. Em seguida, o Doutor avisa ter chegado a Londres, em 23 de Novembro de 1963, mas a cidade parada, silenciosa e ‘congelada’ que Ian e Barbara vão encontrar não é a Londres que deixaram, quando de seu sequestro na Totter’s Lane.

A música composta por Daniel Brett é sublime, com dois temas centrais assustadores, um para piano, que lembra muito o tema principal que ouvimos em De Olhos Bem Fechados, e um outro para orquestra, com destaque maior para violinos, contextualizando de maneira misteriosa a visita dos viajantes a uma Londres onde não poderiam ficar.

O assassinato de Kennedy é citado. A tia de Barbara, esperando-a em um café, lê um livro, distraída, e nem percebe o atraso da sobrinha. Um homem é assassinado. Um bebê nasce e recebe um nome notável. A TARDIS parte para um outro lugar.

É assim que acaba o mundo
Não com um estrondo, mas com um gemido.

T.S. Elliot

Citação de Barbara durante a aventura.

Roteiro: Niall Boyce
Elenco: William Russell
Duração: 1 episódio de 20 min.

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The Way Forwards

2X02

 estrelas 4

Equipe: 2º Doutor, Victoria
Espaço-tempo: Estados Unidos, 1986

Onde estava Jamie nessa história toda?

A aventura aqui mexe com paradoxos temporais e nos traz a história de um garoto genial de 15 anos de idade que inventa um modelo capaz de realizar viagens no tempo e lhe dá o nome de The Way Forwards, que também é o título dessa história.

O cenário inicial da trama é uma Feira de Ciências onde Sherman, o jovem inventor, observa com raiva e pouca atenção o que se passa ao seu redor. Ele não gosta do discurso enlatado do diretor do Colégio e dos jurados, que tentam limitar os alunos a determinadas visões a respeito da ciência. Quando vê o Doutor pela primeira vez, Sherman acha que ele é um dos professores da Feira, ao que o Doutor responde que não e dá algumas dicas para o garoto de como ele poderia melhorar o seu projeto alterando a fórmula inicial.

O que o Doutor não sabia é que Sherman iria utilizar as dicas recebias e de fato fazer alterações temporais, tentando consertar alguns erros cometidos e estabelecendo o caos (com o cruzamento de diversas linhas temporais da História da humanidade ao mesmo tempo, no local da Feira, uma bagunça maravilhosa!), que o Doutor tenta consertar, ‘resgatando-o’ do passado.

A leitura de David Troughton é muito boa e dá um bom tom para as falas do Doutor. A realização da Big Finish, como sempre, é exemplar.

Roteiro: Steve Case
Elenco: David Troughton
Duração: 1 episódio de 18 min.

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Walls of Confinement

2X03

estrelas 4

Equipe: 3º Doutor, Liz Shaw, Brigadeiro Lethbridge-Stewart
Espaço-tempo: Londres, anos 70

É importante ter em mente que essa aventura ocorre logo no início do exílio do Doutor na Terra (já em sua nova encarnação), pouco tempo depois do arco The Ambassadors of Death. Essa relação com o tempo, nos fará entender uma série de comportamentos do Doutor, sua relação explosiva com o Brigadeiro e o tipo de reflexão a que ele se entrega ao fim do episódio, uma reflexão de impacto poético-filosófico, diga-se de passagem.

Assim como no 1º Volume dessas Pequenas Viagens, o 3º Doutor está ao lado de uma criança. Desta vez, Albert, o neto do Brigadeiro Lethbridge-Stewart. Sem saber muito o que fazer como babá do garoto, o Doutor o leva a um zoológico e uma sequência de eventos ligados à postura sempre traquinas de uma criança faz com que Albert acabe com a mão dentro da boca de um tigre.

Embora toda a parte densa do salvamento de Albert seja bem escrita e mereça destaque, o bom mesmo dessa história é o início e o final. Em ambos os extremos, percebemos a angústia do Doutor em ser obrigado a viver num planeta e ter que obedecer suas regras absurdas. Ao fim da aventura, ele se compara com o tigre do zoológico: sem liberdade, confinado a um espaço restrito sobre o qual não teve opinião de escolha.

Não é à toa que ele faça uma doação ao zoológico a fim de que aumentem a jaula do tigre. Ele chega a falar para Liz que ser preso contra sua vontade e sem ter feito nada de mal a alguém pode levar alguém à loucura e teme que isso, de alguma forma, também aconteça a ele. Uma reflexão realmente tocante.

Roteiro: Lawrence Conquest
Elenco: Katy Manning
Duração: 1 episódio de 17 min.

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Chain Reaction

2X04

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane Smith
Espaço-tempo: Reino Unido, anos 2000

O Doutor está em um Shopping Center esperando Sarah Jane, que fará apenas uma breve aparição ao final da história.

Como era de se esperar, o Time Lord se entedia rápido e procura alguma coisa para fazer. Ele então começa a rolar uma moeda e uma série de eventos temporais se sucedem, tendo diversas mudanças na vida dos transeuntes locais e contendo uma personagem fixa no centro dos eventos principais, o Segurança, que em momentos nada apreciados pelo Doutor aparece com postura de desconfiado para perguntar se está tudo bem.

A aventura tem realmente a cara de Tom Baker, que conseguimos facilmente imaginar nessa sequência temporal surgida de um objeto aparentemente insignificante. Nesse ponto, temos que reconhecer a habilidade de Darren Goldsmith em escrever um roteiro com tão pouca coisa mas com um desenrolar interessantíssimo de eventos.

Roteiro: Darren Goldsmith
Elenco: Louise Jameson
Duração: 1 episódio de 18 min.

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Sock Pig 

2X05

estrelas 4

Equipe: 5º Doutor
Espaço-tempo: Reino Unido, tempo indeterminado

Apesar de achar a história com um desenvolvimento um pouco confuso, não pude deixar de me emocionar e de gostar muito do todo. Unindo a bondade do 5º Doutor com o luto de uma mãe que há pouco perdera o filho, temos uma história de fantasia e bizarrices que chega até ser cômica em algum momento, especialmente porque estamos falando de uma situação onde uma torradeira ganha vida, um cavalinho de plástico dança no banheiro e bonecos de pano (especialmente o Sock Pig do título) ganham vida.

O que acontece é que há uma fenda temporal no jardim da mulher em questão e uma força chamada “Anima” conseguiu passar por lá, entrar na casa da mulher e literalmente dar vida aos objetos inanimados. A mulher passa a se acostumar com a situação, até que o Doutor aparece e “mata” os seus brinquedos.

Há uma profunda dor e muito caos no decorrer da história, duas coisas que eu jamais pensei que veria assim tão perto num texto de Doctor Who. Ao mesmo tempo que sentimos pelo luto e solidão da mulher, somos inseridos em uma sequência rápida (ainda mais na ágil leitura de Peter Davison) de acontecimentos, a maior parte deles nonsenses pelo nosso ponto de vista. Isso confunde um pouco os sentimentos, mas o resultado final é muito bom, especialmente porque vemos o coração comovido do Doutor, que deixa ‘vivo’ o Sock Pig para a enlutada mãe que o fizera de brinquedo para o filho, e, agora, o guardava como única “lembrança viva” da criança.

Roteiro: Sharon Cobb, Iain Keiller
Elenco: Peter Davison
Duração: 1 episódio de 16 min.

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The Doctor’s Coat

2X06

estrelas 4

Equipe: 6º Doutor
Espaço-tempo: Planeta Sonti, tempo indeterminado

Embora não tão amargurada quanto a reflexão do 3º Doutor em Walls of Confinement, o 6º Doutor também chega a algumas conclusões e pensamentos a respeito de si mesmo, tudo isso partindo de seu casaco roubado por um Sontila, uma espécie alienígena nativa do planeta Sonti e que vive em conchas (nessa história, o casaco do Doutor é tratado como uma espécie de concha, e o próprio Time Lord, para convencer o Sontila de que precisava de seu casaco de volta, chega a usar a expressão “minha concha”).

Fica bastante claro que os eventos dessa aventura acontecem após o arco The Trial of a Time Lord, mas não muito tempo depois. O Doutor ainda se lembra de Peri e de como ela adoraria relaxar ao lado dele nesse planeta com sóis gêmeos e garçons que recebem gorjetas em sal. A história de John Bromley é muitíssimo interessante, apesar de bastante simples.

Apostando na veia humorística do 6º Doutor em sua fase fora das telas e contando com a maravilhosa leitura de Colin Baker, a Big Finish conseguiu realizar um trabalho maravilhoso na produção da história, seja na edição de som, seja na ótima música de Daniel Brett para a aventura. Mais uma adorável pequena viagem de férias do Doutor para a lista de “coisas que não devemos fazer quando visitarmos um planeta do qual não conhecemos todos os costumes”.

Roteiro: John Bromley
Elenco: Colin Baker
Duração: 1 episódio de 13 min.

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Critical Mass

2X07

estrelas 4

Equipe: 7º Doutor, Ace
Espaço-tempo: Planeta Talalias, tempo indeterminado

A presente história começa com uma conversa entre Ace e o Doutor sobre locais interessantes que o Time Lord deveria levá-la, mas, ao invés disso, continua se metendo em problemas, sem diversão alguma. O principal objeto de promessa é Calofa VI, um Planeta-Oceano com apenas 4 metros de profundidade. De acordo com o Doutor, o local tinha os mais belos pores-do-sol e os frutos do mar mais frescos “deste lado da Ursa Menor”.

Mas ao invés de um lugar onde poderiam se divertir de verdade, o Doutor leva Ace (propositalmente) para um laboratório de pesquisa ultra-secreto em um bunker militar de um planeta assolado pela guerra: Talalias. O que impulsiona o Doutor a isso é o tipo de arma que os nativos estavam construindo, algo capaz de implodir qualquer material de constituição orgânica (!).

A história é bem escrita e tem um ótimo trabalho de edição e mixagem de som, contando também com a leitura sempre instigante de Sophie Aldred. A atriz consegue dar um necessário espírito jovem à história e, mesmo nos momentos mais tensos, logra manter a calma e a genialidade nas sugestões para planos de fuga a ponto de inspirar o Doutor a sair vitorioso do local.

Roteiro: James Moran
Elenco: Sophie Aldred
Duração: 1 episódio de 18 min.

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Letting Go

2X08

estrelas 4

Equipe: 8º Doutor, Charley Pollard
Espaço-tempo: Planeta não nomeado (lar dos Antles), tempo indeterminado

A história aqui é uma promessa sendo cumprida por Charley a um Antle de nome Stan, que deu sua vida para salvar a dela e a do Doutor. Diferente das aventuras anteriores, esta é narrada em primeira pessoa e, evidentemente, possui um forte teor emocional.

Existe algum desconforto no início da trama, mas os Antles possuem uma forma muito diferente de enxergar a morte, de forma que passam a conversar sobre Stan enquanto desfrutam uma fausta refeição. Charley traz à tona o ato heroico de Stan, algo que deixa os pais do rapaz muito orgulhosos.

O Doutor, como sempre, não sabe lidar de maneira normal ao se defrontar com uma situação de luto e tenta afastar de sua mente a memória de ter perdido um ‘companion‘, assumindo, então, a culpa pela morte de Stan para a família. Na leitura de India Fisher, o sentimento de desolação fica bastante evidente, o que dá à história o tom correto, quando se trata de uma situação desse tipo.

Roteiro: Simon Guerrier
Elenco: India Fisher
Duração: 1 episódio de 17 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.