Crítica | Sob o Capuz (2009)

under the hood sob o capuz plano crítico

Na esteira do super lançamento de Watchmen – O Filme (2009) nos cinemas, Zack Snyder e companhia deram asas a todas as possibilidades de abordagem para a grandiosa história em quadrinhos que adaptavam e empreenderam, além do longa-metragem, três outras produções cuja função era dar apoio ao filme e trazer para o espectador e fã dos quadrinhos uma maior possibilidade de gostar do que foi realizado pelo estúdio e pelos produtores desse grande projeto.

Para o mercado home video tivemos Watchmen: Motion Comic, uma animação realizada com texto e desenhos originais dos quadrinhos. Cada um dos doze livros foram animados em separado, de modo que assistir a todos os episódios do DVD é uma experiência que dura pouco mais de cinco horas. A animação não me agradou tanto assim, mas é algo que a maioria dos fãs dos Vigilantes vão conferir e até podem se apegar a uma coisa ou outra da produção.

Também tivemos o curta-metragem Contos do Cargueiro Negro, uma animação baseada na história que o rapazinho lê em Watchmen. Desenhado frame por frame pelo estúdio na Coreia do Sul, o curta é interessante no aspecto técnico, mas eu tenho uma antipatia tremenda em relação a ele justamente por conta desses desenhos (que não são ruins, eu é que não gosto deles) e das escolhas dos diretores em trazer para tela a medonha história do pirata que, motivado pelo amor e a fim de fazer o bem, enlouquece e acaba agredindo aqueles que mais amava.

Por fim, o mockumentário Sob o Capuz, dirigido por Eric Matthies. Trazendo um pouco da famosa e polêmica biografia escrita por Hollis Mason, o primeiro Coruja, Sob o Capuz é uma produção certeira, não só na forma que se apresenta, mas também no conteúdo que possui. O formato de documentário traz o toque definitivo, dando mais credibilidade ao relato do herói dos anos 1940 e mostrando uma oportuna visão de “bastidores” na vida dos Watchmen ou dos Minutemen que restaram.

Como trampolim para a abordagem principal, temos um programa de televisão que investiga temas de alta popularidade, sempre relacionados às celebridades. O bom toque narrativo é que o programa mostrado em Sob o Capuz é um show antigo, exibido em caráter especial. O toque metalinguístico aumenta ainda mais a sensação de mise en abyme e a percepção do espectador é desafiada a viajar para o passado, ver entrevistas com a primeira Espectral, com a grande estrela do programa, Hollis Mason, e alguns poucos segundos com o Comediante numa aparição clássica do anti-herói.

Interpretados pelos mesmos atores do filme, o documentário mostra com maior profundidade determinados acontecimentos ou presenta uma versão em imagem-movimento muito interessante para o que foi eternizado por Alan Moore e Dave Gibbons. Talvez o impacto tenha sido maior em 2009 mas ainda hoje, especialmente após a conclusão da série Antes de Watchmen, quando temos maiores detalhes sobre o passado desses super-heróis, o documentário se apresenta apenas como uma curiosa e instigante produção com um quê de novidade. De qualquer forma, Sob o Capuz é uma fantástica proposta para mostrar coisas que não apareceram no filme e que estão nos quadrinhos. Não dá para resistir. É um pedaço de Watchmen então é necessário conhecer. Nem que seja para não gostar.

Sob o Capuz (Under the Hood) — EUA, 2009
Direção: Eric Matthies
Roteiro: Hans Rodionoff
Elenco: Ted Friend, Stephen McHattie, William S. Taylor, Glenn Ennis, Darryl Scheelar, Niall Matter, Apollonia Vanova, Matt Frewer, Jay Brazeau, Rob LaBelle, Dan Payne, Frank Cassini, John Destry, Jennefer Jenei,  Carla Gugino, Jeffrey Dean Morgan, Erik Johnson, Danny Woodburn
Duração: 38 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.