Crítica | Westworld – 3X03: The Absence of Field

Bom, como se não bastassem as notícias ruins da atualidade, descobrimos agora que em 2058 não existirão mais elefantes. E é com essa frase animadora que eu começo a falar sobre o interessante episódio de Westworld nesta semana, que trouxe diversas perguntas e, tenho certeza, fez a festa na cabeça dos espectadores que adoram dissecar possibilidades e pensar em inúmeras teorias sobre o que assistem, o que definitivamente não é o meu caso. Mas o que foi apresentado pela série até aqui é, de fato, um bom cenário de preparação de guerra. Sigo entre curioso e animado pelo desenrolar desse conflito. Plano Crítico.

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Bom, como se não bastassem as notícias ruins da atualidade, descobrimos agora que em 2058 não existirão mais elefantes. E é com essa frase animadora que eu começo a falar sobre o interessante episódio de Westworld nesta semana, que trouxe diversas perguntas e, tenho certeza, fez a festa na cabeça dos espectadores que adoram dissecar possibilidades e pensar em inúmeras teorias sobre o que assistem, o que definitivamente não é o meu caso. Mas o que foi apresentado pela série até aqui é, de fato, um bom cenário de preparação de guerra. Sigo entre curioso e animado pelo desenrolar desse conflito.

O foco em “Charlotte” foi um exercício de sugestão muito interessante do roteiro, embora um pouco confuso no começo. E não digo isso porque a identidade de quem está naquele corpo segue um mistério para nós. Falo diretamente em relação ao processo que o texto de Denise Thé oferece, tornando a personagem presente e solidificando a sua presença com mistério e com um despertar que é capaz de gerar uma história inteirinha sobre perspectiva, entendimento de si e escolhas pessoais (até onde é possível), ou seja, o retrabalhar de ingredientes já conhecidos da série, mas que nunca perdem a validade ou a graça, especialmente quando colocados em outra base narrativa, com outros personagens, condições e consequências a serem analisados.

Confesso que só comecei a aproveitar de verdade esse bloco a partir da cena em que “Charlotte” chega em casa, mais precisamente, sua cena com o filho. A atuação de Tessa Thompson ganha aí uma outra proporção, e tanto esta quanto as cenas dela com Dolores e com o abusador que estava assediando o garotinho no parque são as minhas favoritas do episódio. É a partir do núcleo de “Charlotte” que a temporada ganha uma cara nova, adicionando um certo tempero de narrativa intricada, algo que alguns espectadores gostam bastante. O que me deixa feliz com os mistérios e possibilidades abertas neste terceiro ano é que elas nos permitem pensar diretamente nas ações em jogo, o que torna a situação mais realista e com possibilidades plausíveis que podemos aludir aqui e ali, fazendo-nos parte direta do processo de construção, mesmo que não saibamos exatamente o que está sendo construído — diferente do tsunami simbólico-temporal intransponível e permanentemente confuso da temporada passada.

O mesmo processo de lidar com dilemas de autoconhecimento ou de “acordar para a realidade” se dá no núcleo de Caleb, agora definitivamente ao lado de Dolores. O que descobrimos sobre ele é que é um humano com um implante capaz de fazer com que seja possível controlar certas funções vitais de seu corpo — ao que me parece, é algo comum para os militares do futuro. Nesse mesmo núcleo, temos mais informações sobre a misteriosa Inteligência Artificial chamada Rehoboam, vindo aqui com uma citação de “Mundo Espelhado”. O que é mais amedrontador em relação a isso é que a coleta de dados pessoais de todos nós é uma realidade hoje, e que isso é utilizado para moldar uma porção de coisas no mercado consumidor e de produção (e aqui estou sendo bonzinho e não vou levantar outras áreas porque aí teria que dar muito contexto para não entrar no barco dos alucinados de teorias de conspiração… e não estou com paciência e nem vontade de fazer isso. Sem contar que aqui não é o lugar. Quem sabe um Plano Polêmico no futuro?).

É aplaudível a maneira totalmente pé no chão com que os roteiros estão trabalhando situações complicadas e sugestões sobre o andamento da problemática central, considerando o papel diferente de cada personagem, a dúvida sobre QUEM são e como suas realidades se encaixam. Como imaginávamos, o desenvolvimento dos grandes temas começariam a partir deste terceiro episódio e não fomos decepcionados. Claro que o enredo demora um pouco mais para engatar, mas no fim, compensa com gosto o início. Ninguém segura mais Dolores!

Westworld – 3X03: The Absence of Field (EUA, 29 de março de 2020)
Direção: Amanda Marsalis
Roteiro: Denise Thé
Elenco: Evan Rachel Wood, Tessa Thompson, Aaron Paul, Vincent Cassel, Lawrence Adimora, Cody Banta, Cameron Blunt, Stephanie Burke, Cindy Choi, Lorna Duyn, Tommy Flanagan, Dexter Hobert, Remington Hoffman, Pom Klementieff, Nikol Kollars, Mathieu Szymkowiak
Duração: 65 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.