Crítica | Infinity Countdown

  • spoilers.

Em preparação a mais uma saga, desta vez “originalmente” batizada de Infinity Wars ou, em português, Guerras Infinitas (uau, no plural!), a Marvel Comics lançou uma minissérie prelúdio que, por sua vez, conta com dois prelúdios e alguns tie-ins focados em determinados personagens. O objetivo da presente crítica foi tratar não só da minissérie de cinco edições batizada de Infinity Countdown (algo como Contagem Regressiva para o Infinito), como, também, as edições que a antecede e todos os referidos tie-ins. No entanto, como abordar tudo de uma vez só seria um tarefa complicada, talvez impossível, decidi separar por grupos de edições, começando pelos dois prelúdios, seguido da minissérie em si e, depois, cada um dos tie-ins, estes em comentários menos profundos exatamente por seu conteúdo não ser lá tão importante assim para o todo.

No entanto, duas premissas básicas sobre o status quo atual do Universo Marvel são necessárias para a compressão das histórias e começarei por elas, o que pode ser considerado como spoilers para quem não estiver acompanhando as publicações:

Premissa 1: O multiverso Marvel foi profundamente sacudido ao final de Guerras Secretas (a terceira saga com esse nome se não contarmos com sua versão no singular), com a Terra-616, que é o universo padrão da editora, tornando-se uma espécie de amálgama principalmente da própria Terra-616 com o Universo Ultimate. Ainda que a saga tenha prometido “acabar” com o multiverso, a grande verdade é que isso nem de longe aconteceu e diversas realidades alternativas continuaram existindo, ainda que, agora, de certa forma de maneira mais interdependente, já que as consequências dos atos do Doutor Destino e do Homem-Molecular as tornaram mais “permeáveis” e “instáveis”.

Premissa 2: Em Marvel Legacy, um one-shot publicado em setembro de 2017 que serviu como um tira-gosto para o que viria a partir daquele momento para esse Universo Marvel amalgamado pós-Guerra Civil II e pós-Império Secreto, duas sagas posteriores à mencionada Guerras Secretas, descobrimos que Gamora está atrás das joias do infinito e que Wolverine, que havia morrido no arco A Morte de Wolverine, de 2014, está vivo mais uma vez (ooooh, que surpresa!). Mas há um porém: o Carcaju está misteriosamente de posse da joia do espaço…

Premissa 3: Alguns personagens importantes cujos status atuais precisam ser conhecidos, além de Wolverine, já abordado logo acima: (1) Ultron fundiu-se com seu criador, Hank Pym, em A Ira de Ultron; (2) para todos os efeitos, a Viúva Negra morreu em Império Secreto, mas ela, na verdade, está secretamente viva e (3) Galactus, agora, não é mais o Devorador de Planetas, mas sim um ser que preza a vida acima de tudo, depois de sua incursão ao Universo Ultimate e à Zona Negativa.

Feita essa brevíssima recapitulação, cabe, então, abordar a pré-saga conforme a estrutura que propus:

Prelúdios para a Contagem Regressiva

Infinity Countdown: Adam Warlock (one-shot)
e
Infinity Countdown Prime (one-shot)

Adam Warlock

Prime

O one-shot dedicado a Adam Warlock é uma muito bem bolada isca para atrair leitores desavisados. Afinal, não só temos Adam Warlock, um dos mais fascinantes personagens da editora, de volta dos mortos novamente, como ninguém menos do que Kang, o Conquistador é seu antagonista daquele jeito que só Kang consegue ser, sempre costurando uma história milenar cheia de idas e vindas para o passado em seu eterno controle do tempo. Coloque no mix a joia da alma (a única joia realmente interessante de todas as outras cinco mais do que genéricas) e a arte “diferentona” (e que eu adoro) de Mike Allred e pronto, qualquer leitor mais antigo ou mais novo provavelmente abocanhará a publicação com gosto e ficará curioso para ver o que acontecerá em Infinity Countdown.

Nessa nova incarnação, com direito a um cajado, Warlock é presenteado com uma viagem por sua própria história e é informado cripticamente por Kang que as Joias do Infinito estão novamente sendo reunidas por alguém e, em uma visão de futuro, ele vê o apocalipse. Interessantemente, Kang revela que ele e Warlock vêm tentando impedir o fim dos tempos várias vezes, como no “Dia da Marmota“, sempre falhando miseravelmente e que, agora, Kang tentará algo diferente: o mártir Warlock será enviado para o passado da Terra, no antigo Egito, onde ficará enterrado por milhares de anos até sair para salvar o dia. Não tentem elucubra muito sobre o plano, pois não vale o esforço, mas é interessante ver o sacrifício de Warlock em uma história enganosamente confusa que diverte e, sim, prende o leitor tanto por sua narrativa cheia de vai e vem, como pela arte da dupla Allred que realmente dá vida de forma única a essa viagem lisérgica pelo tempo.

O segundo one-shot, Infinity Countdown Prime, é o efetivo “prelúdio do prelúdio” que serve para nos informar o básico da estrutura da minissérie: as seis joias do infinito espalhadas pelo Universo Marvel são, na verdade, reconstruções multidimensionais das joias originais e, portanto, têm formatos estranhos, além de estarem potencialmente em realidade diferente da sua original. Quando a história começa, é como se ela se encaixasse diretamente com as sequências com Wolverine em Marvel Legacy, já que é ele e sua joia do espaço que ganham enorme destaque ao lutar com uma tropa de ultrons enviada por Ultron-Pym que, claro, quer a pedrinha brilhante. No entanto, Loki também aparece tentando convencer o Carcaju a entregar-lhe a joia, parecendo genuíno em sua argumentação. Claro, porém que Logan, depois de chutar bundas metálicas, age violentamente (mesmo!) contra Loki e ignora o Deus da Trapaça.

As páginas seguintes, então, são compostas de fragmentos de histórias que revelam onde estão as outras cinco joias: (1) Turk Barrett (não me pergunte porque escolheram logo ele…) tem a joia da mente; (2) a Capitã Marvel tem a joia da realidade; (3) a joia do poder, agora, tem o tamanho de uma montanha e é protegida pela Tropa Nova, com os Chitauri e a Fraternidade dos Raptors dirigindo-se para lá; (4) a joia do tempo está em Sakaar (sim, o planeta reapareceu!) e o Super-Skrull, eterno saco de pancadas do Quarteto Fantástico, a acha e, finalmente, (5) a joia da alma está com Magus, na superfície de Ego, mas que é logo capturada por um enlouquecido Ultron-Pym que acaba facilmente (demais) com a raça do Warlock mau do futuro. Além disso, descobrimos que, residindo lá dentro da joia da alma, no chamado SoulWorld (agora um deserto), estão Hank Pym e Velha Gamora. Hummm, interessante, não?

Infinity Countdown Prime, apesar da bela arte de Mike Deodato Jr., é como Marvel Legacy. Pedaços soltos costurados de maneira forçada em um one-shot introdutório que poderiam ser perfeitamente abordados em Infinity Countdown em si. Ou seja, uma HQ cuja existência não se justifica além do bom e velho caça-níquel da Nona Arte.

Infinity Countdown: Adam Warlock (Idem, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Michael Allred
Cores: Laura Allred
Letras: Cory Petit
Editoria: Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: abril de 2018
Páginas: 30

Infinity Countdown: Prime (Idem, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Mike Deodato Jr.
Cores: Frank Martin
Letras: Cory Petit
Editoria: Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: abril de 2018
Páginas: 43

A Contagem Regressiva

Infinity Countdown # 1 a 5

Nas cinco edições que compõem Infinity Countdown propriamente dita, o objetivo é focar em três núcleos e duas joias. O primeiro e mais longamente trabalhado é o que lida com os Guardiões da Galáxia tentando ajudar a Tropa Nova a defender a gigantesca joia do poder que apareceu no planeta Xitaung dos ataques dos Chitauri e da Fraternidade dos Raptors. O segundo lida com Adam Warlock e sua caça à joia da alma, que está com Ultron-Pym no planeta Saiph, seu quartel-general. O terceiro núcleo, na verdade, é uma sub-trama envolvendo o irmão de Richard Rider (o Nova que vale), Robbie Rider, que é revelado como sendo Talonar, o líder da Fraternidade dos Raptors.

No núcleo dos Guardiões, que conta com a presença de Scott Lang, o Homem-Formiga e de Nova (o que a Marvel vem fazendo com os Guardiões nos quadrinhos chega a ser um ultraje, mas vamos deixar isso quieto, senão meu sangue ferve…), nós os vemos, primeiro, enfrentando a versão completamente enlouquecida do Jardineiro em Telferina, que comanda um exército de monstros arbóreos feitos a partir da matriz de Groot. É uma pancadaria incessante, confusa e, muito sinceramente, insuportável, com o único objetivo de fazer Grootinho transformar-se novamente em Grootão e, pela primeira – acho – desde sua aparição original como vilão em Tales to Astonish Vol. 1 #13, de 1960, falando frases completas e não apenas o “Eu sou Groot”. Possivelmente Gerry Duggan, o roteirista, cansou de inventar maneiras de tornar o bordão de Groot algo narrativamente relevante.

Mas essa pancadaria incessante acaba e, para surpresa de absolutamente ninguém, os Guardiões partem para outra pancadaria incessante, desta vez em Xitaung, para ajudar a Tropa Nova e Drax a lidar com os Chitauri e a Fraternidade dos Raptors. Mais uma vez, são socos, chutes, golpes de espada, raios variados em uma sucessão de páginas tumultuada, mas completamente vazia de significado não fosse o parto da Comandante Bakian no coração do combate (forçado, mas inusitado…) e a revelação de que Talonar é Robbie, o que deixa Richard Rider desnorteado e fornece a conexão para o tie-in do Falcão de Aço que abordarei mais abaixo. No pano de fundo, há a gigantesca joia do poder que, não demora, fica mais uma vez em tamanho portátil, pois não tinha como mantê-la daquele tamanho, o que só revela mais um artifício bobo para servir de desculpa para uma linha narrativa francamente inútil.

O segundo núcleo, no entanto, é bem mais interessante e é protagonizado por Adam Warlock em sua busca à joia da alma, agora de posse de Ultron-Pym em Saiph. O plano do robô maluco é infectar a galáxia com seu “vírus” para transformar todo mundo em versões dele próprio, compartilhando uma mente coletiva.  Nada de novo aqui, mas a forma como o roteiro de Duggan lida com o vilão é simples, mas eficiente, colocando-o como um completo descontrolado muito em linha com a forma surreal como o vimos em Império Secreto, praticamente roubando as atenções para si naquele “jantar do Chapeleiro Maluco”. E o melhor é que Adam Warlock, que também nunca foi lá muito são, funciona harmonicamente dentro desse conceito, especialmente considerando que, para apimentar e agigantar as coisas, vemos uma versão quase completamente controlada por Ultron do Surfista Prateado que, no desespero – ah, ironia! – convence Galactus, agora um protetor inarredável da vida – a destruir o planeta Aleph.

A ambição da narrativa nesse núcleo em particular é enorme e bem executada, mas poderia ter se beneficiado de mais espaço, reduzindo a baboseira completa dos Guardiões da Galáxia. Uma pena que Duggan quase soterre um bom texto somente para lidar com rinhas de galo descerebradas e simplistas entre o Senhor das Estrelas e sua trupe e um monte de vilão genérico.

Vale salientar que cada edição começa com um prólogo que se passa “não muito tempo atrás” desenhado por Mike Deodato Jr. que lida com um dos anões de Nidavellir sendo sequestrado e obrigado a forjar um objeto desconhecido por um vilão que fica nas sombras. Muito provavelmente trata-se de Requiem, nome que é mencionado aqui e ali ao longo das edições e que provavelmente terá papel de destaque na saga.

A arte principal é de responsabilidade de Aaron Kuder e Mike Hawthorne que fazem um bom trabalho com aquilo que é jogado no colo deles. Eles trabalham bem a disposição de quadros e a disposição de personagens em meio às pancadarias mais intensas e também conseguem proficiência nas sequências mais calmas, notadamente as que envolvem as almas de Hank Pym e da Velha Gamora em SouldWorld e os breves momentos em Nova York com o Doutor Estranho e a Viúva Negra, momentos de maior relevância no dénouement que é toda a quinta edição. A colorização digital de Jordie Bellaire é bonita, mas gritante e “limpa” demais, ainda que a linha narrativa não peça algo necessariamente sombrio. Mas teria sido interessante uma pegada menos cartunesca em alguns momentos.

Infinity Countdown é metade perda de tempo e metade “interessantezinha”. Se tivesse havido uma inversão da importância de núcleos, com mais destaque e desenvolvimento para o de Adam Warlock no lugar da bobajada com os Guardiões, o prelúdio para a vindoura saga poderia ter tido mais valia para os leitores. Como ela ficou, não passa de uma nota de rodapé que pode ser resumida em algumas frases no começo de Guerras Infinitas sem que se perca muita coisa.

Infinity Countdown (Idem, EUA – 2018)
Contendo:
Infinity Countdown # 1 a 5
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Aaron Kuder, Mike Hawthorne (com prólogos de Mike Deodato Jr. e Frank Martin)
Arte-final: Aaron Kuder, Terry Pallot, José Marzan Jr.
Cores: Jordie Bellaire
Letras: Cory Petit
Editoria: Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: maio a setembro de 2018 (datas de capa)
Páginas: 182

Os Tie-Ins

Infinity Countdown: Capitã Marvel (one-shot)

A grande verdade é que o tie-in dedicado à Capitã Marvel, detentora da joia da realidade, somente justifica-se pela imagem que coloquei logo acima. Com a joia, ela consegue entrar em contato com todas a versões de Capitães Marvel em diversas realidades, inclusive a Capitã Brie Larson do vindouro filme solo do Universo Cinematográfico Marvel e, surpresa, o Shazam da DC Comics – procurem na imagem que vocês acharão -, fazendo-a duvidar de suas ações.

Tudo isso é uma desculpa para passearmos pelo multiverso e testemunharmos a interação da Capitã com diversos personagens que levam seu nome, muito também existentes na Terra-616, como Monica Rambeau e, claro, Mar-Vell. É uma diversão, sem dúvida, com uma pegada despretensiosa que não quer ser mais do que um veículo para entendermos que Guerras Secretas nem de muito longe acabou com as realidades paralelas.

A arte de Diego Olortegui é muito boa no trabalho de diagramação de páginas, mas perde alguns pontos na recriação dos vários personagens que vemos, dando-lhes feições jovens demais, com se fosse pecado ser mais velho e experiente, algo que tem sido – irritantemente – marca cada vez mais presente nas publicações da editora. Mas o resultado final é harmônico e agradável, fazendo esse one-shot, apesar de completamente inútil para o evento em si, ser fácil e fluido de se ler.

Infinity Countdown: Capitã Marvel (Infinity Countdown: Captain Marvel, EUA – 2018)
Roteiro: Jim McCann
Arte: Diego Olortegui
Cores: Erick Arciniega
Letras: Clayton Cowles
Editoria: Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: julho de 2018 (data de capa)
Páginas: 22

Infinity Countdown: Viúva Negra (one-shot)

Natasha estava feliz mortinha da silva. Mas Logan fez o favor de pedir para ela guardar a joia do infinito que estava com ele (deixando-a dentro da caixa do vazo sanitário do esconderijo da espiã). O resultado é que ela passa a ser perseguida por Jamie Braddock, o irmão vilanesco do Capitão Britânia que gosta de andar só de cuecas, pelas ruas de Londres.

A perseguição é muito bem construída e a história é particularmente violenta, com a Viúva Negra não economizando nos assassinatos e, sim, na tortura. Toda a narrativa envolvendo a joia do espaço de um lado – que ela usa para se teletransportar de um lado para o outro – e o embate mágico com Braddock de outro é bem costurado, com a interferência divertida de Merlin como um velho hippie que anda pela cidade com uma calça de pijama de luas e estrelas, mostrando que Nik Virella e Brent Schoonovera estavam inspirados na arte.

A história não acrescenta absolutamente nada à narrativa macro de Infinity Countdown, mas, assim como o tie-in de Capitã Marvel, é uma leitura agradável e bem cadenciada. Dá até vontade de ver Natasha mais uma vez ao lado de Merlin contra Braddock.

Infinity Countdown: Viúva Negra (Infinity Countdown: Black Widow, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Nik Virella, Brent Schoonover
Cores: Chris Peter
Letras: Cory Petit
Editoria: Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto de 2018 (data de capa)
Páginas: 22

Infinity Countdown: Demolidor (one-shot)

O menos cósmico herói da Marvel Comics ganha um tie-in forçadíssimo para uma saga eminentemente cósmica em razão da escolha sem sentido de colocar Turk Barrett, um vigarista saco de pancadas do Demolidor como um dos utentes de uma joia do infinito, mais especificamente a da mente. Claro que o sujeito a usa para ascender criminalmente, tentando ocupar o vácuo deixado pelo Rei do Crime.

Mas Matt Murdock, que esbarra com ele no tribunal e literalmente a joia enfeitando sua bengala não vai deixar as coisas fáceis para o vilãozinho mequetrefe e sai ao encalço dele como o Demônio da Cozinha do Inferno. No entanto, reitero: estamos falando de um dos menos cósmicos heróis da editora lidando com alguém que, ainda que rudimentarmente, sabe manipular a joia da mente. Claro que o Demolidor não dá sorte e é logo descartado em uma história igualmente descartável que tem um único momento com semblante de utilidade: descobrimos como Barrett tomou posse da joia. Quando estava dando um de seus golpes, o sujeito passa por mais um conflito interdimensional em Nova York e voilà, ele acha a joia no chão. Ficou desapontado com a explicação? Eu também. Já falei que esse tie-in é completamente esquecível?

Infinity Countdown: Demolidor (Infinity Countdown: Daredevil, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Chris Sprouse, Phil Noto, Lee Ferguson
Arte-final: Scott Hanna, Karl Story, Phil Noto, Lee Ferguson
Cores: Matt Yackey
Letras: Clayton Cowles
Editoria: Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: julho de 2018 (data de capa)
Páginas: 22

Infinity Countdown: Falcão de Aço #1 a 4

Este tie-in, o mais longo e completo de todos, funciona como uma forma de trazer o Falcão de Aço, herói clássico noventista da Marvel, criado por Tom DeFalco, de volta para um papel relevante no cenário macro da editora. Mesmo tendo sido utilizado aqui e ali nos últimos anos, Christopher Powell, que, por meio de uma misteriosa joia, consegue evocar uma poderosa armadura alienígena, nunca realmente teve destaque fora de sua série original própria de 50 edições (recentemente adicionada de uma 51ª que se conecta fortemente com este tie-in).

A minissérie sacode seu status quo e tem conexão direta com os acontecimentos de Infinity Countdown, mais especificamente a revelação de que Robbie Ryder, irmão de Richard Rider (o Nova original), é Talonar, vilão que deseja abrir um portal interdimensional para trazer a verdadeira Fraternidade dos Raptors para nosso universo. Como aprendemos logo no prólogo em que isso acontece, a Fraternidade verdadeira começa a manipular Robbie para um fim escuso, considerando que ela – responsável pela armadura do Falcão de Aço – é um grupo criado por forças que colocam em xeque até mesmo o poder da entidade Fênix.

De um lado, vemos a transformação de Robbie em Dark Starkhawk, trazendo para a Terra-616, mais uma vez, conceitos estabelecidos pelos Guardiões da Galáxia originais, já que um de seus mais misteriosos membros era justamente Starkhawk, com uniforme muito parecido. De outro, vemos o renascimento de Chris Powell como um Falcão de Aço completo, pleno, repleto de incríveis poderes que o coloca em pé de igualdade com seus inimigos, chegando a transformar-se em uma espécie de Mecha.

Em meio a tudo isso, claro, há Nova tentando salvar seu irmão a todo custo e lutar não só contra os Raptors, mas também contra Powell. O resultado é uma história que infelizmente é curta demais, perdendo em desenvolvimento unicamente em razão das poucas páginas que tem para realmente florescer. É informação demais muito rapidamente que pelo menos consegue atiçar o gosto por mais Falcão de Aço com um cliffhanger que traz mais um antigo e esquecido personagem Marvel, o Sonâmbulo. Só o tempo dirá se esses heróis perdidos nas brumas do tempo conseguirão algum lugar ao sol perto dos grandes. Mas o caminho foi pavimentado!

Infinity Countdown: Falcão de Aço (Infinity Countdown: Darkhawl, EUA – 2018)
Roteiro: Chris Sims, Chad Bowers
Arte: Gang Hyuk Lim
Letras: Travis Lanham
Editoria: Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: julho a setembro de 2018 (datas de capa)
Páginas: 88

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.