Crítica | Los Hermanos – Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida

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estrelas 4

A cultuada banda Los Hermanos – apontada por muitos como uma das mais importantes da música nacional – anunciou, em 2007, uma pausa por tempo indeterminado, depois de dez anos de carreira, quatro álbuns de sucesso, incontáveis shows e críticas invejáveis. Cinco anos depois, em 2012, os cariocas anunciam não um retorno definitivo aos palcos, mas uma turnê por 12 cidades brasileiras. Os fãs foram a loucura e lotaram cada uma das apresentações. Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida é um documentário sobre os bastidores dessa turnê “especial”.

Acho importante apresentar esse panorama ao iniciar a crítica do documentário de Maria Ribeiro para que fique claro o recorte escolhido na fita, assim como suas intenções, e ressaltar que nenhum fã desavisado deve criar expectativas errôneas. Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida não é um retrato definitivo da banda; não tem a intenção de ser polêmico, debater questões pendentes, esclarecer fatos (as questões mais polêmicas são comentadas em uma frase ou outra e logo o foco se torna outro)… é apenas um olhar carinhoso e acessível por trás das apresentações, melodias e versos que marcam (difícil escolher um tempo verbal adequado para essa palavra) a vida de tantas pessoas. Coisa de fã para fã.

“De onde vem a calma daquele cara?”

É interessante notar a tranquilidade de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante nos primeiros minutos do registro, antes de entrarem no palco e entoarem O Vencedor, depois, obviamente, de ouvirem os ensurdecedores berros dos apaixonados escudeiros na plateia. Barba e Bruno compartilham da mesma calma, sem parecer que fazem parte de uma banda de tanto sucesso e prestígio no cenário nacional.

“É bom te ver sorrir/Deixa vir a moça/Que eu também vou atrás/E a banda diz: assim é que se faz!”

A moça que o Los Hermanos deixa vir, Maria Ribeiro, invade bastidores, camarins, estúdios e acompanha bate-papos com poucas e deliciosas confidências dos rapazes, e os vê sorrir, muito acessíveis e bem-humorados, especialmente Amarante. Entre uma música e outra – apresentadas por completo, como um presente para os fãs –, Maria e sua equipe captam histórias marcantes que vão desde o sapato fedorento de Camelo a uma comovente mãe que perdeu um filho fã da banda (esse, o inesperado e melhor momento do documentário).

“Abre essa porta/Que direito você tem de me privar?”

Como a pretensão não é apresentar a trajetória da banda, muito menos se apresentar como um registro definitivo, o curto documentário de 85 minutos nos deixa com gosto de quero mais: mais histórias, mais papo, mais confidências das mentes por trás de músicas tão inspiradas, mais Los Hermanos como pessoas. No entanto, o espectador/fã que entender o intuito de Maria não irá se decepcionar, mas também não irá se realizar como, talvez, pensou que iria. Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida é uma alegre celebração para fãs que acompanham o Los Hermanos (e participaram – ou não – da “turnê especial”), berram suas canções a plenos pulmões nos shows e abraçam pessoas que nunca viram para cantar junto, mas que só vai emocionar de verdade e satisfazer completamente os adoradores mais xiitas.

Los Hermanos – Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida (Brasil, 2015)
Direção: Maria Ribeiro
Elenco: Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina, Rodrigo Barba
Duração: 85 min.

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira