Crítica | Minha Vida Dava um Filme

estrelas 2

Comédias sobre famílias desajustadas e fracassos na vida já não são mais novidade no cinema, e ainda mais, raros são os exemplos recentes que conseguem apresentar os mesmos problemas dentro de uma nova roupagem e com um mínimo de criatividade além da cartilha, como é o caso da bem vinda surpresa neste terreno, O Verão da Minha Vida. O problema é que os roteiros se viciaram em criar estereótipos malucos para personagens que tem concepção geral até que interessante, mas se perdem ou chateiam o espectador no modo como são tratados e como aparecem no decorrer do filme. Além de outros problemas, esse é um dos mais incômodos encontrados em Minha Vida Dava um Filme.

Imogene (Kristen Wiig) é uma dramaturga frustrada. Sua vida longe da família foi estruturada como uma espécie de superação de uma infância sem o pai e a imagem que ela montou do era o sucesso, imagem essa ajudada por uma ótima veia para a escrita e um meio social que lhe proporcionava sonhar, seja através de contatos no meio editorial, seja por promessas de publicação e produção de uma peça sua. A partir do momento que sua vida começa a se transformar – ou pelo menos quando a gota d’água transborda a taça dramática – o roteiro de Michelle Morgan começa a rascunhar sua jornada. Assim, Minha Vida Dava um Filme é a história de um período de crise na vida de uma mulher, uma comédia sobre entender o fim de uma era pessoal e encarar e se redescobrir numa nova era.

Mas diferente do que possa parecer, o filme não é assim tão profundo. Aliás, não há profundidade alguma no modo como as coisas acontecem. Os clichês do gênero permanecem ativos na obra e sem disfarce algum. O ator bonitão todo sorrisos e sem camisa, uma pitada de comédia de erros, um antagonista do protagonista e alguns candidatos a isso para os coadjuvantes, música que lembra circo ou comédia pastelão alternada com momentos de paixão, reflexão e fofura; arrependimentos, descobertas e surpresas em torno do óbvio. Está tudo lá, escancarado, sem verniz, sem suavidade, nada. Mas o que faz de Minha Vida Dava um Filme “apenas” um filme ruim e não uma bomba tóxica? Basicamente, os atores.

É estranho identificar um elemento solto de um filme como sendo algo decisivo para sua qualidade geral, uma vez que a obra é composta por inúmeros setores técnicos. Mas é justamente isso. Embora possamos ver coisas realmente boas na direção de arte e fotografia de Minha Vida Dava um Filme (a casa do pai de Imogene e Ralph é o melhor exemplo de toda a projeção, um excelente trabalho de desenho artístico e decoração de set feito por Annie Spitz e Shannon Finnerty), isolados ou mesmo em conjunto eles não salvam o filme.

Pela variedade de locações e exigências diferentes do roteiro, a obra acaba tendo inúmeras composições imagéticas, fazendo com que essas áreas percam identidade e se tornem algo homogêneo com a proposta geral, o que não é ruim ou um bicho de sete cabeças, isso acontece na maior parte dos filmes comerciais; mas há casos em que tudo é tão bem feito, que podemos olhar as nuances de cada coisa e destacar seus pontos negativos e positivos, ler suas indicações dramáticas e psicológicas, etc, etc. Aqui, apesar de bem realizados, esses setores se perdem em meio ao todo. Mas como eu disse, os atores acabam fazendo algumas sequências valer muito a pena, principalmente quando ajudados por esses pontos técnicos bem realizados.

Mesmo que tenhamos atores de extensão dramática sofríveis, o filme não exige muito de nenhum deles, logo, o que apresentam é realmente bom. Ao cativar o espectador e criar interessantes idiossincrasias no decorrer da obra, o elenco consegue contornar um ou outro momento com bastante sucesso e fazer com que a sessão seja assistível, sem grandes sofrimentos. No final das contas, entendemos que se trata de um filme ruim, mas assumimos que foi uma experiência divertida. Pelo menos nesse ponto o filme cumpriu o seu papel.

Minha Vida Dava um Filme (EUA, 2013)
Direção: Shari Springer Berman, Robert Pulcini
Roteiro: Michelle Morgan
Elenco: Kristen Wiig, Annette Bening, Matt Dillon, Darren Criss, Christopher Fitzgerald, June Diane Raphael, Natasha Lyonne, Bob Balaban
Duração: 103min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.