Crítica | Star Wars: The Old Republic – Ameaça de Paz (#1 a 3)

estrelas 3

Espaço: Coruscant, Dantooine, Nar Shaddaa, Korriban
Tempo: 3653 anos antes da Batalha de Yavin

Alguns meses antes do lançamento oficial do game The Old Republic, a Dark Horse Comics, que contava com os direitos de quadrinhos de Star Wars, em parceria com a Bioware lançou uma nova série ilustrada para nos situar na época explorada pelo jogo. Os quadrinhos, que portam o mesmo nome do MMORPG, começaram com o arco Threat of Peace, que posteriormente foram relançados como o Volume 2 (só sendo um mestre Jedi para entender essas decisões). Aqui vemos os eventos que se desenrolam no mesmo momento que uma das mais icônicas custscenes do jogo, Deceived. Antes de adentrar na obra, porém, é importante ter em mente que é altamente recomendável ao menos conhecer um pouco do game antes de começar a leitura.

Aproximadamente 3653 anos antes da Batalha de Yavin, a República está engajada em uma guerra de proporções galáticas contra o Império Sith. Um inesperado tratado de paz é, então, sugerido pelos seguidores do Lado Negro e cabe a Satele Shan e sua mestre negociarem com Darth Baras e os outros emissários dos Sith. Enquanto isso, um ousado ataque à Coruscant é perpetrado, deixando o conselho Jedi em ruínas. Desde já os guardiões da República começam a enxergar que essa frágil paz é apenas mais um dos planos dos Sith para destruírem o Lado da Luz.

Roteirizado por Robert Chestney, um dos nomes que chegou a trabalhar no game, Ameaça de Paz nos joga de cabeça nas intrigas provocadas pelos Sith. Darth Baras, desde já, é introduzido como um mestre estrategista e quem chegou a jogar The Old Republic sabe o quão genial o Lorde Sith pode ser. Nada é o que parece tanto lá, quanto aqui nos quadrinhos e começamos a entender a ameaça provocada pela Paz, que o título já explicita. Essa questão, naturalmente, dialoga com a missão dos Jedi, que é justamente lutar para manter essa ausência de conflito.

Infelizmente, na tentativa de nos trazer inúmeros focos simultâneos, o texto acaba nos perdendo em diversos momentos. Chestney acaba criando uma confusão no leitor, que fica perdido em determinados momentos. Não sabemos exatamente o que acontece, especialmente nos momentos de mais ação. A culpa aqui não é de Alex Sanchez, que faz um bom trabalho na arte, embora a caracterização de Satele Shan seja bastante diferente do que vemos nos games. Ele precisa trabalhar com poucas páginas e não tem o luxo de utilizar muitos painéis para cada luta, o que dificulta consideravelmente nossa compreensão em determinados pontos.

Outro aspecto a ser observado é como, por ser um tie-in, os quadrinhos não se sustentam sem ter a experiência de The Old Republic em mente. A história que vemos aqui é um mero prólogo e não oferece mais que um backstory para o jogador. Alguém que queira se aproximar desse período do Universo Expandido apenas por essas páginas ilustradas certamente irá se decepcionar. A história conta, sim, com início, meio e fim, mas nos deixa em um considerável cliffhanger, que somente será resolvido pelo game em si, visto que esse se passa pouco tempo após o tratado de Coruscant.

The Old Republic são, portanto, quadrinhos feitos especificamente para os jogadores do game. Com pouco espaço para desenvolver sua arte e um roteiro um tanto quanto apressado, trata-se de uma obra que deixa um tanto a desejar, embora certamente consiga trazer a atmosfera do MMORPG, fazendo jus aos diversos personagens, de ambos os lados do conflito. Os jogadores certamente não devem passar longe dessa obra, que entrega um bom olhar sobre o universo no qual estamos situados.

Star Wars: The Old Republic – Ameaça de Paz (Star Wars: The Old Republic – Threat of Peace) — EUA, 2011
Roteiro:
Rob Chestney
Arte:
Alex Sanchez
Letras:
Michael Heisler
Cores:
Michael Atiyeh
Capas:
Benjamin Carré
Editora original:
Dark Horse Comics
Editora no Brasil:
Não publicado no Brasil até o lançamento da crítica
Páginas: 
87

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.