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Crítica | RoboCop 3

por Ritter Fan
347 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

É incrível como a memória nos prega peças, não é mesmo? Havia assistido Robocop 3 apenas uma vez, no ano de seu lançamento (1993) e lembrava-me que havia odiado o filme. Mas essa percepção, juntamente com a única imagem que me restava na lembrança do filme, a de Robocop voando (sim, isso mesmo), ambas enraizadas em meu cérebro, foram desaparecendo na medida em que, vendo a fita novamente para preparar a presente crítica, a narrativa progredia.

Mas talvez haja outra explicação. Acabara de assistir Robocop 2 e, como minha crítica deixou muito claro, é um estupro audiovisual. Assim, depois de algo tão ruim, talvez qualquer coisa minimamente aturável seja percebida como boa, até maravilhosa, um verdadeiro alívio.

É claro, porém, que Robocop 3 não é um filme bom. Ele é apenas muito superior ao segundo capítulo da franquia em todos os quesitos. Se deixarmos de lado por um momento que nesse filme o protagonista troca a mão por uma metralhadora, coloca uma mochila voadora para passear por aí e luta contra um robô ninja absolutamente patético, o que sobra é um razoável e despretensioso filme de “super-herói” que, diferentemente de Robocop 2, não tenta ser mais do que é, não tenta imitar o primeiro, apesar de voltar a alguns temas e não é, de forma alguma, uma paródia.

O roteiro, novamente co-escrito por Frank Miller, mas dessa vez com a ajuda de Fred Dekker, diretor do filme e que nunca havia feito – e nem viria a fazer – nada de relevante, lida com a aquisição da pré-falimentar OCP, a corporação vilanesca dos outros filmes, por uma ainda mais inescrupulosa empresa japonesa, a Kanemitsu Corporation, comandada por, claro, Kanemitsu (Mako). No entanto, para que a aquisição seja possível, a OCP tem que limpar parte de Detroit (e por limpar leia-se chutar para fora todos os habitantes) para abrir caminho para a construção da sonhada Delta City. Para isso, uma forca para-policial é criada, chamada de Reabilitadores Urbanos (nome bonito para nazistas malvados) e Robocop (agora vivido por Robert John Burke), juntamente com sua fiel escudeira Anne Lewis (Nancy Allen), acabam ficando do lado do grupo que tenta evitar que isso aconteça.

Nada muito sofisticado, mas, pelo menos, a questão da crítica às corporações volta com força total e o uso da mídia, aqui, respeita o que vemos na obra original. Além disso, Dekker consegue explorar sutilmente o passado de Murphy com sua família, além de ser hábil o suficiente para lidar com o assassinato de Lewis, tornando-o relevante para a narrativa e não algo jogado sem nenhum raciocínio por trás.

Mas o trabalho de direção é burocrático, sem qualquer arroubo de criatividade. Dekker não arrisca, mas, pelo menos, em termos de valores de produção, ele traz de volta um certo cuidado com detalhes. A armadura de Robocop é novamente prateada e com textura de metal e não aquela coisa plástica azul que vemos em Robocop 2. Os efeitos especiais são bons a todo o momento, talvez com exceção do voo do protagonista ao final (mas, também, aí já é querer demais da tecnologia da época) e Robert John Burke faz um convincente trabalho como Murphy/Robocop tanto quando vemos seu rosto quanto com seus movimentos corporais debaixo da armadura. Além disso, Dekker usa, novamente, a bela trilha sonora de Basil Poledouris, misteriosamente ausente do segundo filme.

Infelizmente, também, o roteiro se perde ao dar muito destaque ao robô ninja enviado pela Kanemitsu (vivido por Bruce Locke). É muita preparação, muito mistério e muita enrolação para um final completamente anticlimático e, em última análise, extremamente redundante, já que o grande inimigo é mesmo o nazista Paul McDaggett (John Castle), chefe da força de reabilitadores.

Robocop 3 não consegue reabilitar a franquia no cinema, mas, no mínimo, diverte o espectador que não estiver esperando muito do filme. É um passatempo que pelo menos não denigre o nome “Robocop” como o segundo capítulo da franquia fez. E isso já é alguma coisa.

RoboCop 3 (Idem, EUA – 1993)
Direção: Fred Dekker
Roteiro: Frank Miller, Fred Dekker
Elenco: Robert John Burke, Nancy Allen, Mako, John Castle, Remy Ryan, CCH Pounder, Stanley Anderson, Rip Torn, Shane Black, Stephen Root, Jeff Garlin, Robert DoQui, Felton Perry, Bradley Whitford
Duração: 104 min.

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27 comentários

Alborghetti 16 de julho de 2020 - 05:18

Robocop 3 é tosco em todos os sentidos, até os efeitos, mesmo para a época. Já tínhamos naquele ano Jurassic Park e 2 anos antes Exterminador do Futuro 2, então aqueles efeitos toscos não se justificam. Lembro que vi uma vez no lançamento em fita VHS para nunca mais. Para mim, só o 1 e o 2 valem.

Responder
planocritico 16 de julho de 2020 - 14:13

Para mim, só Robocop 1 vale.

Robocop 2 é tosco E péssimo.

Robocop 3 é tosco, mas passável.

O reboot do Padilha é também passável.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 16 de julho de 2020 - 14:13

Para mim, só Robocop 1 vale.

Robocop 2 é tosco E péssimo.

Robocop 3 é tosco, mas passável.

O reboot do Padilha é também passável.

Abs,
Ritter.

Responder
Robson Costa 14 de abril de 2020 - 17:11

Adoro Robocop 2. Vou rever o 3, não lembro de quase nada. O 2 me “chocou ” na minha adolescência. Talvez eu tenha um lado emocional com o filme.

Responder
planocritico 14 de abril de 2020 - 17:29

Eu considero apenas o primeiro realmente muito bom. Uma obra-prima, na verdade. O resto é descartável, inclusive o reboot.

Abs,
Ritter.

Responder
Ewerton Saavedra 4 de março de 2020 - 09:32

Robocop 2 não é um bom filme, mas ainda assim é muito superior ao Robocop 3. A terceira parte da franquia não consegue nem ao menos ter um “robô do mal” que preste, ao contrário do segundo filme. Robocop 2, de fato, possui um roteiro pobre mas, no mínimo, se presta a puxar alguns elementos do primeiro filme da série. Já Robocop 3 nem isso consegue fazer. Personagens sem relevância, situações sem relevância (inclusive o assassinato de Lewis) e uma trama rasa e sem relevância. É um filme terrível.

Responder
planocritico 4 de março de 2020 - 10:45

Eu acho justamente o oposto.

Abs,
Ritter.

Responder
Robson Costa 14 de abril de 2020 - 17:11

Poxa vara, deu o maior spoiler. Vi o filme nos anos 90 e nem lembrava disso. Mas cuidado aí ao escrever.

Responder
Helder Oliveira 22 de abril de 2019 - 19:33

Os muleque acham Robo 2 melhor só porque tem violência gratuita mas Robo 2 é podre. Robo 3 não é bom mas é melhor.

Responder
planocritico 28 de abril de 2019 - 02:24

Concordo!

Abs,
Ritter.

Responder
Diogo Leonardo 12 de abril de 2019 - 16:07

Robocop 2 foi muito bom, e o 1 excelente

Responder
planocritico 12 de abril de 2019 - 16:38

Concordo que o 1 é excelente, mas não que o 2 é muito bom. Não consegue nem ser muito ruim para mim. É execrável mesmo…

Abs,
Ritter.

Responder
Genésio Cavalcanti Albuquerque 7 de novembro de 2016 - 23:10

A característica marcante do personagem caiu muito em relação aos anteriores.
é o mais fraco das pelejas mas com um balde de pipoca do lado e uma garrafa de tubaína de lado, da pra levar.

Responder
Genésio Cavalcanti Albuquerque 7 de novembro de 2016 - 23:10

A característica marcante do personagem caiu muito em relação aos anteriores.
é o mais fraco das pelejas mas com um balde de pipoca do lado e uma garrafa de tubaína de lado, da pra levar.

Responder
Fabio Rander 26 de abril de 2015 - 12:23

aqui esta uma critica impercail de verdade http://www.papodecinema.com.br/filmes/robocop-3

Responder
planocritico 26 de abril de 2015 - 14:35

O que o crítico de lá viu nesse filme eu vi no segundo. Mas ainda acho que o 3 é muito mais próximo em tom e espirito do primeiro do que o segundo, que é uma paródia da paródia.

E veja, Robocop 3 não é bom. Apenas, comparativamente com o que achei do segundo – com o Robocop de plástico – ele é bem melhor…

Abs,
Ritter.

Responder
Fabio Rander 26 de abril de 2015 - 12:09

kkkkkkkkkkkkkkkkkk tu so pode ta de brincation with me cara tu disse na tua critica que o 2 num vale nada vem aqui dizer que o 3 é bom ????? superior ao 2 muito mas kkkkkkkkkk que critica foi essa ? o cara dizer que esse filme de merda foi bom ?! definitivamente eu e vc nao assistimos o msm filme !

Responder
planocritico 26 de abril de 2015 - 14:33

É aquela velha história, caro @fabiorander:disqus: o que seria do amarelo se todos gostassem do azul, não é mesmo? Eu enxergo nesse filme uma volta ao espírito do original, algo que RoboCop 2 definitivamente não consegue alcançar. Eu trouxe minhas justificativas. Quais seriam as suas?

Abs,
Ritter.

Responder
Fabio Rander 27 de abril de 2015 - 18:57

tanto eu como vc somos frustados por q o 2 nao seguiu o q o frank queria msm sendo infilmavel eu queria que o filme fosse as telonas so isso estou dizendo que o 2 é bom não vc leu a hq com o roteiro original de robocop 2 ? a mudaça do ator deu um peso enorme a historia … é a msm coisa do que estão querendo fazer com

Robert Downey Jr no iron man 4 não rola ! o 2 tem droga criança impunhando arma tem o cain robo que o melhor vc tbm disse que no 2 os efeitos estão de baixo nivel phil tippet é o cara de forma nenhuma usou o que tinha na epoca tanto é que steven spielberg chamou ele para ajudar nos efeitos de jurassic park mas repito não estou defendendo o 2 mas o 3 tbm não é bom. no 2 os caras da ocp querem que a cidade va para o beleleu para eles fazerem delta city se o 2 é horrivel o 3 era para nem ter lançado !

Responder
planocritico 28 de abril de 2015 - 00:32

@fabiorander:disqus, sei que você também achou o 2 ruim. Apenas estou dizendo que entre o 2 e o 3, fico com o 3. Você, aparentemente, fica com o 2. Nenhum problema.

Eu vi, no dois, uma paródia mal feita em todos os quesitos do primeiro filme enquanto o 3 volta ao espírito do original.

Mas sobre trocar de ator, não tenho problema algum. RDJ pode deixar de ser Homem de Ferro amanhã que eu não ligo. Há vários outros atores que podem substituí-lo. Veja o exemplo do 007. Ou de Doctor Who. Ou mesmo do Batman.

Abs,
Ritter.

Responder
Fabio Rander 28 de abril de 2015 - 08:38

(y)

Lucas 20 de agosto de 2014 - 02:58

vc escreve e analisa muito bem…mas acho este filme bem pior que o segundo. Efeitos especiais péssimos (mesmo pra época), furos de roteiro, troca do ator, morte da parceira…para mim uma pilantragem de filme preparando para a série

Responder
planocritico 20 de agosto de 2014 - 15:52

@disqus_M8mkCWxPhq:disqus, valeu pelos elogios! Fico feliz que tenha gostado da forma que escrevo e analiso. Sobre esse ser pior ou não que o segundo, acho que vai uma boa dose de subjetivismo aí. Você não gostou da morte da parceira de Murphy, eu já achei isso útil para a narrativa. Você não gostou da troca de atores, já eu achei que isso não afetou em nada o RocoCop. Sobre os efeitos especiais, aí não sei, pois, para mim, eles são muito claramente superiores aos do segundo, especialmente considerando a armadura do robô, que é azul e de plástico em RoboCop 2 e volta ao “normal” no 3. Além disso, considerando a época da produção, as cenas de voo em chroma-key até que não são ruins, enquanto que o stop-motion da parte 2 é, no meu entender, infantil de tão mal feito.

Obrigado pelos comentários! Abs, Ritter.

Responder
Erik Blaz Dos Santos 7 de março de 2014 - 17:14

Também só vi uma vez… Adorei a parte do “Reabilitadores Urbanos (nome bonito para nazistas malvados)” HAHAHAH…

Felizmente foi melhor que o 2º filme, mas nada fantástico =/
Parabéns pelo texto xará!

Responder
planocritico 7 de março de 2014 - 21:06

Valeu, Erik! – Ritter.

Responder
Lou_Pacheco 19 de fevereiro de 2014 - 22:56

Também assisti somente uma vez e nao guardo boas lembranças do filme. Ritter, foste até bondoso ao dar duas estrelas e meia para o filme… rsrs

Responder
planocritico 20 de fevereiro de 2014 - 00:48

Lou, veja novamente. Dê uma chance ao Robocop voador! Ele pode te surpreender… – Ritter.

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