Crítica | American Horror Story: Coven – 3X03: The Replacements

Quatro-estrelas“Este clã não precisa de uma nova Suprema. Precisa de um novo carpete.”

Começo a review com esta frase proferida por Fionna Goode (Jessica Lange) devido a triste notícia que nos foi dada recentemente: de que a atriz irá largar AHS logo após esta temporada. Quem se deslumbrou com Murder House e Asylum sabe que Madame Lange, apesar dos diversos nomes envolvidos na série, carregava boa parte do charme e magnetismo do seriado nas costas. Afinal, personagens como Constance e Irmã Jude não teriam sido o que foram sem uma intérprete à altura. O fato é que Jessica Lange fará uma grande falta, e esta triste sensação se atenua mais ainda após este episódio, uma vez que a atriz o domina de ponta a ponta.

Fato é que Coven tem se saído melhor do que a encomenda. Ryan Murphy e o co-criador Brad Falchuk tem se superado e quebrado recordes na questão das insanidades e bizarrices que a série sempre nos apresentou. E quando você achava que a coisa não poderia ficar ainda mais perturbadora, eis que temos incesto, um possível estupro feito por um minotauro, e a descoberta da provável nova Suprema.

E Jessica Lange, como já dito anteriormente, domina cada frame do que vemos em The Replacements. O episódio se inicia com um flashback passado em 1971, onde uma jovem Fiona se descobre como a próxima Suprema, e assassina a atual, já que a própria descobre que a troca de posições para o “cargo” não é um processo dos mais agradáveis. Sedenta pela juventude eterna, Fiona descobre que Madison (Emma Roberts) será a próxima Suprema do clã, uma vez que de acordo com a mitologia, os poderes e a vida da atual Suprema começam a se esvair quando a futura Suprema começa a atenuar seus poderes. O excelente roteiro de James Wong, num curto espaço de tempo, nos traduz de forma eficiente a ambição de Fiona em se manter na posição de Suprema, em manter para si a benção da juventude e da imortalidade, e que curiosamente, encontra uma interessante rima com o drama de sua filha, Cordélia, ainda em busca da possibilidade de conseguir gerar seu próprio filho. Temas como a perpetuação da vida e o nascimento de uma nova encontram ecos inteligentes e curiosos dentro da busca de cada uma das personagens, ressaltados ainda pelo maravilhoso trabalho estético do diretor Alfonso Gomez-Rejon, que através de ângulos e movimentos de câmera criativos, tornam a experiência ainda mais deliciosa de ser acompanhada.

Outro fator curioso de The Replacements são as diversas possibilidades que apresenta para o seguimento de certas tramas, funcionando como perfeitos cliffhanger (algo no qual Ryan Murphy é especialista): permanecem as dúvidas sobre a verdadeira posição de Madison, seria ela realmente a próxima Suprema? Ou será ela apenas mais poderosa do que poderia se esperar? E Madison será ressuscitada por Misty, assim como Kyle foi ressuscitado? A julgar por estas deixas, podemos esperar confrontos realmente explosivos nos próximos episódios.

E por falar em Kyle, muitos reclamavam de que sua trama com Zoe parecia estar sendo desenvolvida a passos de bebê, mas finalmente temos um grande passo quando o rapaz, já bastante reconstituído, é levado por Zoe até sua mãe Alicia (o que deixa Cordelia possessa, mais um plot que promete gerar ótimos momentos), onde descobrimos que a mesma mantém uma relação incestuosa com seu filho. O tema é inserido de forma um tanto abrupta, mas também chocante, e o desfecho trágico acaba sendo inevitável.

O único problema de The Replacements, de fato, reside apenas na personagem de Queenie. Gabourey Sidibe continua sendo uma intérprete fantástica, mas sua personagem ainda carece de um desenvolvimento mais adequado. Sua solidão pelo fato de ser virgem acaba ficando destoada dentro do episódio, e o momento em que Queenie se insinua para o Minotauro (!) gera um certo desconforto, e não no bom sentido.

De qualquer forma, Coven ainda se mantém digno de aplausos diante da coragem e ousadia que esta temporada nos tem apresentado, se mantendo coerente dentro de seu tema e ultrapassando os limites da criatividade. É por estas e outras que afirmo que AHS segue como a melhor série da atualidade.

PS: como não se divertir diante da indignação de Madame LaLaurie com o atual presidente dos Estados Unidos? Méritos do contínuo humor afiado de AHS.

American Horror Story: Coven – 3×03: The Replacements

Showrunner: Ryan Murphy e Brad Falchuk

Roteiro: James Wong

Direção: Alfonso Gomez-Rejon

Elenco: Jessica Lange, Kathy Bates, Angela Basset, Sarah Paulson, Evan Peters, Lily Rabe, Taissa Farmiga, Emma Roberts, Chiaki Kuriyama, Denis O’Hare, Frances Conroy, Alexandra Breckenridge, Jamie Brewer, Patti Lupone, Gabourey Sidibe

Duração: 52 min.

 

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.