Crítica | Firefly

firefly im des

estrelas 5,0

Joss Whedon é o criador da incrivelmente famosa série de televisão vampiresca Buffy. Também foi o responsável pela quase tão famosa série spin-off Angel. Nunca fui muito chegado a nenhuma dessas duas séries, mas sempre admirei os incontáveis fãs que Whedon amealhou com elas. Mais para frente, soube de sua incursão pela ficção científica com a série Firefly e cheguei, apesar de nunca ter visto nenhum episódio, a ficar triste com seu cancelamento ainda na primeira temporada, com apenas 11 capítulos dos 14 indo ao ar.

Firefly é uma série de 2002 e demorei oito anos para ver o porquê de os fãs terem feito quase que greve de fome para fazer essa série ser renovada, o que acabou não acontecendo, mas que gerou um filme para encerrá-la: Serenity. E vou dizer uma coisa: saboreei cada um dos 14 excelentes episódios da série e, depois, encontrei-me oficialmente dentre aqueles que fariam greve de fome para que uma nova temporada fosse filmada (ok, não iria a tanto mas vocês entenderam).

Firefly conta a história do Capitão Malcom “Mal” Reynolds (Nathan Fillion) e sua tripulação, 500 anos no futuro, quando a Terra espalhou seus domínios pela galáxia e colonizou vários planetas que ainda se encontram, basicamente, no estágio “velho oeste” de desenvolvimento. Sua tripulação é composta de seu braço direito Zoë Washburne (Gina Torres), companheira de guerra civil de anos antes (guerra essa perdida pelo lado em que Mal lutara), seu piloto e marido de Zoë, Hoban “Wash” Washburne (Alan Tudyk), o “capanga” Jayne Cobb (Adam Baldwin) e a mecânica Kaylee Frye (Jewel Staite). A “companheira” (nome dado às prostitutas licenciadas nesse futuro de Whedon) Inara Serra (a brasileira Morena Baccarin) também pega uma carona na nave de Mal para oferecer seus serviços pelos planetas que ele visita. A nave, chamada Serenity, da classe Firefly, é mais um personagem da série pois, apesar de ela não falar, tem toda uma personalidade marcante assim como a Millenium Falcon de Han Solo e Chewbacca.

Esse pessoal vive à margem dessa sociedade do futuro, fazendo bicos – legais e ilegais – aqui e ali. Ao oferecer indiscriminadamente seus serviços de transporte entre planetas, eles acabam dando abrigo ao padre Shepherd Book (Ron Glass) e aos irmãos Simon e River Tam (Sean Maher e Summer Glau). Esses últimos, é logo revelado, são fugitivos da polícia federal, mas Mal, de coração mole, decide ajudá-los, apesar do perigo que isso potencialmente significa. Simon retribui o favor atuando com o médico da equipe já que ele era um respeitado cirurgião que largou tudo para ajudar sua irmã que basicamente fora sequestrada pelo governo para experiências não muito bem explicadas.

Cada episódio na série é diferente do outro e isso torna a série original e com um frescor de inédita a cada curva. Os personagens são muito bem construídos, com personalidades próprias, algumas um tanto clichê, mas todas muito agradáveis e que vão se revelando ricas e complexas com o desenrolar da história. Tomemos, por exemplo, o personagem Jayne. Ele é o durão da tripulação, um sujeito típico de histórias de cowboy. Apesar dessa camada de durão, porém, ele se revela alguém de coração algo que já seria de se esperar. O que não se espera é sua atitude em determinado episódio mais para frente em que ele se revela não exatamente aquilo que se esperaria de alguém que passamos a gostar. Whedon puxa o tapete do espectador sem muita cerimônia, pervertendo a lógica da obviedade. Morena Baccarin, em determinados momentos, rouba o show com sua personagem Inara pois ela é a mais sofisticada da tripulação já que a arte da prostituição é, aparentemente, algo que exige um altíssimo grau de instrução nesse universo. Isso gera tensão entre sua presença na nave e sua relação em geral com a tripulação e com Mal em particular.

São personagens assim, bem construídos, aliados a episódios muito interessantes, como um que é integralmente sobre um duelo de espadas (e normais, não sabres de luz) entre Mal e um ofendido pretendente de Inara, que faz de Firefly uma série basicamente perfeita. É evidente que, só com 14 episódios, todas as pontas ficam soltas, mas é fácil vislumbrar o embrião de um sensacional futuro que ela teria se as produtoras não se impressionassem  tão facilmente com audiências menos que excepcionais para seus programas.

Firefly (Idem, EUA – 2002)
Showrunner: Joss Whedon
Direção: vários
Roteiro: vários
Elenco: Nathan Fillion, Gina Torres, Alan Tudyk, Morena Baccarin, Adam Baldwin, Jewel Staite, Sean Maher, Summer Glau, Ron Glass
Duração: 616 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.