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Crítica | American Horror Story – 10X10: The Future Perfect

Finalizando de qualquer jeito.

por Iann Jeliel
1.912 views (a partir de agosto de 2020)

  • Contém SPOILERS! Acompanhe aqui as críticas dos demais episódios de Double Feature, e aqui, todo nosso material sobre American Horror Story.

Na minha crítica de Winter Kills, episódio que encerrou a primeira história da décima temporada, recebi um feedback bastante negativo de opiniões a respeito do final de Red Tide, alegando que a série basicamente esqueceu a construção narrativa e cautelosa dos demais episódios, sacrificando-a em uma conclusão abrupta e jogada. Apesar de discordar que o efeito dessas decisões diretas (para aquele episódio) eram negativas, compreendi perfeitamente as críticas perante esse final de Death Valley em The Future Perfect. Ainda que viesse em crescente, pela característica narrativa mais direta sustentada desde o princípio por revelações de originalidade conceitual (no final não teria mais o que revelar), já esperava que o último capítulo passaria uma sensação de desperdício de potencial – só não sabia quanto. Especialmente porque desde Inside, a impressão é que essa era uma grande introdução a uma história maior, e acabou sendo isso mesmo.

Impressão essa que não era passada por Red Tide, por isso o abandono do drama familiar para a caótica apocalíptica vampiresca pareceu ser mais surpreendente do que broxante e o moralismo temático típico da série encaixado como um bônus catártico. Em The Future Perfect, a sensação ao saber que o plano inicial dos alienígenas, após conseguir seu primeiro híbrido “perfeito” entre homem e extraterrestre, era exterminar a humanidade, é de que os roteiristas desistiram da história ou estavam com preguiça de pensar em algo melhor. Porque havia ainda o que se explorar: nas teorias da conspiração no imaginário popular (fizeram isso no núcleo passado, tinham de ter feito também no núcleo do presente), funcionalidades mitológicas dos aliens  detalhadas – uma nova espécie é jogada na figura de Henry Kissinger (Vince Foster) e fica por isso mesmo – ou possibilidades de crossover com Asylum. No máximo, temos a renúncia de Nixon (Craig Sheffer) culpabilizada por chantagem de alien em uma cena de abdução novamente parecida com aqueles flashes e fundo branco presentes na segunda temporada. Infelizmente, não há conexões mais diretas que comprovem que as histórias se passam no mesmo universo.

Perde-se aí uma oportunidade de fornecer o mínimo de recompensa para o restante desastroso do episódio. Ainda dou o crédito ao roteiro por utilizar a personagem de Mamie Eisenhower (Sarah Paulson) como ponte derradeira entre os núcleos do futuro e presente. Era o modo mais coerente de interligar os tempos uma última vez. Pena que não houve desenvolvimento dramático algum, na sua aliança com Valiant Thor (Cody Fern) em atrito com a ideologia do marido (Neal McDonough). Nesse episódio temos somente cenas chatas entre eles, que não orquestram de maneira minimamente crível sua virada de se arrepender ao não ter escutado Dwight quando descobre os planos dos extraterrestres de destruir a humanidade.

Fica muito forçado colocá-la com a amiga Calico (Leslie Grossman) – amizade estabelecida no próprio episódio – para salvar a humanidade por mais um tempo, matando o híbrido “perfeito” nascido de dentro de uma das adolescentes (Kaia Gerber), que tinham somente esse papel na história. Aliás, há uma série de incongruências aí. Primeiro por parte de Mamie, que mesmo que se mostrasse arrependida, pela maneira egoísta a qual foi estabelecida como personagem, deveria ter aceitado a condição de ser poupada, afinal, a partir dela e outros “dignos”, a humanidade continuaria existindo e poderia, inclusive, melhorar como espécie pelo hibridismo – como menciona a híbrida que tinha mais dado certo até então, Theta (Angelica Ross) em seu sermão explicando o comentário social da temporada. Segundo, por parte dos aliens e sua metodologia de criar híbridos. Eles abduzem pessoas para transformá-las em barrigas de aluguel até sair um neném que prestasse, certo? Foi estabelecido assim, que uma mesma pessoa, apesar de não ter conseguido uma vez, poderia em outra tentativa, conseguir.

É por isso que Calico e outros aduzidos não morreram ali. Logo, diante de Kendall, “a escolhida” (“porque sim”) que conseguiu parir o feto perfeito e acabou sendo morta depois para ser transformada em uma máquina de parir fetos perfeitos, não era mais fácil simplesmente terem transformado todos aqueles do grupo seleto de pessoas em máquinas? Porque uma hora ou outra, iria acabar saindo o feto desejado. Nisso fica parecendo que The Future Perfect quis mudar suas regras. Mata a adolescente Jamie (Rachel Hilson) “de graça” por não ter gerado o feto perfeito, numa cena que tenta fazer tensão com a expectativa de Kendall ter o mesmo destino caso não gerasse esse feto perfeito, sendo que foi estabelecido que os aliens não descartam barrigas de aluguéis e nem tinham como saber se ia dar certo naquele momento ou não (aliás, um detalhe importante que faz a sequência ser tão horrível é que parece que o alien sai da barriga deslizando de tão fácil que é o parto).

Isso era para ser uma retaliação à tentativa de fuga do casal gay, mas as duas não tinham nada a ver com a história. Por mais que tenham visto os corpos dos amigos no chão, não necessariamente elas tentariam retaliar a Área 51 depois, tanto que Jamie já tinha aceitado a sua condição de mãe de alien sem escapatória e estava convencendo Kendall do mesmo. É uma prevenção exagerada e incoerente, porque Calico (e muita gente) não foi morta por mais. O show de horrores tem a “cereja do bolo” no clímax em que Mamie, Calico e Theta (que obviamente iria se voltar contra) estão para matar o bebê híbrido e o texto tem a pachorra de mandar um “se você tivesse a oportunidade de matar Hitler bebê, você faria?” para gerar suspense. 

Esse é o nível de pobreza de conteúdo apresentado por The Future Perfect. Tantas formas de concluir Death Valley, inclusive, até os cansativos epílogos seriam mais interessantes. Nem assimilando-o como comédia, como no episódio anterior, ele funciona minimamente. Uma conclusão com a cara do pior de American Horror Story, fechando mais uma temporada que parecia que “ia” pela melhoria na parte técnica, mas que acaba na média, com a mesma mediocridade.

American Horror Story (Double Feature) – 10X10: The Future Perfect | EUA, 20 de Outubro de 2021
Criação: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Axelle Carolyn
Roteiro: Brad Falchuk, Manny Coto, Kristen Reidel, Reilly Smith
Elenco: Sarah Paulson, Leslie Grossman, Angelica Ross, Neal McDonough, Kaia Gerber, Nico Greetham, Isaac Powell, Rachel Hilson, Cody Fern, Craig Sheffer, Vince Foster, Eric Nenninger, Matt Nolan, Briana Lane, Marty Dew, Shane Carpenter, William Granillo, Erik Adkins, Adam Gibson
Duração: 42 minutos

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