Crítica | O Rei Leão

estrelas 5

Lembro que a primeira vez que vi a animação O Rei Leão me ocorreu que a história tinha elementos que lembravam uma trama shakespeariana. Ao invés de palácios, tínhamos a savana africana. E ao invés de príncipes e reis; leões, hienas e suricates. Mas o vilão invejoso que mata seu próprio irmão para lhe tomar o lugar na Pedra do Reino, o exílio do herdeiro legítimo e sua volta triunfal para tomar posse daquilo que lhe pertencia por direito tinham sim sido inspirados na trágica história de Hamlet, conforme o próprio estúdio Disney divulgou posteriormente.

Além disso, na animação o jovem leão Simba costuma ter visões de seu pai morto, o rei Mufasa, assim como em Hamlet o fantasma do rei passa a surgir para seu filho. Portanto, minha percepção não estava errada. Os autores do roteiro também admitem que beberam na fonte de outras histórias como o próprio Bambi (desde então, numa animação da Disney uma morte não era apresentada ao público infantil, causando agora igual comoção), e na história de Kimba – O Leão Branco. O Rei Leão faz parte da chamada nova era de ouro da animação Disney, que se iniciou com A Pequena Sereia, em 1989, e continuou com A Bela e a Fera, Hércules, Aladdin, formando na minha opinião um quinteto que se completa com esta animação clássica que já está fazendo 20 anos. Além de pinçar elementos dramáticos e temas em outras histórias já consagradas e saber dosá-las numa história totalmente original, os produtores tiveram cuidados de produção que incluíram uma passagem pelo Quênia, na África, para pesquisar, fotografar e desenhar cenários e animais típicos da savana.

O resultado não poderia ter sido melhor. Além da qualidade pictórica da animação, com sua exuberância de cores e detalhismos gráficos, a construção das personagens e principalmente a inspirada trilha sonora de Hans Zimmer, com canções compostas pelo cantor Elton John em parceria com o compositor Tim Rice, reservou de imediato a O Rei Leão o lugar de um novo clássico de animação da Disney. O sucesso foi tão grande que o filme ainda ocupa o 18º lugar de filme com maior bilheteria em toda história, perdendo apenas para Toy Story 3 o título de animação mais rentável. A trilha sonora, quando comercializada, atingiu, somente nos Estados Unidos, a marca de 10 milhões de cópias vendidas. E por fim, a história foi adaptada, transformando-se num musical de sucesso da Broadway, em 1997, fazendo o caminho inverso do que normalmente acontece com os filmes de Hollywood.

O Rei Leão resiste ao tempo. É uma das animações preferidas do público de todas as idades há 20 anos, e fez de seus personagens Simba, Timão e Pumba dos mais apreciados pelas crianças em todo o mundo, tendo sido comercializados e reproduzidos de diversas maneiras pelo marketing que se seguiu ao sucesso do filme. Relançado em versão 3D, em 2011, manteve-se no topo das bilheterias americanas e canadenses por duas semanas consecutivas, arrecadando em torno de 22 milhões de dólares, o que o fez chegar próximo de 1 bilhão de dólares em bilheterias somente nos cinemas.

A animação tem sequências de tirar o fôlego, como sua abertura – ao som da canção Circle of Life – a dramática cena da morte de Mufasa, pai de Simba e quase todas aquelas embaladas pelas espetaculares canções, como Be Prepared. No livro “1001 Filmes para Ver Antes de Morrer”, a animação O Rei Leão foi justamente incluída. Caso contrário, seria uma ausência imperdoável da compilação. Vou mais longe e digo,  sinceramente, que se fosse escolher meus 100 filmes preferidos de todos os tempos, pouquíssimas animações fariam parte da lista, mas, sem dúvidas, estaria reservado um lugar para este clássico da Disney.

O Rei Leão (The Lion King)EUA, 1994
Direção: Roger Allers e Rob Minkoff
Roteiro: Ireni Mechi, Jonathan Roberts, Linda Woolverton
Elenco: vozes na versão original em inglês de Matthew Broderick, James Earl Jones, Jeremy Irons, Nathan Lane, Moira Kelly, Rowan Atkinson, Whoopi Goldberg
Duração: 89 minutos

SIDNEI CASSAL. . . . Formado em Letras (Português/Francês) . Estudante de Direito. Trabalhei com redação e criação publicitária. Participei de Oficina de Cinema, em convênio com a TVE-Porto Alegre, onde os curta-metragens produzidos foram montados e exibidos. Cinéfilo de carteirinha.