Home Colunas Lista | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 4ª Temporada (Parte 1): Os Episódios Ranqueados

Lista | Ataque dos Titãs (Attack on Titan) – 4ª Temporada (Parte 1): Os Episódios Ranqueados

por Kevin Rick
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Attack on Titan

Attack on Titan
Avaliação da primeira parte da temporada
:

(não é uma média) 

Depois de hiatos, mudança de estúdio, reclamações sobre a animação, devaneios do crítico em questão e muita discussão rara sobre a linguagem de animes, chegamos ao desfecho da temporada final de Attack on Titan… em partes. A MAPPA empregou um cliffhanger e anunciou uma segunda parte para 2022 – que todo mundo já sabia também -, deixando os fãs ansiosos, especialmente aqueles que não acompanham o mangá. Aliás, serei forte e vou me segurar até o lançamento dos episódios finais… alguém para me acompanhar? He, he.

Serei polêmico agora: prefiro a segunda e a terceira temporada da série, ainda que essa primeira parte do ano final seja excelente. E como é de praxe do Plano Crítico em séries que acompanhamos semanalmente, fiquem com nosso ranking de episódios. Concordem, discordem e coloquem seus rankings das temporadas se tiverem vontade. Comentem e vamos debater!
Attack on Titan Attack on Titan

16º Lugar:
No Céu e na Terra

4X16

No Céu e Na Terra pode, basicamente, ser dividido em três momentos: a reunião de Yelena e Pixis; a conversação entre os remanescentes do elenco principal encarcerados, também com Yelena; e o desenrolar do embate entre Eren e Pieck. Tudo muito bom, ok, mas nada demais. Daí, eu comecei a me lembrar de um argumento bastante usado nos comentários: “mas o anime está seguindo e adaptando o mangá a risca, dividindo o encadeamento de acordo com o material original”, como uma maneira de justificar algum problema estrutural, rítmico ou sequencial da série. Não entendo a veracidade dessa visão, pois, mesmo sendo mais uma transliteração que uma adaptação, o show precisa criar seu estilo e andar com suas próprias pernas, e a estrutura é chave nessa diferenciação, afinal, estamos falando de capítulos mensais comparados com um desfecho (parcial) de temporada. E nisso, No Céu e Na Terra joga com óbvio, o simples e o eficiente. Attack on Titan Attack on Titan

Attack on Titan

15º Lugar:
De Uma Mão à Outra

4X04

Por causa da precaução do estúdio, não se têm muito o que dizer do quarto episódio da temporada final, que é basicamente uma reiteração de temáticas usadas anteriormente com a adição de um tom mais cômico e descontraído antes da comum tragédia que estamos acostumados na série. Isso não significa que o novo capítulo seja fraco, muito longe disso, pois o roteiro continua encontrando novas maneiras de apresentar essa diferença racial em Marley. Gosto bastante dos dois núcleos usados por Isayama para continuamente dialogar sobre o preconceito, sendo o primeiro deles as crianças Titãs, juntamente com os atuais Titãs, novamente utilizados na verdade, mas com uma exposição mais descompromissada. A cena dos garçons é provavelmente a mais carregada de significados, afinal, os possíveis futuros candidatos à heróis militares de Marley são tratados como mero serventes, que sequer podem ter o direito de errar na noite burguesa dos esnobes marleyanos. São críticas sociais já vistas, mas é interessantíssimo a exibição de um desfecho – até aqui, claro – com uma nota mais otimista para os infantes. A própria divisão do término do episódio após o festival, posteriormente com um pós-crédito, fomenta o fechamento de ciclo dos personagens que protagonizaram a história até aqui. Claro que é um fechamento entre aspas, mas o belíssimo teor esperançoso é um ótimo contraste com a tristeza que veio antes e a calamidade na posteridade. Nada que é bom dura muito tempo em Attack on TitanAttack on Titan Attack on Titan

De Uma Mão à Outra

14º Lugar:
Soldados Voluntários

4X09

Dito isso, Soldados Voluntários prepara vários desenvolvimentos curiosos ao longo da narrativa paradoxal. A aliança de Paradis com Yelena – baita personagem interessante – e os soldados voluntários, com um final digno de tramas políticas maquinadas por Pixis; predetermina divisões ideológicas na nação Eldiana; expõe o contexto misterioso do plano de Zeke, que me leva a pensar num sacrifício real; traz a maravilhosa Annie de volta para a história, mesmo que ainda cristalizada; e, o mais importante, estabelece a posição individualista (ou seria uma espécie de sacrifício da índole em prol do coletivo?), obsessiva e um tanto perturbada de Eren com o shot final corrompido do protagonista. Ainda faltam núcleos a serem desenvolvidos, principalmente Zeke, pouco mostrado no episódio, mas o nono capítulo da temporada indica que teremos mais cenários políticos e divisivos neste arco de Paradis, o que me deixa extremamente feliz. Um típico episódio de respiro narrativo, contemplativo, de consequências trágicas e preparações para a metade final de Attack on Titan. Só me pergunto como vão resolver tudo isso com tão pouco sobrando da temporada… Attack on Titan Attack on Titan

Soldados Voluntários

13º Lugar:
Titã Martelo de Guerra

4X06

Dessa forma, a narrativa do anime continua os joguinhos morais com o protagonista, carregando seus companheiros de Paradis para dentro da esfera pungente da guerra e da sobrevivência, com um quê vingativo, fazendo um paralelo com o ataque marleyano à Paradis no primeiro episódio da obra. Interessante imaginar como o autor poderia muito bem ter iniciado a trama da série desse ângulo, e aos poucos destrinchado a história para diferentes perspectivas como ele já fez, só que, partindo do ponto de vista inicial de Eren como antagonista. A ideia é apresentar o ambiente como elemento determinante do pensamento coletivo, dessa forma, justapondo os “demônios de Paradis” através da visão rasa e preconceituosa de personagens como Gabi e Galliard, já que os Eldianos “ruins” são tudo, e muito mais, que a educação marleyana marcou em suas mentes. É fácil odiar tais personagens, mas acredito que a única maneira de absorver completamente a mensagem de Isayama é, nesse episódio, partilhar da dor, luto e crueldade impostas aos chamados “vilões”.

Titã Martelo de Guerra

12º Lugar:
Mentiroso

4X11

Attack on Titan nos entrega um episódio com arquétipos conhecidos da série, martelando elementos habituais para os fãs. Tudo é exposto de modo intimista e bem orgânico no escopo geral, mas, como disse, o enfoque nessas temáticas termina por ser um pouco reiterativo. Entretanto, nada que detraia enormemente da qualidade contínua da quarta da temporada, e do atual arco de Paradis, que atira curiosos diálogos e cenas conspiratórias, conforme a criação de facções e divergências ideológicas, com Eren até mesmo assumindo um papel messiânico, se tornam iminentes e interessantes para o desfecho do anime.

Mentiroso

11º Lugar:
Argumento Correto

4X10

Em mais um episódio de preenchimento narrativo, Attack on Titan mantém um excelente roteiro, equilibrando a construção de um teor mais realista e de expansão política com a dramática dinâmica do grupo principal da Divisão de Reconhecimento, especialmente focada na psique aparentemente quebrada de Eren. Ao que tudo indica, os próximos episódios continuarão o arranjo mais intimista e político, e, honestamente, estou mais ansioso pelas resoluções dos acordos, possíveis traições e rachaduras ideológicas do que qualquer batalha grandiosa. Aliás, Zeke continua uma incógnita, hein?

Attack on Titan

10º Lugar:
Quem Conduz

4X12

Quem Conduz, à primeira vista, pode parecer um episódio menor dentro do escopo da série, mas diferentemente dos últimos capítulos mais políticos, o slow burn aqui é, na minha visão, excelente e transformativo para o final da série. Adicionar um toque de fanatismo e divindade ao arco já mais diferentão, proporciona um curioso caminho para Eren no Novo Império de Eldia, e seus amigos também, cada vez mais distantes do personagem, além de preencher a trama já complexa com mais ramificações intrigantes sobre novas temáticas em relação à figura e a simbologia que Eren representa, seja ela correta ou errada. Aliás, isso nunca verdadeiramente importou em Attack on Titan.

Attack on Titan

9º Lugar:
Trem da Noite Escura

4X02

Após o primeiro episódio de ação frenética, o roteiro quer navegar no pós-guerra, adentrando maquinações governamentais, situações preconceituosas da divisão marleyanos/eldianos no transporte, na moradia e na hierarquia administrativa (notem o uso de Zeke nesse artíficio), e, o principal tema do segundo capítulo, o transtorno de estresse pós-traumático. A direção do episódio constrói uma atmosfera tenebrosa sempre que somos apresentados à desajuizados soldados eldianos, com um grande uso de iluminação sombria e trilha sonora macabra, utilizadas com mais potência nas duas melhores cenas do episódio – e duas das minhas favoritas da série –, que merecem um olhar mais aprofundado. Ambas contém Reiner como centro, mas sustentam diferentes conotações para o personagem e para o enredo da animação. A primeira é uma conversa entre ele e Falco, na qual Isayama manuseia o já recorrente horror advindo da servidão dos cidadãos eldianos, em um discurso aterrorizador com objetivo protetor de Reiner para com a criança, mas, principalmente, é a formação dos indícios de uma possível traição do Titã Blindado, remetendo-se a contradição de culpa e senso de dever do personagem, lentamente estruturadas desde um certo plot twist.

Attack on Titan

8º Lugar:
Bala da Morte

4X08

Todos são, como sempre, bem construídos, porém, a parte que mais me intrigou é o diálogo entre ela e Falco, no qual ele explicita que não é necessariamente um ataque de Paradis, e sim uma retaliação, e para não me estender muito, ela pergunta se Falco presenciou a situação descrita, pelo qual ele responde negativamente, e ela diz, como está no início do texto, que também não viu. Isso pode significar que Gabi não acredita na veracidade dos fatos por não ter visto, contudo, acredito que a ideia do roteiro é mais complexa que essa, navegando na decisão consciente de Gabi que odeia um inimigo, e o vê como diferente e maligno, apesar de saber que sua nação incitou tais acontecimentos. Não existe racionalização, apenas ódio e instinto, o que resume muito bem a guerra e os conflitos entre Marley-Paradis. E a dualidade de Falco com os flashbacks da visão, digamos, “madura” de Eren do combate, elabora o interessantíssimo núcleo da jornada e relacionamento das duas crianças.

Bala da Morte

7º Lugar:
Crianças da Floresta

4X13

A forma como a narrativa vai construindo a descoberta é sensacional, iniciando-se no abalo de Nicolo, levando-nos ao ótimo embate na sala de jantar, no qual vemos o ódio tomando conta do cozinheiro, ao mesmo tempo que temos o semblante de culpa de Gabi. Os diálogos de conflito, assim como de apaziguamento por parte de Blouse, representam as temáticas da série como um todo, e, novamente, a montagem magnífica de suspense vai criando esse laço inquietante e obsessivo com o espectador sobre o desenrolar da ação. Além disso, a transição da discussão em torno da morte de Sasha para as questões políticas ocorre naturalmente, e a sacada das garrafas “envenenadas” com o fluido espinhal de Zeke é mais um bem construído recurso na guerra de facções, puxando eventos lá do início da 3ª Temporada.

Crianças da Floresta

6º Lugar:
Do Outro Lado do Oceano

4X01

Todos estes pontos intricados estão diluídos dentro de um episódio frenético, que não dá brecha para desvio de atenção por um segundo sequer, com vinte minutos voando como cinco, deixando o espectador ansiando por mais. Existia muita dúvida por partes dos fãs em relação à qualidade da animação, consequente da troca do estúdio, e, sinceramente, eu adorei. É notável a diferença do trabalho, mas tudo continua lindo. O CGI tão fortemente exprimido nos Titãs causa maior estranheza, mas não tenho nada a reclamar. Hajime Isayama é um gênio, e sua magnum opus retorna em um episódio sem defeitos, navegando nas conotações sociopolíticas deste universo tão parecido com o nosso, mas sustentando o fantástico em um capítulo recheado de ação. Mal posso esperar para conferir o restante desta temporada final.

Do Outro Lado do Oceano

5º Lugar:
Porta da Esperança

4X03

A cena final curta nos diz muito do que vem por aí, com – e isso não é spoiler do mangá, porque não poderia ser mais óbvio – Eren sedimentando tudo que foi apresentado no episódio, usando os soldados como exemplo, abrindo uma janela de oportunidades para o anime navegar no paralelo de Paradis ser o invasor, e como isso poderá afetar futuramente nosso núcleo principal de personagens, como tem afligido Reiner e os soldados Eldianos no inferno psicológico ou como uma porta de esperança. Esse é um episódio com várias camadas de crítica social, e mal posso esperar o contínuo desenvolvimento de tais temas no universo fantástico de Attack on Titan, que também urge por um pouquinho de ação, pois ninguém é feito de ferro (he,he).

Porta da Esperança

4º Lugar:
Selvageria

4X14

Ufa, agora que tirei isso do peito, podemos falar do melhor elemento do episódio: a dinâmica de Levi e Zeke. O que começou como ódio – e ainda é -, tomando proporções obsessivas para o baixinho implacável, e nessa temporada assumiu até um caráter cômico de competição – o terror de Zeke é impagável -, ganha seu clímax na sensacional sequência de eventos da floresta.  Se pudesse resumir o desencadeamento de ações dessa cena, seria recompensa. Recompensa de um roteiro que preza pela construção minuciosa a longo prazo, tanto por parte do líquido espinhal e a transformação dos soldados em Titãs, até, em maior força emocional, a reação de Levi. O sacrifício em prol do bem da humanidade com uma pontinha de egoísmo… isso lembra alguém? Adoro essa questão cíclica que Isayama trabalha, muito bem feita na culpa, admiração e remorso de Levi para com Erwin e suas ações até o momento atual, remetendo-se a um belo discurso do personagem lá no início da terceira temporada, no qual ele diz não saber se o que faz é correto, só podendo agir de acordo com sua mentalidade, arcando com as consequências.

Attack on Titan

3º Lugar:
A Única Salvação

4X15

Gostaria de confessar meu ego inflado, pois na minha mente o final da obra estava superficialmente desenhado. Claro que não sei o desfecho ou os meandros da história, mas senti que a pintura do final da série estava bem clara: a tentativa de genocídio por parte de Eren e sua facção, enquanto duas frentes tentariam pará-lo, sendo os remanescentes do círculo de amizade do protagonista e os inimigos Marleyanos. Daí, Isayama inverte tudo com um de seus conceitos mais… ferrados da obra. Peço perdão pela palavra, mas eutanásia de um povo como meio de liberdade? É um conceito tão vil e impiedoso, dentro de uma visão completamente egoísta de Zeke e Eren, mas também tão triste. O fato de enxergarem o fim do sofrimento no “não nascer” abre a última porta de culpa trágica da obra. A vontade de não existir, indo além ao impor isso a todos os Eldianos, em uma visão deturpada de misericórdia. Fiquei atônito com a ideia, e mais ainda por sentir um pontinha de sentido no plano dos irmãos, mentalidade essa causada pelo ótimo flashback, que realmente questiona o espectador de qual é a possível saída desse turbilhão de ódio eterno.

Attack on Titan

2º Lugar:
Declaração de Guerra

4X05

Adoro como o discurso de Eren encapsula perfeitamente todas as temáticas da obra que lentamente foram saindo do ocultismo, desde a assimilação de como não existe “lado certo” na narrativa, a compreensão que personagens outrora odiados como Reiner são vítimas situacionais, a consciência do preconceito como visão eterna das outras nações e o próprio conformismo com a violência prestes a ser cometida. E dentro desse discurso, adoro como o anime faz um paralelo com a palestra de Tybur, um líder nato que, de certa forma, tem o mesmo ideal que Eren, mas encontra-se na oposição, e aos pouquinhos vai corroborando a fala do protagonista, ao mesmo tempo que somos expostos ao espectro emocional de Reiner, a começar pelo choque, depois medo, culpa e, por fim, desespero, pois entende o que está para acontecer, e tenta, por um minuto, usar o emocional para mudar a ideologia de Eren, o único momento de “embate” nesse sentido de ambos.

Declaração de Guerra

1º Lugar:
Agressão

4X07

E saindo do papo técnico, a estrutura fracionada do episódio funciona espetacularmente ao entregar uma trama minimalista e restrita no escopo épico, desenvolvendo a turbulência ideológica e moral dos Eldianos na transmissão do massacre. Dentre minhas cenas favoritas estão a sequência do Armin compreendendo a “visão” de Bertholdt, e a revelação que ele arquitetou a invasão – aliás, quem aí amou ver a Hange tapa-olho? –, e o momento que Jean fica em dúvida se errou propositalmente ou se o vapor desviou o tiro frente à Falco e Pieck, abrindo um leque de caminhos tortuosos e angustiantes para trabalhar personagens anteriormente mais piedosos como os dois. Desde a aparição de Eren e seu discurso genocida, estava intrigado pela dinâmica do grupo principal, e o fato deles comprarem a ideia por completo, a despeito de vacilarem emocionalmente, provém uma jornada incomum para os protagonistas até aqui, assumindo o fronte de invasores cruéis.

Agressão

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