Veredito Cinéfilo #19.1 | Os 100 Melhores Filmes da Década – Parte 1

Acharam que a gente tinha parado de caçar briga com as listas do final do ano passado? Pois acharam errado! Listas, briga sobre listas, passar mal fazendo lista, passar nervoso comparando lista e gastar energia psíquica com quem não entende o princípio e o caráter pessoal de se fazer listas é praticamente a nossa vida nesse site obscuro e de nicho  😉

Mas antes de entrarmos na lista oficial (composta pelas indicações pessoais de Luiz Santiago, Ritter Fan, Iann JelielMichel Gutwilen, Rodrigo Pereira, Fernando Annunziata e Fernando Campos), vamos comentar sobre uma coisinha numérica, uma coisinha específica sobre datas, sobre início e sobre o fim de um certo período de tempo…

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TENS O NECESSÁRIO PARA ESMAGARES A MINHA DÉCADA?

Cara Legião dos Beremiz Samir,

É internacionalmente conhecido o esforço que vossas senhorias empregam para tornar o mundo um lugar teoricamente perfeito, onde todos os habitantes usam termos e expressões de diversas áreas corretamente, tendo vocês, ó sábios e científicos, como os grandes corretores e denunciadores daqueles que usam termos errados. Há exatas 666 Luas, presenciamos a belíssima Jornada Internacional Pelo Uso Correto dos Termos “Tóxico” e “Venenoso” que vocês fizeram em Tonga, assim como o Cisma Pela Compreensão do Que São “Lei, Hipótese e Teoria”, o Referendum Sobre a Noção Humana do que é “Meteoro, Meteorito e Asteroide”, as 95 Teses Pelo Uso Correto de “Anos-Luz”, a Missão Planetária Pela Definição Precisa da Palavra “Fascismo” e agora, a Manifestação Internauta Para a Lembrança de Quando Começa e Quando Termina Uma Década, ou, como a gente diz lá em Paulo Afonso, “ai, que bicho chato da gota!“.

Através desta cartinha, afirmamos que nós temos pleno conhecimento de que uma década (e também os séculos e os milênios, com seus respectivos acréscimos de zero) sempre começam no 1 e sempre terminam no 0. Ou seja, nós sabemos que 2020 é o matemático fim da década de 2010 e que a década de 2020 começa apenas em 2021. Gostaríamos porém, de pedir licença a vós, ó preciosos, para que usemos “DÉCADA” aqui no senso comum, no sentido de “ANOS TAL” (nesse caso, anos 2010). Nós temos plena noção do que estamos fazendo. A propósito, o ISO 8601 mandou saudações respeitosas. E aquele vídeo em má qualidade de vocês preocupados com o bug do milênio de 1999 para 2000… também.

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NOSSO SITE, NOSSAS REGRAS

  1. São elegíveis apenas os filmes que estrearam entre janeiro de 2010 e dezembro de 2019.
  2. Não são elegíveis filmes feitos para a TV.
  3. São elegíveis filmes que estrearam em plataformas de streaming.

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ADVERTÊNCIA

Se você ficou muito triste porque o seu filme favorito da década não está na lista, considere primeiro se ele se encaixa nas regras expostas acima, mas independente de qualquer coisa, peço que use e abuse do espaço de comentários nessa postagem para você mesmo criar a sua versão dos melhores! Não adianta chorar, espernear, xingar ou dizer que “parei de ler quando…” porque a nossa lista não mostra exatamente o que você queria que ela mostrasse — e na colocação que você sempre sonhou. Entre também na brincadeira, componha seu próprio ranking e aí vamos falar sobre nossas escolhas, sobre concordâncias e discordâncias diante delas, sobre os filmes da década como um todo. Lista é opinião, e como qualquer concordância e discordância de opinião, você precisa apresentar algo em troca. Apenas chorar pitangas, lamentar ausências e sufocar-se por colocações diferentes da sua não vai adiantar em nada. Liste também! E vamos falar de cinema!

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OS 100 MELHORES FILMES DA DÉCADA (2010 – 2019) – PARTE 1

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Rodrigo PereiraO cinema, essa arte tão encantadora pela qual somos apaixonados, sempre esteve presente na minha vida em maior ou menor grau. Se despertei interesse pelo meio desde tenra idade, essa década foi a responsável por me conquistar por completo. Como as pessoas próximas à mim já sabem, quando criança, o meu não entendimento do porquê boa parte dos filmes que assistia — lista majoritariamente constituída por exibições da Sessão da Tarde — nunca compunham listas de premiações como Oscar, por exemplo. Da mesma forma que desconhecia boa parte das obras amplamente premiadas. Essa curiosidade foi o que me fez, ali pela metade da década de 10, a querer conhecer a arte mais a fundo. E foi a sessão de A Chegada, que tornou-se meu filme favorito por motivos além da tela, que percebi a grandiosidade do cinema.

A partir de então, com ajuda principalmente do Fernando Campos e do Luiz Santiago, caí de cabeça no incrível mundo da sétima arte. Se hoje vos escrevo nesse maravilhoso espaço, tenho grandes figuras cinematográficas eternizadas em minha pele e com uma paixão que só aumenta pelo cinema, tudo isso contribuiu de alguma maneira. Que venham mais e mais décadas cinéfilas para todos nós.

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100º Lugar: Pantera Negra

Black Panther — 🇺🇸 2018 / Direção: Ryan Coogler

Pantera Negra, sem dúvida alguma, era um dos filmes mais aguardados do Universo Cinematográfico Marvel desde que sua produção foi anunciada e desde que a primeira aparição em carne e osso (e vibranium) do herói se deu em Capitão América: Guerra Civil, ainda que sua presença, ali, tenha sido de certa forma ofuscada pela talvez ainda mais aguardada ponta do Homem-Aranha. Quando o elenco quase que integralmente composto de atores negros começou a ser anunciado, começou-se a notar que estaríamos diante de um filme focado nas raízes do personagem, evitando aquelas transposições de ação para outros lugares onde T’Challa seria o único personagem africano em meio ao usual mar de caucasianos.

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99º Lugar: Missão: Impossível – Efeito Fallout

Mission: Impossible – Fallout — 🇺🇸🇨🇳🇫🇷🇳🇴🇬🇧 2018 / Direção: Christopher McQuarrie

Como entende o universo da série, McQuarrie configura sobre Hunt uma aura heroica, percebendo os feitos improváveis – para não dizer impossíveis – realizados pelo agente. Durante o filme, veremos as eternas tentativas de Hunt em salvar todos, ajudar todos e, para isso, Christopher McQuarrie entende como crucial o retorno de figuras carimbadas. Aquele revezamento de antes, com personagens esquecíveis substituindo personagens esquecíveis, não mais existe. O controle exímio por parte do cineasta no que quer para a franquia, no segundo filme sob o seu comando, é exatamente o que permite Missão: Impossível – Efeito Fallout ser um ápice do gênero.

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98º Lugar: A Árvore da Vida

The Tree of Life — 🇺🇸 2011 / Direção: Terrence Malick

Sua filmografia conseguiu a amplitude que tem, graças à perfeição narrativa e a planificação lírica e poética (salientando bem a diferença entre as duas coisas) em um momento do cinema em que tais produções são cada vez mais raras aqui no Ocidente. Não é que não existam obras com esse caráter, mas convenhamos que não há muitos cineastas preocupados em trazer para seus filmes uma linha mais impalpável, panteísta, deixando de lado a montagem televisiva, o roteiro verborrágico e a direção inquietante. O cinema de Malick é um exemplar do cinema que se preocupa com a alma.

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97º Lugar: Guerreiro

Warrior — 🇺🇸 2011 / Direção: Gavin O’Connor

Seja como for, Guerreiro vale cada centavo e o investimento de talvez longos demais 140 minutos de projeção. Sem recorrer a litros de sangue, a direção de Gavin O’Connor, de O Contador, que também co-escreveu o roteiro, é segura e consegue engajar o espectador sem apelar para a violência explícita a esse ponto, aspecto até curioso para a produção, mas que mostra que o velho adágio de que “menos é mais” sempre está certo.

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96º Lugar: Como Treinar Seu Dragão

How to Train Your Dragon — 🇺🇸 2010 / Direção: Dean deBlois, Chris Sanders

Como também já disse, a animação é de primeiro nível. Os designs dos personagens humanos, um pouco para o lado cartunesco, foram, também, escolhas certeiras. Foi como se os desenhistas resolvessem ressaltar – e exagerar – as qualidades e defeitos de cada um dos personagens, mas sem criar necessariamente clichês ambulantes. No entanto, o que realmente enche os olhos são mesmo os dragões.

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95º Lugar: Me Chame Pelo Seu Nome

Call Me By Your Name — 🇮🇹🇺🇸🇫🇷 2017 / Direção: Luca Guadagnino

Evitando qualquer dramalhão, problematizações, sentimentos opressivos (como a maioria dos romances gays costumam ser) e encarando o belo como o agente da mudança, Me Chame Pelo Seu Nome é essa investigação suntuosa, vibrante e pontual sobre o amadurecimento através do não-questionamento sobre a sexualidade (o que garante que o filme abrace sua universalidade), mas da entrega ao desejo, do encantamento para além do que é superficial, e da permanência dos efeitos de uma nova descoberta.

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94º Lugar: A Forma da Água

The Shape of Water — 🇺🇸🇨🇦 2017 / Direção: Guillermo del Toro

A Forma da Água é, acima de tudo, uma história de amor. Um conto de fadas, como A Bela e a Fera. Uma narrativa que, assim como outras fantásticas, transpira pelo seu contar, entre as facilidades e as dificuldades de se narrar um clássico numa época em que o classicismo é anacrônico, a puerilidade invocada da improvável relação entre dois amantes supostamente inconciliáveis.

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93º Lugar: Logan

Logan — 🇺🇸 2017 / Direção: James Mangold

É um filme que se difere de outras adaptações de quadrinhos e do selo Marvel de muitas maneiras. Temos um retrato melancólico e debilitado de um universo outrora tão colorido, soando como uma mistura esperta entre Filhos da Esperança (adicione também o fato de que “nenhum mutante é nascido há anos) e Mad Max, com o visual próximo de um western e que concentre boa parte de sua ação na estrada e na fronteira entre os EUA e México.

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92º Lugar: Sing Street: Música e Sonho

Sing Street — 🇮🇪🇬🇧🇺🇸 2016 / Direção: John Carney

Sing Street finaliza quase como uma fantasia, um filme que oscila entre o território dos sonhos a serem realizados e a realidade, utilizando o rock n’ roll para preencher esse espírito de rebeldia necessário a qualquer um que deseja correr atrás daquilo que realmente quer de sua vida.

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91º Lugar: A Rainha de Versalhes

The Queen of Versailles — 🇳🇱🇬🇧🇺🇸🇩🇰 2012 / Direção: Lauren Greenfield

E é muito interessante ver a história se repetir, dessa vez em um microcosmo de um bilionário, seus sonhos de grandeza e sua queda repentina. É isso que conta o ótimo e angustiante documentário A Rainha de Versalhes, dirigido por Lauren Greenfield, cujo trabalho arrebatou o prêmio de direção de documentário no festival de Sundance desse ano.

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90º Lugar: Indomável Sonhadora

Beasts of the Southern Wild — 🇺🇸 2012 / Direção: Benh Zeitlin

E ao se apoiar na construção de um universo paralelo feito pela personagem de Wallis, Indomável Sonhadora encontra seu maior trunfo. A garota é a alma do filme, atingindo um nível de atuação incomum e quase surreal para sua idade. Não é apenas seu carisma que é imenso, mas também a naturalidade com que a atriz mirim nos convence e nos envolve no interior de seu universo imaginário.

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89º Lugar: Precisamos Falar Sobre o Kevin

We Need to Talk About Kevin — 🇺🇸🇬🇧 2011 / Direção: Lynne Ramsay

Precisamos Falar Sobre o Kevin se encerra, então, com uma de suas cenas mais tocantes, quando o menino, assustado com o fato de ter de ser movido para uma prisão de adultos, enfim, se entrega ao abraço de sua mãe, revelando, mais uma vez, que nos momentos de maior fraqueza, ele se entrega a única pessoa de quem, à sua própria maneira, realmente gosta.

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88º Lugar: De Volta ao Jogo

John Wick — 🇺🇸 2014 / Direção: Chad Stahelski, David Leitch

Há quem diga que é mais fácil lidar com animais do que com pessoas. Em De Volta ao Jogo, Keanu Reeves é convenientemente pintado com uma imagem plenamente oposta à que lhe cabe: de um animal a ser domado e/ou temido desesperadamente.

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87º Lugar: Corra!

Get Out! — 🇺🇸🇯🇵 2017 / Direção: Jordan Peele

O roteiro ainda guarda, para seus últimos minutos, um pungente desespero, aterrado essencialmente à fuga permanente do cidadão negro das mãos de uma sociedade passivamente e agressivamente preconceituosa. Quem tem as mãos no volante? O horror está no ar. Com uma abordagem original da questão racial dentro dos Estados Unidos, Corra! é, mormente, um filme de terror de excelência.

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86º Lugar: Kubo e as Cordas Mágicas

Kubo and the Two Strings — 🇺🇸🇯🇵 2017 / Direção: Travis Knight

Kubo e as Cordas Mágicas se diferencia e muito da grande massa das produções do gênero, nos trazendo uma animação que nos fisga de imediato, conseguindo manter nossa atenção em sua beleza do início ao fim da projeção. Além disso, conta com um roteiro que foge do comum e não tem medo de abordar difíceis conceitos como a morte e a aceitação do diferente, fazendo isso tudo de forma orgânica.

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85º Lugar: Moana: Um Mar de Aventuras

Moana — 🇺🇸 2016 / Direção: Ron Clements, Don Hall, John Musker, Chris Williams

A emancipação da personagem é um momento poderosamente honesto e catártico – um chamado à aventura, não ao amor. Enquanto em A Pequena Sereia, o mágico partia do romance, não do encantamento da cultura do ser humano e apenas, em oposição à cultura marinha, o maravilhamento da personagem, assim como do espectador – coisa que é compartilhada nos dois casos -, em Um Mar de Aventuras, nasce da descoberta pelo desconhecido.

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84º Lugar: Killer Joe: O Matador de Aluguel

Killer Joe — 🇺🇸 2011 / Direção: William Friedkin

Friedkin mostra que ainda está em forma, apesar de várias obras menos do que memoráveis em tempos recentes, especialmente ao extrair de todo os atores (Haden-Church é quem menos é bem-sucedido aqui) atuações fortes, impressionantes mesmo. Mas fica um aviso: vocês nunca mais encararão uma coxinha de galinha da mesma maneira depois de Killer Joe.

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83º Lugar: Coringa

Joker — 🇺🇸 2019 / Direção: Todd Phillips

É um filme perturbador, diferente das adaptações de quadrinhos a que estamos acostumados, mas que tem tudo a ver com o que o Coringa é e representa. Um estudo de personagem e de seu ambiente que faz todo o sentido ter nascido em tempos como os nossos. Um retrato medonho sobre a crueldade em seu nível mais básico e sobre como a loucura pode estar em qualquer lugar, especialmente nos risos desesperados, exibidos a qualquer custo. É um lado extremo e aterrador da vida, mas é a vida. Então que entrem os palhaços.

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82º Lugar: Aquarius

Aquarius — 🇧🇷🇫🇷 2016 / Direção: Kleber Mendonça Filho

O velho, o novo e o vir-a-ser de um imóvel e de algumas vidas são dissecados aqui. No todo, a obra trata de pessoas agindo para defender aquilo que acreditam ser certo. E é isso que faz do filme um dos melhores lançamentos brasileiros dos últimos anos: a tese não suplanta as questões humanas e nem faz desejos comuns mergulharem em um drama de A versus B. O edifício e seu impasse são apenas um princípio. Como sempre, há muito mais acontecendo entre quatro paredes.

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81º Lugar: Antes da Meia-Noite

Before Midnight — 🇺🇸🇬🇷 2013 / Direção: Richard Linklater

Antes da Meia-Noite se encerra como um tapa na cara do público, obrigados a encarar questão tão reais que raramente nos permitimos refletir sobre elas. Apesar da crueza, da falta de glamour e da ausência de concessões, o filme se encerra e ainda assim é capaz de nos deixar com um enorme sorriso no rosto. É a arte não imitando, mas retratando a vida como ela é. E não há nada mais difícil de se encarar do que a verdade nua e crua à nossa frente.

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80º Lugar: Azul é a Cor Mais Quente

La vie d’Adèle — 🇫🇷🇪🇸🇹🇳🇧🇪 2013 / Direção: Abdellatif Kechiche

Azul é a Cor Mais Quente é muito mais profundo do que “aquele filme com cena de sexo lésbico” ou do que “aquele filme da mulher de cabelo azul”. Ele mergulha em um oceano de descobertas e da vida que poucas vezes vemos de maneira tão eficaz na tela grande, tornando a experiência um grande prazer.

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79º Lugar: Culpa

Den Skyldige — 🇩🇰 2018 / Direção: Gustav Möller

O filme expõe, investiga e nos faz sentir um problema, a partir de uma posição de quem tem a função de ajudar, mas não nos deixa desesperançados. A amargura do final é realista. É vital para o filme. É o que temos no nosso dia a dia, para casos tão complicados quanto. Em alguma medida, a justiça e o bem conseguem o seu lugar destaque. Mas infelizmente não no tempo e no espaço que devem ou que queremos. O substrato disso, do ponto de vista daqueles que deveriam fazer a justiça e o bem, só pode ser a culpa. E daquelas do pior tipo: a culpa compartilhada.

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78º Lugar: Rogue One: Uma História Star Wars

Rogue One: A Star Wars Story  — 🇺🇸 2016 / Direção: Gareth Edwards

Rogue One é Star Wars em seu coração, mas algo completamente novo em sua execução. A obra de Gareth Edwards faz extenso uso de uma biblioteca de clichês cinematográficos e de referências ao universo criado por George Lucas em um pacote de narrativa cirúrgica repleta de personagens interessantíssimos, ação, drama, momentos inesquecíveis e, sim, um profundo – diria inigualável – senso de respeito a tudo o que veio antes, que consegue apenas ampliar a urgência da Trilogia Original, visto que agora o sacrifício de todos que vieram antes de torna mais palpável.

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77º Lugar: Mãe!

Mother! — 🇺🇸 2017 / Direção: Darren Aronofsky

Darren Aronofsky cria não somente um filme com caráter religioso, como algo que critica o que a nossa sociedade acabou se tornando. Em seus filmes anteriores, o diretor nos tirou da zona de conforto; em Mãe! ele nos faz esquecer o próprio conceito de conforto, criando uma narrativa que deve ser interpretada e que, certamente, gerará inúmeras visões por parte dos espectadores. Não é um filme para nos agradar e sim para nos fazer pensar, que permanece conosco por diás após termos saído da sala do cinema. Intrigante, alegórico e perturbador, Mãe! é uma verdadeira obra-prima.

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76º Lugar: Amantes Eternos

Only Lovers Left Alive — 🇬🇧🇩🇪🇬🇷🇫🇷 2013 / Direção: Jim Jarmusch

Quando os créditos, enfim, começam a rolar, nos vemos presos em um distinto transe que nos impede de realizar qualquer movimento. Paramos e escutamos aquelas notas da tão pungente trilha, nos recusando a deixar de lado Adam e Eve, duas figuras tão distintas, mas que se tornam um só quando estão próximos. Amantes Eternos é um filme para se sentir, para respirar e ouvir, preferencialmente no escuro. A experiência de assisti-lo sozinho é válida e recomendada, ao passo que permite a ainda maior imersão que a obra provoca, provando, mais uma vez, que os vampiros continuam tão fascinantes quanto nas origens do cinema.

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Melhores Filmes da Década – Parte 2

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.