Lista | As Nossas Melhores Leituras em 2019: Livros

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  • ATENÇÃO: As despedidas, votos finais e fofuras de encerramento do ano deixaremos para fazer no tradicional Editorial Plano Crítico, dia 31/12, como de costume.

Esta lista NÃO é apenas de leituras de obras lançadas em 2019, seja no Brasil, seja no exterior. Claro que podem aparecer obras lançadas neste ano, mas a proposta é apenas ranquear as nossas melhores leituras ou releituras de janeiro a dezembro, independente de quando o volume em questão chegou ao mercado.

Já deixo também o convite para vocês compartilharem nos comentárias as suas listinhas de 10 melhores leituras de livros neste ano! E caso queiram ver as nossas outras listas sobre o tema, clique aqui!

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🐂 Luiz Santiago

Aqui estão listadas as obras que li e que gostei muito, mas que não conseguiram entrar na versão final da lista. E vale a nota de que este ano eu não coloquei releituras na versão oficial por motivos de… não querer mesmo.

Vamos aos honrosos: Os Assassinatos na Rua Morgue (uma releitura… o conto continua poderoso e fascinante para mim, mesmo depois de tanto tempo); Luís Soares (Machadão e sua capacidade de nos impressionar a partir das coisas mais simples da vida…); Ontem Foi Segunda-Feira (aquela reflexão sobre “o sentido da vida” que deixa a gente com o cérebro fumegando); A Ilha Perdida (uma releitura cheia de nostalgia. Este foi o meu livro favorito da adolescência e foi maravilhoso voltar a ele!); As Margens da Alegria (uma releitura, com texto escrito especialmente em comemoração ao aniversário do meu sobrinho); A Última Resposta (depois de vários pedidos e ameaças de alguns de vocês, enfim, li e escrevi sobre essa continuação de A Última Pergunta); O Fascismo Eterno (uma soberba palestra de Umberto Eco que reli este ano para compor uma palestra pessoal sobre esse mesmo tema); Doctor Who: Scratchman (surpresa lindíssima da minha série favorita, lida logo no início do ano); Shazam!: Freddy’s Guide to Super Hero-ing (no hype do filme, comprei e li esse livrinho extremamente simpático e divertido. Um daqueles caça-niqueis que realmente valem a pena conferir). Agora, a lista oficial.

10º 🇧🇷 – Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Antônio de Almeida, 1854

Memórias de um Sargento de Milícias realiza uma incrível arquelogia do nosso famoso “jeitinho“, daquele “o que é a lei se eu tenho fulano por perto?“, ou do “contatinho” que pode livrar criminosos de enrascadas e colocar incompetentes em altos cargos apenas por um capricho íntimo, favores a conhecidos ou interesses financeiros. Uma divertida e indispensável obra sobre alguns matizes do lado sacana de nossa identidade nacional.
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9º 🇧🇪 – O Finado Sr. Gallet

Georges Simenon, 1931

A maneira como ele guia a grande revelação para o público é incrível (à parte o tratamento dado à engenhoca, que citei antes) e é ainda mais tocante, triste e inesquecível a forma íntima com que o finado é, enfim, representado nas últimas páginas. Em tudo, aqui, a narrativa é uma surpresa. E uma daquelas que faz a gente pensar sobre a nossa própria existência e sobre o legado que deixaremos no mundo quando a gente se for. Uma reflexão provocada por um livro policial, imaginem só!

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8º 🇺🇸 – A Cidadela Escarlate

Robert E. Howard, 1933

Ainda vale citar que esta é uma das raras vezes onde vemos um feiticeiro (no caso, Pelias) se tornar aliado de Conan, e é engraçado que o personagem, mesmo estando ao lado de um mago que não o está desafiando, se sente desconfortável. Sua trajetória de vida mostra claramente o por quê dessa desconfiança e, a despeito do próprio Pelias, os tenebrosos eventos presentes — que vão de um breve olhar para o inferno até uma impossível batalha pelo trono e por um reino — são uma grande prova disso, fazendo de A Cidadela Escarlate uma amedrontadora, instigante e inesquecível história.
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7º 🇧🇷 – A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Martha Batalha

Martha Batalha, 2016

Neste livro de estreia, Martha Batalha consegue explorar uma realidade de modo honesto e inteligente, mostrando o quão ridículos e risíveis são certos pensamentos e hábitos culturais, ao mesmo tempo que coloca em perspectiva o peso e as dores causadas por esses mesmos hábitos, chamando a atenção para a manutenção de alguns deles muito tempo além do que deveriam durar. Um aceno para a luta que não deve terminar tão cedo, pois o mundo está cheio de Eurídices com suas genialidades aprisionadas e suas vidas invisíveis esperando apenas a morte para que, enfim, recebam um pouco de atenção.

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6º 🇲🇿 – Nós Matamos o Cão Tinhoso!

Luís Bernardo Honwana, 1964

Certamente o produto de um tempo de guerra e que esclarece a forma como aquele período moldava mentalidades, expunha verdades sociais e criava a figura de um cão tinhoso histórico, que em breve entraria para os livros como vítimas da guerra, sendo seus algozes perdoados porque só estavam ali, de armas em punho, a mando de uma autoridade maior. No fim das contas, as ordens para o massacre se perdem, viram ecos. Os mortos, viram história. E seus descendentes, seguem convidados a trocar resolução de problemas por desenhos…
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5º 🇬🇧 – O Médico e o Monstro

Robert Louis Stevenson, 1886

É um final tenebroso, de um domínio da maldade e do puro impulso do homem sobre a sua persona socialmente moldada e aceitável. Um pesadelo que diz muito sobre a nossa própria estrutura emocional, nossos desejos e como precisamos barrá-los, escondê-los e ignorá-los para que a vida em sociedade seja possível. Eis aí a grande força dessa obra de Stevenson: ela dá vida a uma luta primal que existe em todos nós e que nunca se cansa de nos pressionar e impressionar.

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4º 🇬🇧  Akhenaton

Agatha Christie, 1973

Exceto por alguns problemas de ritmo nas Cenas 2 e 3 do Segundo Ato e pelo Epílogo totalmente sem graça, Akhenaton é uma absurda surpresa para qualquer fã de Agatha Christie. Uma peça curta, cheia de acontecimentos capazes de nos deixar roendo as unhas para saber o que acontece a seguir e com uma boa segurada do drama por parte da autora, algo que se deve olhar com atenção porque este cenário não era a sua especialidade (nem em tempo histórico nem em tema geral, ou seja, História), mas que ela conseguiu explorar de maneira exemplar. Infelizmente não é uma obra muito conhecida da autora, mas certamente é uma de suas melhores.
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3º 🇳🇬 – O Mundo se Despedaça

Chinua Achebe, 1958

Da geografia à cultura, da sociedade à mitologia, das lendas dos antepassados, ditados populares e atividades econômicas ao embate com os colonizadores já nos primeiros anos de seu estabelecimento no local, O Mundo se Despedaça é capaz de nos fazer viajar no tempo e alinhar fatos históricos a esta ficção fascinante sobre um povo despedaçado pelo projeto de povo… de um outro povo.

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2º 🇩🇪 – O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi

Mariana Leky, 2017

Eu comecei a lacrimejar a partir do capítulo Espantar o Cervo e a cada grupo de páginas viradas, pelos sete capítulos seguintes, me vi chorando de verdade por diferentes acontecimentos. Mais uma vez, o realismo e o tom fantasioso que permearam toda a história se unem ao nosso sentimento junto aos personagens e à projeção que fazemos de nós nessas cenas, tornando tudo muito intenso, fazendo-nos chorar e ao mesmo tempo querer celebrar a nossa vida e a vida daqueles a quem amamos.
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1º 🇫🇷 – A História Deve Ser Dividida em Pedaços?

Jacques Le Goff, 2014

Escrito em 2013, este que acabou sendo o último livro do grande historiador francês Jacques Le Goff — uma das maiores autoridades do mundo em Idade Média –, A História Deve Ser Dividida em Pedaços? (2014) é uma rápida e rica reflexão sobre os períodos da História Ocidental, no centro da qual está a Idade Média. Por razões de diálogo de disciplina com vocês, optarei por ampliar a exposição promovida pelo livro, problematizando e explicando a periodização da História em nossos dias, tornando a temática mais fácil de ser compreendida e dando a oportunidade de puxar mais elementos do livro, pensando, por fim, nas questões fora da Idade Média..

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🦕 Ritter Fan

Os leitores mais atentos arregalarão os olhos com a lista abaixo, já que, mesmo sem eu perceber, coloquei dois livros polêmicos, um cuja autora ingressou no Partido Nazista algum tempo depois de escrevê-lo e outro considerado fascista por muitos. Mas, como eu não ligo o que pensam sobre mim – já que, hoje, o mundo rotula todo mundo por qualquer coisa – vai ficar assim mesmo. Seja como for, no ano de 2019 continuei minhas leituras tentando casá-las com o que poderia ser aproveitado no site em termos de especiais ou de obras que ganhariam adaptações. Além disso, finalmente acabei a releitura da Saga Duna (só dos livros escritos por Frank Herbert, para ficar claro), valendo menção honrosa a Imperador Deus de Duna e, Hereges de Duna, que não entraram na lista. Trafeguei também por um título muito badalado, mas que jamais havia entrado em minha lista de desejos, o clássico Emma, de Jane Austen, que, para minha surpresa, gostei bastante. E, arriscando-me a ativar meu T.O.C. que determina que, se eu começo uma série, tenho que acabá-la, para uma coleção de nada menos do que 14 volumes, comecei a ler a saga Roda no Tempo, de Robert Jordan e que ganhará adaptação em forma de série em breve. O Olho do Mundo foi uma leitura divertida, mas aquém do que eu imaginava que seria considerando o quanto falam bem da série. Se eu continuarei, bem, só o tempo dirá (com trocadilho!). Além disso, em 2019, intensifiquei ainda mais a audição de áudio-livros em inglês, basicamente empregando todo o meu tempo de transporte de casa ao trabalho e vice-versa para escutar diversas obras diferentes. Achei que não me acostumaria a esse nível, mas confesso que, agora, viciei.
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10º 🇺🇸 –  Watchmen Annotated

Leslie S. Klinger, 2017

Watchmen Annotated é, para quem já leu Watchmen algumas vezes, um valioso repositório de informações de variados níveis de complexidade que atiçam a curiosidade sobre essa obra-prima da Nona Arte. Há obras mais completas sobre assunto específicos tratados na HQ, mas, em termos de amplitude e variedade, o trabalho de Leslie S. Klinger é exemplar.

9º 🇨🇦 – Os Testamentos

Margaret Atwood, 2019

Oficialmente, as razões que Margaret Atwood deu para escrever a continuação de O Conto da Aia nada menos do que 34 anos depois de seu lançamento foram a curiosidade de fãs que queriam saber o que aconteceu com Offred depois de seu final aberto e ambíguo e o clima político atual que, segundo ela, está mais próximo e não mais longe do que ela imaginou décadas atrás. Mesmo não duvidando do que Atwood disse, creio que um elemento crucial para ela ter voltado à história da República de Gilead, seus Estados Unidos teocrático, ditatorial e distópico, seja o sucesso da série de TV produzida pelo Hulu, o que empresta um caráter bem menos nobre, mas não menos válido, aos propósitos da autora, ainda que ela nunca vá reconhecer isso.

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8º 🇬🇧 – O Mundo Perdido

Arthur Conan Doyle, 1912

Dinossauros. Essa é a palavra-chave para eu já ficar predisposto a gostar de uma obra, seja ela de que natureza for. Apesar de Viagem ao Centro da Terra ainda ser o ponto alto do sub-gênero, O Mundo Perdido não fica muito atrás.
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7º 🇺🇸 – Filhos de Duna [releitura]

Frank Herbert, 1976

Depois de trazer um segundo capítulo que, de certa forma (apenas de certa forma!), desaponta por não ser muito mais do que um epílogo estendido, Frank Herbert volta com força total, sete anos depois, para essencialmente recomeçar sua saga e elevá-la a um patamar ainda mais ambicioso e estranho para esse fascinante futuro da Humanidade. E olha que ele nem arranha a superfície de seus planos aqui…

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6º 🇺🇸  Rambo (Primeiro Sangue)

David Morrell, 1972

Mesmo para quem conhece o filme de cor e salteado, o romance merece ser conhecido e repercutido, por ampliar as discussões sobre a guerra e seus efeitos e por enriquecer tanto John Rambo e Will Teasle como interessantíssimos e complexos personagens. Apesar do tema pesado, a leitura é descomplicada e gratificante.
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5º 🇩🇪 – Metrópolis

Thea von Harbou, 1926

Thea von Harbou, diferentemente de seu marido Fritz Lang de que se divorciou em 1933,  tornou-se leal ao regime nazista antes e durante a 2ª Guerra, mas seu livro Metrópolis, que deu base ao famoso filme homônimo, não tem nada de nazista e é uma leitura sensacional. Mais uma prova de que é importantíssimo saber separar o artista de suas obras.

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4º 🇺🇸 – Tropas Estrelares

Robert A. Heinlein, 1959

Guerra faz parte da História da Humanidade, tendo moldado nosso presente e, arriscaria dizer, algumas vezes para melhor. Já pensou como seriam os EUA sem a Revolução Americana ou a Guerra de Secessão? Ou as guerras de unificação que levaram ao surgimento da China? Claro que o mesmo poderia ser alcançado de outra forma, mas somos animais beligerantes, não tem jeito e Robert A. Heinlein, em seu Tropas Estrelares, rapidamente taxado de fascista por quem precisa aprender a ler e a interpretar, é um dos raros livros pró-guerra que racionaliza a questão. Leitura desafiadora por nadar contra o que achamos, mas é justamente daí que vem seu valor.
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3º 🇺🇸  Algo Sinistro Vem Por Aí

Ray Bradbury, 1962

Algo Sinistro Vem Por Aí é uma leitura envolvente e deliciosa tanto para jovens quanto para adultos, já que Bradbury consegue criar um pequeno universo em que as crianças que querem ser adultas e os pais que se lembram nostalgicamente de sua infância precisam dar as mãos para derrotar misteriosas e antiquíssimas forças do mal. Não há combinação melhor, não é mesmo?

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2º 🇺🇸  Nas Montanhas da Loucura [releitura]

H.P. Lovecraft, 1936

É a visão do homem comum – por mais brilhante que possa ser – em relação a coisas inimagináveis que mudam nossa percepção de mundo. E por isso é que “explicações” são incabíveis para além das suposições, hipóteses e dúvidas que assolam Dyer e, por tabela, o leitor. Sim, é um pouco enlouquecedor, mas não esperaria menos de Lovecraft.
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1º 🇺🇸 – O Fim da Infância

Arthur C. Clarke, 1953

Uma obra-prima de Artthur C. Clarke que imagina um tipo diferente de invasão alienígena na Terra em uma obra estruturada de tal forma que não há protagonista único ou mesmo linhas narrativas com começo, meio e fim. Fascinante.

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🐮 Rodrigo Pereira

2019 foi um ano de descobrimentos. Entre todas as obras que integram minha lista de melhores leituras do ano, somente as de Eduardo Galeano são de um autor que já havia lido algo anteriormente. Se é algo positivo ou negativo, não sei. Alguém poderia argumentar positivamente ao dizer que estou expandindo  meu horizonte literário, assim como outro questionaria, negativamente, como pude levar tanto tempo para ler tal obra de tal pessoa. De qualquer forma, esse ano consegui ampliar a quantidade de livros lidos e isso muito me agrada. Foi um bom ano literário, ao menos.

10º 🇬🇧 – Um Estudo em Vermelho

Arthur Conan Doyle, 1887

Essa obra de Arthur Conan Doyle é algo engraçado para mim. Não a história em si, que é algo incrível e que nos surpreende completamente no final, mas porque tive a impressão ao longo de toda a leitura que já havia lido antes. Uma constante sensação de déjà vu, fazendo com que eu ainda não saiba se foi ou não uma releitura. De qualquer forma, a obra é ótima e merece ser lida e relida.
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9º 🇺🇸 – Factótum

Charles Bukowski, 1975

Meu primeiro contato com Bukowski também foi o primeiro encontro com Henry Chinaski, personagem clássico do escritor alemão. A escrita suja, por vezes brutal, de Bukowski causa uma infinidade de sentimentos ao longo da leitura, menos a indiferença. E eu gosto quando a indiferença passa longe da arte. O romance desse fracassado, alcoólatra e abusivo do Chinaski é realmente muito bom.

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8º 🇺🇾 – O Teatro do Bem e do Mal

Eduardo Galeano, 2002

Aqui temos Eduardo Galeano refletindo com sua característica escrita acerca dos problemas sociais e políticos de nosso mundo. Crônicas, contos, poemas e tudo que se possa imaginar regado de humor, ironia e tempero latino exclusivo do autor.
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7º 🇷🇺 – O Jogador

Dostoiévski, 1866

Esse foi um que li e pensei “por que demorei tanto para ler algo do Dostoiévski?”. Fiquei completamente fascinado por esse romance que mostra os caminhos tortuosos que o vício, nesse caso o do jogo, podem levar nossa vida. Uma leitura rápida e deliciosa. Recomendadíssimo.
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6º 🇮🇹 – O Marxismo Ocidental. Como Nasceu, Morreu, Como Pode Renascer

Domenico Losurdo, 2017

Se o ano de 2019 foi de descobertas literárias para mim, também foi um ano com poucas leituras teóricas. Apesar de ter lido um considerável número de artigos e capítulos avulsos de obras dentro das mais variadas teorias (e não somente da política), O Marxismo Ocidental foi o único livro que li por completo no ano. Nele, o filósofo italiano Domenico Losurdo traça uma linha histórica e comparativa entre o marxismo ocidental e oriental e discute os erros e acertos de intelectuais e líderes políticos de todos os cantos do planeta, sempre com uma abordagem extremamente crítica e questionadora. Questões como anticomunismo, imperialismo, liberalismo e, principalmente, neocolonialismo também estão presentes na obra.

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5º 🇺🇾 – Dias e Noites de Amor e Guerra

Eduardo Galeano, 1978

Galeano é meu autor favorito. Sua forma de transitar pelos mais diversos gêneros literários sem maiores preocupações estéticas, além de sua irretocável paixão futebolística e visão política (que compartilho e muito), são atrativos deliciosos para mim. Com exceção do futebol, o resto está presente nessa obra que junta histórias, pessoais ou não, de amor e resistência de um uruguaio que viveu a época das ditaduras militares latinas, participando do confronto contra várias delas.
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🇧🇷 – Primeiras Estórias

Guimarães Rosa, 1962

Esse foi, provavelmente, o livro que mais me encantou em 2019. A primeira obra que li por completo de Guimarães Rosa, apesar da dificuldade inicial de assimilação por conta de sua peculiar e característica escrita, foi uma incrível experiência de descobrimento. Cada aventura narrada em seus contos me transportavam para ricos e diversos universos de nosso país, com personagens únicos e igualmente encantadores. Essencial, simplesmente.
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🇳🇬 – Hibisco Roxo

Chimamanda Ngozi Adichie, 2003

A autora teve uma competência gigantesca em abordar tantas questões diferentes entre si, fazê-las conversar e depositá-las nos traços de personalidade de cada personagem, afetando positivamente os rumos da narrativa. Chimamanda faz toda a complexidade dos temas parecer simples, resultando em uma história envolvente, reflexiva, totalmente atual e necessária para os nossos tempos.

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2º 🇨🇦 – O Conto da Aia

Margaret Atwood, 1985

O Conto da Aia é leitura obrigatória. Mas fica um aviso: o cenário hipotético criado por Margaret Atwood está mesmo ali na esquina, pelo que a obra é uma leitura que machuca a cada virada de página, mas a dor, aqui, é necessária e, mais do que isso, instrutiva.

1º 🇨🇿 – A Metamorfose

Franz Kafka, 1915

Cruel, aberto a diversas leituras, e influência de uma grande geração de artistas e centenas de obras futuras, A Metamorfose é um livro que se lê de uma tacada só, porque é uma leitura fácil, especialmente do meio para o final. Um livro que já mostrava os tormentos do homem do início do século XX e que, com o passar do tempo, se metamorfoseou também para situações que acompanham o passar dos anos, o avanço da tecnologia e a massacrante impressão de que toda a sorte de “insetos monstruosos”, no bom e no mal sentido, dominam cada vez mais o mundo que a gente vive. O adjetivo kafkiano não poderia ser mais propício.

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🦊 Fernando Annunziata

A maior parte dos livros que li em 2019 foram dedicados à faculdade. Isso não significa que foram somente obras acadêmicas. Além das indicações dos professores, que muitas vezes eram livros práticos, me encontrei no dilema comum de um calouro: preciso ser o melhor da faculdade. Assim, bastou uma pesquisa no Google para descobrir quais livros um estudante de Comunicação Social precisava ler.

Durante janeiro e fevereiro, segui as recomendações. Incrivelmente, o “sabe-tudo” me indicou clássicos da literatura brasileira. Li O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro; O Cortiço, de Aluísio Azevedo, Rota 66¸de Caco Barcellos; A Marca Humana, de Philip Roth; Vidas Secas, de Graciliano Ramos; e a versão completa de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

A partir de março, dediquei toda a minha leitura à faculdade. Não salta os olhos qualquer texto científico. Entretanto, contos, crônicas e jornalísticos são fortes candidatos à lista. Dentre eles, o brilhantíssimo livro da Eliane Brum, O Olho da Rua; a lenda alemã de Fausto; A Máquina Extraviada, de José J. Veiga; Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos, de Ana Paula Maia; e Um Banquete para Hitler, de V. S. Alexander.
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10º 🇧🇷  Vidas Secas

Graciliano Ramos, 1938

Digno de ser lido em um único dia, Vidas Secas se destaca pelas suas metáforas da vida nordestina. Depois de dar uma lida, vale a pena pesquisar na internet sobre o que está nas entrelinhas.
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 🇧🇷  A Estranha Máquina Extraviada

José J. Veiga, 1967

Importante conto para o estudo da Teoria da Comunicação, A Máquina Extraviada pode ser utilizada como parâmetro para entendermos a força e a origem da Religião, além de outros símbolos da sociedade moderna. Uma simples máquina adquire um valor simbólico diante de uma sociedade que não tem a capacidade de entendê-la em sua totalidade. Não está muito longe dos valores religiosos atuais.

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🇩🇪Fausto

Goethe, 1808 e 1832

Clássico da filosofia, Fausto levanta questões interessantes. Quando terminamos de ler, refletimos se, caso nossa vida esteja fadada a se repetir eternamente, temeríamos ou não a morte? Se a resposta for sim, é porque você está vivendo errado. Caso contrário, continue seguindo o mesmo caminho.

🇧🇷 – O Anjo Pornográfico

Ruy Castro, 1992

Interessante até para quem se cansa rápido com biografias, O Anjo Pornográfico é uma imersão na vida de Nelson Rodrigues. Com uma escrita clara, objetiva e limpa, é possível sentir o quanto o autor se adentrou na vida do personagem principal.
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🇧🇷 Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis, 1881

Mais destacado por ser um dos marcos do início de um novo movimento, o maior escritor brasileiro aposta em capítulos integralmente em brancos, capítulos curtos, e capítulos apenas com exclamações e interrogações. O excesso de metáforas e de “jogos” com o espaço em branco do papel deixa o texto confuso. Porém essa artimanha foi necessária para antecipar o Modernismo e quebrar com o Realismo.

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🇧🇷  Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos

Ana Paula Maia, 2009

O livro é composto por dois contos: um com o mesmo nome do livro e outro intitulado O Trabalho Sujo dos Outros. Ambos são naturalistas, e buscam demonstrar a vida dura e cruel das classes mais baixas da sociedade. Importante por levantar a questão da desigualdade social e da exploração trabalhista, os contos também chamam a atenção por uma escrita no estilo “nua e crua”.
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🇺🇸  A Marca Humana

Philip Roth, 2000

Lançado em 2000, o livro parece mais atual do que o ano de lançamento indica. Na história, um professor utiliza a palavra Spooks (fantasmas que assustam) para se referir a dois estudantes que não comparecem à aula. Entretanto, o termo também é pejorativo e racista. Essa narrativa nos transporta para a atualidade, em que devemos tomar cuidado sobre o que dizemos e escrevemos, principalmente diante das redes sociais e da busca da maioria por um mundo pacífico e sem preconceitos.

🇧🇷  Rota 66

Caco Barcellos, 1992

Um importante livro para entendermos as críticas em relação à falta de preparo de parte da polícia do Rio de Janeiro, Rota 66 se destaca por contar histórias tão surreais que não parecem verídicas. É impossível acabar o livro e não questionar sobre a realidade de jovens brasileiros que, no fim, acabam se tornando estatísticas de balas perdidas ou de assassinatos “sem culpados”.

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🇺🇸 – Um Banquete para Hitler: A Morte Está Servida

V. S. Alexander, 2018

Li as 300 páginas em menos de dois dias e fiquei com gosto de quero mais. Um Banquete Para Hitler é uma brilhantíssima obra baseada em fatos reais, que cativa em todos os pontos da narrativa. Bem escrita, lindamente ambientada e, sobretudo, eficientemente desenvolvida, o título é um dos melhores que já tive contato na minha vida.
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🇧🇷 – O Olho da Rua

Eliane Brum, 2008

O livro aborda as dez reportagens mais marcantes da autora e jornalista Eliane Brum. A visão da jornalista é tão apurada que os detalhes parecem ser inventados (mas claro que não são). Aqui, entendemos a verdadeira diferença entre um bom repórter e outro que apenas exerce a profissão. Enquanto o primeiro serve para dar voz às diferentes classes sociais, o segundo retrata a realidade de maneira superficial e rasa. O título é um dos principais motivos para que eu queira, além da Publicidade, me formar em Jornalismo.

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LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.